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Interrupção

11.08.17

Estes textos vão usufruir de uma interrupção, mas para lá do imaginário o Universo continuará inexplicavelmente a existir.

 

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Não contesto minimamente que há necessidade de moderar a intervenção pública de quem não partilha os valores da tolerância, da equidade e do laicismo e da utilização de argumentos baseados em preconceitos. No debate público vivemos tempos em que o “politicamente correto” se impôs. Mas a realidade raramente é simples e esta mordaça autoimposta do politicamente correto está gradualmente a assumir proporções em que a restrição na linguagem pode facilmente entrar em contradição com a realidade ou, o que é mais grave, tornar-se limitadora da liberdade de expressão e de pensamento.

 

Recentemente foi notícia em vários países um memorando interno de um funcionário da Google em que se defendia que existe justificação para os cargos relacionados com tecnologias de informação serem maioritariamente ocupados por homens, isto porque, defendia o memorando, existirem diferenças biológicas entre os sexos em que maioritariamente as mulheres se interessam mais por áreas de relacionamento humano e artísticas e o homens por questões mais técnicas. Ou seja, o seu argumento é que a ausência de mulheres nestas funções não se deve a algum filtro imposto sobre o género feminino na progressão nas carreiras nesta área, mas sim a um desinteresse genuíno das mulheres em seguirem funções relacionadas com tecnologias de informação. É uma reflexão fundamentada que, concorde-se ou não, não é ofensiva nem discriminativa. O resultado? Esta questão interna de uma empresa foi notícia em todo o mundo por ser considerado sexista e o funcionário acabou por ser despedido da sua empresa. E assim o politicamente correto fez mais uma vítima.

 

Onde devia existir um debate de ideias, com argumentos racionais e intelectualmente honestos, e que podem obviamente ser rebatidos nos mesmos termos por quem não concorde, existe agora uma fronteira, o politicamente correto, que estamos todos, não apenas no debate público, impedidos de passar. O politicamente correto tem uma função na sociedade mas creio que se está claramente a entrar em áreas que extravasam de forma verdadeiramente irracional o seu papel.

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We cling to our memories as if they define us. But it’s what we do that defines us.

 

Fantasy, reality, dreams, memories. It’s all the same. Just noise.

 

Filme: Ghost in the Shell, realizador Rupert Sanders 

 

Ghost in the shell é baseado num manga criado por Masamune Shirow em 1989. A ação decorre num futuro melancólico e negro, numa mega-cidade deprimente algures na Ásia, muito à semelhança do ambiente criado em Blade Runner, onde as pessoas melhorando-se com implantes robóticos criando uma fronteira difusa entre Homem e máquina. A história baseia-se na construção de uma nova geração de cyborgs em que um cérebro humano é colocado num robot humanoide, juntando assim as virtudes de ambos: a capacidade de decisão de um humano com o poder de um corpo robótico. É o cyborg extremo em que tudo é máquina excepto o cérebro, o fantasma dentro da máquina, num regresso da dualidade de Descartes em que a alma comanda o corpo.

 

Tudo o que o cérebro recebe é controlado e pode ser manipulado. Tudo, seja realidade ou fantasia se resume ao mesmo, ruído no cérebro. Senão as memórias, o que nos define então?

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Criatura rebelde

03.08.17

Foi divulgado oficialmente que cientistas conseguiram editar de forma viável o ADN de embriões de forma a removerem os genes associados a uma doença cardíaca hereditária. A nova técnica de “edição de ADN” permite de facto retirar ou adicionar genes ao ADN, seja humano ou não, como quem (re)escreve a própria vida. Para o bem e para o mal, só não se pode dizer que o limite do possível é a imaginação humana porque a própria imaginação humana poderá ser diferente com a utilização que se fizer da edição do ADN. É mais uma etapa do nascimento de uma nova espécie, em que a criatura se rebelou e usurpou o lugar do criador.

 

Livro: “Homo Deus, história breve do amanhã”, Yuval Noah Harari

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