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É usual aproveitar os últimos dias de cada ano para se fazer um balanço do que positivo ou negativo ocorreu durante a última volta do planeta à nossa estrela. No planeta onde domina o desrespeito do Homem pela casa que o criou e pela sua família, os restantes seres vivos, onde a barbárie e o sofrimento humano atingem níveis que nos deixam insensíveis perante a dor dos “outros” e onde a economia global é gerida por uma elite não eleita que se sobrepõe ao poder democrático e que se auto-defende de forma irracional desrespeitando todos os outros, incluindo quem lhe possibilita ser uma elite. Mas pessoalmente foi a falta de vontade e de esperança marcou este ano. É deixar correr o tempo, agora que o entusiasmo, a alma espantada dos jovens, me parece ter abandonado. Tantas possibilidades entusiasmantes, tantos desejos por concretizar, e pouca vontade para lutar.

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 É de facto mais confortável admitir que o nosso Imaginário e o Universo constituem realidades distintas. Mas não deixa de ser verdade, e cientificamente comprovado, que o nosso estado mental afeta o nosso estado físico. Por exemplo, sabe-se que as nossas emoções, a tristeza, a alegria, o amor, afetam a produção de determinadas hormonas pelo nosso corpo. Também se sabe que o físico afeta o mental, tal como o comprovam os medicamentos anti-depressivos, que com base unicamente no efeito de determinadas substâncias químicas conseguem afetar o nosso estado de espírito.

 

Desta forma pode ser incorreto dizer-se que o mundo do imaginário e o mundo do Universo pertencem a realidades diferentes, dado o facto que se interrelacionam de alguma forma. Mas não, não é aceitável admitir que tudo o que somos e sentimos, todo o nosso imaginário, imana unicamente e de forma determinista de uma conjugação física e determinista. O Imaginário e o Universo não podem ser a mesma realidade.

 

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Se tudo no mundo acontece obedecendo a leis físicas e químicas precisas, exatas e deterministas, significa que, perante uma determinada configuração precisa o resultado será sempre o mesmo, independentemente do número de vezes que o acontecimento ocorra. Será que os nossos pensamentos são consequência única de acontecimentos deterministas provocados pelo estado do nosso cérebro a nível de neurónios, sinapses, presença de determinadas hormonas e determinados nutrientes ou elementos químicos? Ou colocando a questão de outra forma: pertencerá o nosso imaginário à mesma realidade que o Universo?

 

Assumir a existência de uma única realidade regida por leis físicas deterministas coloca-nos numa área de desconforto. A nossa experiência diz-nos que temos a capacidade livre e pessoal de tomar decisões, ou seja, que somos possuidores de livre arbítrio. Sentimos que a realidade do nosso cérebro não depende só de condições físicas. Mas de facto nada nos pode indicar isso, porque nunca poderemos determinar que a decisão que tomamos não dependeu exclusivamente de determinadas condições e que nessas condições alguma vez poderíamos ter uma decisão distinta. A saída é postular que o nosso imaginário é real, sim, mas pertencendo a uma realidade distinta do Universo. Que nenhum bater de asas de nenhuma borboleta em algum lugar poderá alguma vez influenciar o que vou pensar, fazer ou sentir.

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Nós somos feitos de átomos e quando um humano estuda um átomo são átomos que se estudam a si mesmo.

 

Mas a realidade do átomo é a mesma realidade do humano? E a realidade do átomo será a mesma realidade da Via Láctea? E se existirem vários Universos, a sua realidade será a mesma? A dúvida é se existem várias realidades ou se existe uma unicidade da realidade.

 

O conhecido efeito borboleta afirma que o bater de asas de uma borboleta poderia ter um efeito que provocasse uma tempestade do outro lado do mundo. Ou seja, tudo está ligado e a realidade é uma única.

 

A existência da unicidade da realidade pressupõe que as regras que se aplicam sejam as mesmas independentemente da escala, das forças, da matéria e do tempo em questão. Desta forma tudo o que existe estaria ligado por um conjunto leis que determinavam o comportamento perante determinadas condições. E esse comportamento tanto pode ser o salto quântico de um eletrão, a formação de uma tempestade ou a minha decisão de eu hoje almoçar carne estufada ou peixe grelhado.

 

A ciência ainda não nos consegue responder a esta questão e não sabemos se alguma esta resposta estará ao nosso alcance. Neste momento é uma questão filosófica. E filosoficamente gostamos de pensar que o mundo é regido por regras, que nada no mundo físico acontece por acaso. E a nossa experiência diária confirma-nos isso: se todos os dias fizermos a mesma experiência, com as mesmas condições, todos os dias vamos obter o mesmo resultado. Seria um mundo louco se assim não fosse. “Deus não gosta de jogar aos dados” terá dito Einstein.

 

Mas quer isto dizer que eu não tenho liberdade de fazer algo diferente do que estou a fazer? Poderia eu, exatamente nas mesmas condições em que estou agora, estar a escrever algo diferente? Terei livre arbítrio?

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É curioso como na natureza o padrão dos átomos, com um núcleo rodeado de eletrões que percorrem órbitas em seu torno e agrupados de determinada forma que constituí determinado elemento, se repete ao nível planetário, com os sistemas estelares rodeados de planetas e agrupados em galáxias.

 

Parece que a natureza gosta deste padrão. É inevitável pensar que, a outra escala, o nosso sistema solar não seja mais que uma espécie de átomo que faz parte de algo de um outro mundo, de uma outra realidade, a uma escala infinitamente maior que a nossa.

 

Do infinitamente pequeno ao infinitamente grande, a realidade depende também da escala.

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Lux, I

18.12.15

Lux, I.JPG

 

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Realidade, IV

17.12.15

Sendo a matéria na realidade algo escasso temos que aceitar que o que existe, a realidade, é algo mais que matéria: são também forças, ondas, tempo e espaço.

 

Recorrendo ao exemplo das cores, sabemos que não são mais que instanciações de determinados estímulos no nosso cérebro que é a “lente” com que temos que conhecer o mundo. As cores não são matéria. Não é por fisicamente não existirem cores no mundo que as cores não existem. As cores existem no nosso cérebro.

 

E os pensamentos? Se eu penso em algo, naquele instante o meu pensamento é algo que existe no mundo. Se eu penso, por exemplo, num unicórnio azul, esse unicórnio existe naquele momento no meu cérebro. Não o consigo medir, pesar ou ver o pensamento (com os instrumentos ao nosso alcance) mas é algo que existe que emana de alguma forma pelo meu cérebro. Não é matéria, talvez alguma força elétrica nas sinapses do meu cérebro, mas é algo concreto. O unicórnio azul é tão concreto no meu cérebro como a paisagem que vejo da janela da minha sala. Não por não ter matéria que o unicórnio azul não existe. É o meu imaginário, mas é parte do que existe, da realidade.

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Realidade, III

16.12.15

À nossa escala o mundo parece-nos ser um sítio bastante sólido. No entanto se retirássemos todo o espaço que existe entre as partículas o planeta Terra ficaria reduzido a um volume que enchia apenas numa pequena colher.

 

O mundo parece-nos sólido porque as forças que mantêm a matéria unida impedem que consigamos atravessar uma parede. Mas sem essas forças conseguiríamos facilmente caminhar através de uma parede. São as forças que mantêm a estrutura da matéria que permitem a nossa existência. Não havendo essas forças, ou existindo com valores diferentes dos que têm, o mundo seria algo muito diferente e muito provavelmente inerte, amorfo e sem qualquer estrutura que possibilitasse a improbabilidade do surgimento da vida.

 

A uma escala menor que a nossa o mundo é constituído fundamentalmente por espaço e forças. A matéria é rara. A realidade à escala atómica é um sítio muito vazio. A realidade à escala espacial é também um local muito vazio.

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Realidade, II

15.12.15

A realidade portanto depende da “lente” com que a observamos. No nosso caso essa lente é o nosso cérebro e o que sabemos é que a realidade que conseguimos conhecer será sempre filtrada por esse artefacto biológico. Outros seres terão um conhecimento da realidade totalmente distinto do nosso. Por exemplo, uma mosca, que tem uma estrutura de sentidos totalmente distinta da nossa e um cérebro muito diferente, terá uma percepção da realidade diferente da nossa: as cores que vê, os sons que ouve ou inclusivamente o próprio conceito de tempo certamente que são totalmente distintos para uma mosca do que são para nós.

 

E qual destas perceções distintas corresponde à realidade? A nossa realidade não é mais real que a realidade de uma mosca (ou de qualquer outro ser do Universo), pelo que a única conclusão é que ambas as realidades existem e são resultado do filtro que temos ao nosso dispor para a percepcionar. Estamos condicionados pelo filtro que temos e portanto a nossa realidade é essa, não outra. E que no Universo existem infinitas realidades.

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Realidade

14.12.15

Um dos debates filosóficos é sobre em que consiste a realidade. A realidade é o que existe, aparenta ser a resposta óbvia. Mas estará ao nosso alcance distinguir o que existe do que não existe? Tudo o que nós conhecemos, conhecemo-lo através do nosso cérebro. No fundo o que conhecemos é a interpretação que o nosso cérebro faz do que recebe do exterior. E a dúvida é que, estando nós condenados a apenas conseguir conhecer o que nos rodeia através do cérebro, se não estaremos desde logo limitados a não saber o que é a realidade.

 

Um exemplo que os filósofos costumam utilizar sobre este assunto é a existência das cores. Existe o debate sobre na realidade existem cores. De facto o que as cores são é uma interpretação que o nosso cérebro faz quando recebe luz em determinados comprimentos de onda. Na realidade o que existe são partículas e ondas com determinadas frequências, não são as cores. As cores é o que nós vemos depois de passar por uma interpretação do nosso cérebro sobre determinada informação que chega ao cérebro via sistema nervoso depois de ser incentivado pelo olho que recebe uma frequência de luz, não uma cor. Aliás nada nos garante que a cor que cada um perceciona é igual entre todos. Por exemplo, para um individuo o que ele vê como “amarelo” pode equivaler ao que outro vê como “verde”. Assim,  dizer que as cores existem na realidade é, no minímo, uma afirmação duvidosa.

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