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O recurso a testes ADN na investigação criminal é relativamente recente e em julgamentos efetuados há algumas dezenas de anos não era possível recorrer a este método que pode, de forma inequívoca, determinar culpados e ilibar inocentes. Nos últimos anos nos EUA foram vários os condenados que foram libertados na sequência da realização de testes ADN que provaram, para além de qualquer dúvida, que eram afinal inocentes.

 

O curioso é que entre estes condenados que foram posteriormente ilibados existem vários casos de pessoas que têm memória de terem cometido o crime. Essas pessoas recordam-se do seu crime, apesar de estar provado que são inocentes. A acusação do crime acabou, ao longo do tempo, por criar nessas pessoas memórias de o terem cometido.

 

Estranho? Talvez não, pois a nossa memória é algo que somos nós que construímos e pode ter, ou não, fundamento na realidade. A memória e o imaginário têm fronteiras difusas e uma memória não é algo de imutável, está em permanente construção e desconstrução. Uma memória é uma obra sempre inacabada.

 

A verdade é algo de muito bonito, mas o que sobra da nossa verdade quando não podemos confiar na memória? O que representa para nós o passado senão uma ilusão, uma estória elaborada pelo nosso cérebro e que vai sendo retocada meticulosamente utilizando como matéria-prima uma mistura variada de realidades, de desejos, de medos, de esquecimentos seletivos e de imaginário, qual artesão incansável de uma obra nunca terminada.

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