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Eu não me levo muito a sério. É a melhor maneira de viver. Aquele que se leva a sério está sempre numa situação de inferioridade perante a vida.

                        
Agustina Bessa-Luis

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Luz e escuridão

30.03.17

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Lisboa, 2017 

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Várias empresas de biotecnologia investigam no sentido de conseguir perceber os mecanismos do envelhecimento humano. O conceito que motiva esta investigação é que o envelhecimento não tem que ser uma obrigatoriedade, que o corpo está programado de alguma forma para começar a envelhecer a determinado momento. Conseguindo perceber os mecanismos dessa programação será certamente possível alterar esses mecanismos e tornar o envelhecimento opcional. O corpo manter-se-ia jovem indefinidamente. Aliás, existem na natureza exemplos de seres vivos que não estão programados para envelhecer e que portanto nunca morrem por velhice, como as extraordinárias estrelas-do-mar.

 

No texto da The New Yorker “SILICON VALLEY’S QUEST TO LIVE FOREVER, Can billions of dollars’ worth of high-tech research succeed in making death optional?”, Tad Friend explica os esforços e os investimentos milionários na tentativa de se conseguir o prolongamento da longevidade humana e que, no limite, a morte seja opcional. Esta investigação é fortemente apoiada financeiramente, nomeadamente pela Google que tem um projeto de investigação próprio, e por um conjunto de multimilionários que têm a esperança de vir a usufruir do prolongamento a sua vida em algumas centenas de anos adicionais.

 

Existe claramente motivação egoísta no investimento extraordinário nesta investigação. Quando tanta gente morre de má-nutrição, de doenças facilmente evitáveis e quando há tanto a fazer na investigação em doenças que matam milhões, estar a investir no prolongamento da vida de seres saudáveis parece ser um objetivo questionável. A cura do envelhecimento será algo que inicialmente só será  acessível a alguns extremamente ricos. A humanidade será dividida nesse momento em duas espécies distintas: os humanos de vida curta (quase todos) e os humanos com longevidade aumentada (alguns eleitos). A humanidade iria recriar-se a si própria, mas simultaneamente estaria a condenar a esmagadora maioria dos seres humanos a uma morte que seria prematura, já que não seria o destino de todos. As consequências desta divisão podem ser imaginadas, mas impossíveis de prever.

 

*“Os filhos de Matusalém”, livro de Robert A. Heilein, escrito em 1941. Um conjunto de humanos que atingiu longevidade extraordinária através da reprodução seleccionada. No entanto, são perseguidos por um segredo que não possuem, e foram obrigados a escolher entre a tortura e a extinção pelos outros homens - os de vida curta - desesperados pela inveja ou a fuga da Terra numa nave interstelar ainda não ensaiada.

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Perante a nossa pequenez, a insignificância da nossa existência, caímos por vezes na tentação de perguntar: porquê? O silêncio é a única resposta a esta dúvida. O que nos acontece não é relevante para o Universo nem existe qualquer plano para a nossa existência. A justiça é um conceito Humano que existe somente na nossa mente. O nosso nível de consciência é um subproduto, talvez inusitado, e só nós poderemos saber o que fazer com ela. O sentido para o que nos acontece temos que ser nós a construí-lo. Cada dia, todos os dias.

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A paternidade foi algo que me mudou de forma profunda. É uma revolução copernicana, o centro do nosso mundo desloca-se de forma quase telúrica para fora de nós. Assumo que tenho aprendido mais com os meus filhos do que eles comigo, que evoluí enquanto ser humano graças a eles. E quando vou na rua de mão dada com os meus filhos sinto sempre que, mais do que ser eu que os levo, são eles que me levam a mim pela mão.

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Finjo.

Finjo tanto, que até a pensar finjo que penso.

(…)

Hei-de de ser teu patrão

Fingindo ser teu criado

(...)

 

Máscaras d’Orfeu, Napoleão Mira

 

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The eternal mystery of the world is its comprehensibility.

 

A human being is a part of a whole, called by us ‘universe’, a part limited in time and space. He experiences himself, his thoughts and feelings as something separated from the rest… a kind of optical delusion of his consciousness. This delusion is a kind of prison for us, restricting us to our personal desires and to affection for a few persons nearest to us. Our task must be to free ourselves from this prison by widening our circle of compassion to embrace all living creatures and the whole of nature in its beauty.

 

 Albert Einstein

 

Para além de nos questionarmos sobre o motivo de existir algo é motivo de igual assombro o facto de o algo que existe ter regras, ter previsibilidade, ter organização. Aparentemente seria muito mais simples a existência ser caótica. E motivo adicional de espanto é que essa organização, baseada em regras que não sabemos como foram definidas, deu origem à consciência. A consciência, a nossa mente, atingiu a capacidade de começar a compreender o Universo e de nos questionarmos precisamente porque é que existe algo. Em rigor quando nos questionamos porque existe algo, é o Universo que questiona a sua própria existência. O "eu" é uma ilusão criada pelo Universo, a criatura e o criador são uno.

 

 

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A decisão é uma escolha entre várias possibilidades. Ao decidir estamos antes de mais a abdicar de muitas possibilidades para escolher apenas uma. Escolher é portanto abdicar. Mas a dificuldade verdadeiramente trágica da decisão não é tanto do que abdicamos, mas o facto de que no momento da decisão estamos a escolher algo em concreto que esconde uma infinidade de possibilidades. Nunca sabemos, e na maioria das situações nunca viremos a saber, se determinada decisão foi a mais acertada. É uma escolha entre vários caminhos quando não sabemos o que está para além da primeira curva de cada um deles, como escreveu Fernando Pessoa. Viver é uma viagem que se faz de frente para o passado e de costas voltadas para o caminho.

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Uma esperança vinda do céu.JPG

 Agosto 2016

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O limite

07.03.17

Porque o que mais custa a suportar não é a derrota ou o triunfo, mas o tédio, o fastio, o cansaço, o desencorajamento. Vencer ou ser vencido não é um limite. O limite é estar farto.


Virgílio Ferreira, Conta-Corrente 5

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