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Qualquer escolha que façamos, e fazemos dezenas de escolhas ao longo de um dia, significa que estamos a abdicar de outras possibilidades por uma opção. A linha temporal tem no presente infinitos futuros e cada escolha, naquele momento, limita-nos a uma opção. Após cada decisão limitámos o nosso futuro.

 

É esta a dificuldade da decisão: escolher é abdicar. E também estamos a abdicar não tomando nenhuma decisão. A omissão de decisão, deixar a vida seguir pelos seus carris sem nos preocuparmos em mudar o seu rumo é também uma decisão. Por omissão estamos a decidir e a abdicar de um futuro diferente.

 

A vida é uma árvore em que com cada decisão seguimos por um dos ramos, abdicando de todos os outros ramos desse nível, o presente. E a cada momento estamos a construir um futuro diferente.

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A vida parece-me um erro metafísico da matéria, uma distracção da inacção.

 

Fernando Pessoa, Livro do Desassossego, 99

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Pai, as fadas dos dentes existem?

 

O imaginário infantil está povoado de magia e criaturas fabulosas. Mas crescer é isso mesmo, lentamente mas inexoravelmente ir reconstruindo o imaginário do nosso mundo pessoal. O ser imaginário não deixará de ser menos belo e menos perfeito por não ter a propriedade da existência. (Este argumento é baseado, pela negativa, no argumento ontológico para a existência de Deus, onde se prova que Deus, sendo perfeito, teria que existir, dado que a existência seria certamente uma propriedade dos seres perfeitos). A perfeição não é a existência.

 

Respondi que as fadas existem sim, na nossa imaginação. Nessa medida são tão reais como qualquer outro ente, não é por esse pormenor que não devem existir, no imaginário das crianças ou na história da humanidade. Os deuses, que pertencendo à mesma categoria dos seres imaginários, são certamente a entidade com maior influência na história do Homem.

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Algumas Proposições com Pássaros e Árvores que o Poeta Remata com uma
Referência ao Coração

 

Os pássaros nascem na ponta das árvores
As árvores que eu vejo em vez de fruto dão pássaros
Os pássaros são o fruto mais vivo das árvores
Os pássaros começam onde as árvores acabam
Os pássaros fazem cantar as árvores
Ao chegar aos pássaros as árvores engrossam movimentam-se
deixam o reino vegetal para passar a pertencer ao reino animal
Como pássaros poisam as folhas na terra
quando o outono desce veladamente sobre os campos
Gostaria de dizer que os pássaros emanam das árvores
mas deixo essa forma de dizer ao romancista
é complicada e não se dá bem na poesia
não foi ainda isolada da filosofia
Eu amo as árvores principalmente as que dão pássaros
Quem é que lá os pendura nos ramos?
De quem é a mão a inúmera mão?
Eu passo e muda-se-me o coração

 

Ruy Belo

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- No curto prazo, o que me apetece fazer é ir lá para fora brincar

- No médio  prazo sei vou obter mais benficios se ficar em casa a estudar, vou conseguir melhor notas na escola e um emprego melhor

- No longo prazo, não sei qual das opções me dará melhores recordações

 

Adaptado de Calvin&Hobbes

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No filme “Interstellar”, de Christopher Nolan, 2014, após o nascimento do primeiro filho umas das personagens diz: a partir deste momento a nossa missão é sermos as memórias dos nossos filhos.

 

Ter filhos, educá-los para a vida e dar-lhes as ferramentas para que possam ser pessoas bem preparadas para a vida, em todos os sentidos, é a maior responsabilidade que um ser humano pode assumir. As suas memórias sobre nós são o que de mais próximo existe da imortalidade.

 

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O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei

 

Agostinho de Hipona (354-430)

 

Santo Agostinho, Agostinho de Hipona (354-430), afirmava que apesar da nossa percepção do tempo o dividir em passado, presente e futuro, na realidade o que existe é o presente, somente o presente. O presente do passado, o presente do presente e o presente do futuro. Nunca ninguém viveu no passado, nunca ninguém viveu no futuro.

 

Quando pensamos no passado, o que temos é somente a nossa memória presente desse passado. O que aconteceu já não existe, o que aconteceu não sabemos, o que conhecemos do passado é o que existe dentro de nós neste momento.

 

O futuro não existe. O futuro, são planos, expetativas e medos.

 

Não há portanto razão para andarmos a ruminar num passado que só existe no nosso imaginário, nem sofrer por um futuro que não existe. O que é o tempo? O tempo é usufruir do presente, que é tudo o que temos.

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Máquina do Mundo


O Universo é feito essencialmente de coisa nenhuma.
Intervalos, distâncias, buracos, porosidade etérea.
Espaço vazio, em suma.
O resto é matéria.


Daí, que este arrepio,
este chamá-lo e tê-lo, erguê-lo e defrontá-lo,
esta fresta de nada aberta no vazio,
deve ser um intervalo.

 

Rómulo de Carvalho/António Gedeão

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Quem olha para fora, sonha. Quem olha para dentro, desperta.

Carl Jung (1875 - 1961)

 

Todas as sensações que o nosso cérebro recebe são interpretações de estímulos exteriores nos órgãos sensitivos (olhos, tímpanos, extremidades nervosas) que são convertidos em sinais que são entregues pelo sistema nervoso no cérebro que os transforma em sensações. Quando vemos uma parede amarela, o que vemos é o estímulo do reflexo de determinadas frequências da luz na nossa retina que as transforma em sinais que são levados ao cérebro que constrói a imagem de uma parede amarela. Não tenho qualquer garantia que a cor a que eu chamo de “amarelo” seja de facto interpretada da mesma forma pelo cérebro de outras pessoas. A imagem a que chamamos “amarelo” só existe dentro do nosso cérebro e é incomparável com a imagem a que outra pessoa também chama “amarelo”. O que aqui refiro relativamente ao “amarelo” aplica-se a qualquer sensação que o nosso cérebro recebe.

 

A realidade é um conjunto de partículas, protões, neutrões, eletrões e outras partículas e sub-partículas que a ciência vai descobrindo, espaço e tempo. Fundamentalmente a realidade é espaço e tempo. O percecionamos é uma ilusão só existe dentro de nós, no nosso cérebro. Quando olhamos, ouvimos, tocamos, cheiramos e saboreamos estamos a interpretar de forma pessoal e incomparável um mundo exterior físico que pode ser, e certamente o é, muito diferente daquilo que o nosso cérebro interpreta. Por exemplo, uma mosca, que tem uma estrutura visual muito diferente da nossa, vê um mundo totalmente diferente da forma como nós o vemos, incluindo o tempo. O tempo para uma mosca pode ser diferente do tempo para um humano. Qual de nós está mais perto do que é a realidade, se é que se pode afirmar que existe uma única realidade, não sabemos.

 

Esta questão é um tema na filisofia desde da antiguidade, da alegoria da caverna de Platão ao "penso, logo existo" de René Descartes. Se queremos conhecer verdadeiramente o que nos rodeia, não temos alternativa a olhar para dentro de nós. Estamos isolados em nós, e tudo o que conhecemos é o que o cérebro conhece de si próprio.

 

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Quando foram podadas as roseiras eram uns arbustos despenteados de ramos espinhosos, despidos e anárquicos. Agora, apenas algumas semanas depois, na explosão da Primavera, estão vestidas de folhas, cheias de botões e enfeitadas com belas rosas coloridas. Orgulhosas e altivas. É possível notar as diferenças em poucas horas numa rosa a desabrochar. É a Primavera a acontecer e é algo de maravilhoso.

 

O mistério da Primavera, um movimento que acontece por algo que nos é superior, serve para nos lembrar que, as roseiras como nós, todos somos peças de um mesmo mecanismo improvável: a vida. Nunca devemos perder a nossa capacidade de nos espantar com a vida, a sua improbabilidade, a sua variedade, a sua força e, também, com a sua fragilidade. A vida é resultado de um equilíbrio complexo e extramente instável.

 

É caso para recordar o excerto do poema de António Machado: La primavera ha venido, nadie sabe cómo ha sido.

 

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