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Lisboa, 2017

 

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Hiper-objecto

16.11.17

O filósofo Timothy Morton, cunhou o termo hiper-objecto para se referir a entidades complexas, distribuídas no tempo e no espaço a uma escala que nos transcende. Um dos exemplos de hiper-objecto de Morton, com uma obra que incide fortemente na questão da ecologia, é o aquecimento global.

 

Creio que o conceito de hiper-objecto é especialmente útil para traduzir a noção de que existem no Universo entidades que estão fora de alcance da nossa compreensão. É extraordinariamente presunçoso pensarmos que tudo o que existe no Universo tem que ter um nível de complexidade que seja compatível com o Homem. Todo o acto de perceber a realidade é simultaneamente um acto de simplificação da realidade até ao nosso nível de compreensão. É isso que a ciência faz. Mas temos que admitir que existe a forte possibilidade de existirem coisas no Céu e na Terra que simplesmente estejam fora do alcance do nosso cérebro.

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Se podemos pensar, legitimamente, que aquilo que somos e o resultado da nossa vida não passa de um conjunto de casualidades que nos conduziram ao que somos (se repetirmos a nossa vida o resultado seria totalmente diferente), também se pode pensar, sendo o mundo regido por um conjunto de regras determinísticas (perante as mesmas condições o resultado é sempre o mesmo), que tudo o que nos aconteceu só poderia ter acontecido dessa forma.

 

A ironia do sentido da vida é que temos que escolher entre sermos definidos essencialmente pelo acaso ou por regras exatas. Nenhum dos cenários nos deixa espaço para a autodeterminação. Em ambas as opções pouco sobra da nossa meticulosa construção do significado e da importância do “eu”.

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Nós e o acaso

13.11.17

O biólogo evolucionista Stephen Jay Gould escreveu algo do género: “Consideremos o filme da vida na Terra. Rebobinemo-lo e projetemo-lo de novo: o resultado seria totalmente diferente”. Este conceito reflete o facto de o fio da História ser o resultado de um infinito conjunto de casualidades encadeadas. O resultado foi este, poderia ter sido outro totalmente diferente. Um exemplo: se há 65 milhões de anos o cometa que colidiu com a Terra tem passado uns míseros milhares de quilómetros ao lado, hoje a vida na Terra seria radicalmente diferente.  A nossa existência enquanto espécie dominante dependeu de um qualquer evento cósmico a milhões de anos luz da Terra que criou um asteroide e o atirou em direção ao nosso planeta e que, por uma enorme casualidade, colidiu com no nosso planeta enquanto este, dominado pelos dinossauros, percorria calmamente a sua órbita.

 

A mesma ideia se poderá adptarà vida de cada um de nós: "regressemos ao dia do nosso nascimento e voltemos a viver a nossa vida: o resultado teria sido totalmente diferente". Não deixa de ser esmagador para o ego pensar que o que é a nossa vida e a nossa identidade seja resultado de inúmeros e insignificantes acasos, que nem sequer conseguimos identificar, e que foram ao longo do tempo constuindo aquilo que agora somos. Nós, que tão seguros estamos da nossa personalidade. Nós, para quem o “eu” é algo de concreto e único que sempre conhecemos. Nós, somos afinal um resultado possível entre infinitos outros.

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Antropoceno

09.11.17

Quando, daqui a uns milhões de anos, algum ser fizer a história deste planeta a época em que vivemos poderá vir a ser denominada como Antropoceno. Este termo, queé hoje utilizado por alguns cientistas, refere a época geológica em que a Terra é modificada pela ação do Homem.

 

Estamos na era em que um animal dominou e alterou de forma radical o planeta onde nasceu. Um animal que aprendeu a estranha arte da mentira, de conseguir pensar e dizer o que não existe, do mito à religião, do dinheiro à poesia, da arte ao amor, conseguindo que milhões de indivíduos se organizassem em torno de ideias e ficções. Um animal que conseguiu descobrir as origens do Universo e compreender a linguagem em que as regras que o regem estão escritas. Um animal que, conseguiu descodificar o código da vida e a alterá-lo de acordo com as suas necessidades criando novas formas de vida.

 

Um animal que começa agora a entender que a sua ação está a destruir o Planeta e sabe que tem que abdicar do seu estilo de vida para não destruir a única casa que temos. E é agora que algo vai ter que acontecer, o que nós fizermos agora, vai definir a vida possível das gerações vindouras ou conduzir-nos a uma provável extinção. Somos nós, o Homem, que definimos o que queremos que seja o Antropoceno.

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Let us be silent, that we may hear the whisper of God.

 

Ralph Waldo Emerson

 

É do silencio que emerge o subtil murmúrio dos deuses. O silêncio é o silêncio da mente e o murmurio dos deuses emana da profundidade do nosso ser. É preciso silenciar a mente para ouvir a alma.

 

Reedição desta publicação.

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O silêncio é hoje o derradeiro luxo. E neste contexto silêncio significa o silêncio externo, o silêncio da ausência de sons que constantemente nos interrompem, mas também o silêncio interior, o silêncio que que é gerado pela nossa mente. O silêncio, exterior e interior, é hoje algo que a maioria de nós desconhece, teme e que não está apto para usufruir.  Confundimos ruído com actividade. Aumentamos o ruído com medo do que o silêncio nos pode dizer. Tudo, absolutamente tudo, o que a nossa mente processa é ruído e cabe-nos a nós aprender a arte de filtrar esse ruído para conseguir usufruir do que é verdadeiramente importante. E só o silêncio nos pode ensinar o que é importante.

 

Fantasy, reality, dreams, memories. It’s all the same. Just noise.

 

"Ghost in the shell", filme de 2017 realizado por Rupert Sanders baseado na obra de Masamume Shirow

 

No entanto, falar é precisamente o que o silêncio deve fazer. O silêncio deve falar, e nós devemos falar com ele, de modo a aproveitarmos o seu potencial.

 

"Silêncio na Era do Ruído", Erling Kagge 

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A memória dos mortos é o que os mantém vivos nas nossas vidas. Recordações e sentimentos é tudo o que nos resta. Não há obviamente qualquer impedimento a que se recorde e homenageie os nossos mortos em qualquer local, a qualquer momento e de forma íntima, sem exibições. Mas também para um não-religioso os ritos e os templos têm a sua função. A existência de um dia e um local específico, dedicado à memória dos que já perdemos, é importante. Os cemitérios são os templos da memória aos que partiram, os cemitérios são para os vivos, não para os mortos.

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Foi recentemente leiloada por cerca de 1,5 milhões de euros uma breve nota manuscrita por Einstein para entregar a um mensageiro em Tóquio, que por não ter dinheiro  consigo, Einstein utilizou em substituição de uma gorjeta. Em papel timbrado do hotel, Einstein escreveu simplesmente:

Uma vida simples e silenciosa traz mais alegria do que a procura do sucesso num desassossego constante.

 

Esta nota foi escrita em Novembro de 1922. Desde desse dia até hoje o mundo mudou. Mas é extraordinário como as preocupações de Einstein de há 95 anos sobre o que define a arte da vida são iguais às preocupações de todos nós, nos nossos dias. Hoje a velocidade a que se vive, as solicitações e distrações a que estamos sujeitos devido à evolução tecnológica, o próprio tecido da sociedade, tudo é distinto do que era naqueles tempos. Imagino que o conceito de “desassossego constante” de 1922 fosse algo de substancialmente diferente, para melhor, do que é hoje para a maioria de nós. Apesar de tudo ter mudado, houve algo que se manteve: a eterna procura do Homem por uma forma de vida que o conduza à felicidade.

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É fácil cair na tentação da húbris e considerar-nos superiores às leis da natureza. Quando inevitavelmente a punição chega, somos reconduzidos de deuses a animais, a nossa alma torna-se um lugar escuro e apertado. O que nos resta? O presente, o nosso efémero infinito.

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