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Li recentemente uma entrevista a Mark Curtis, autor do livro “Distraction – Being Human in the Digital Age”, que uma das causas da ansiedade gerada pelas redes sociais é uma consequência de algo que se pode nomear por “assimetria do glamour”.

 

Esta é uma expressão feliz para designar a eterna insatisfação que temos tendência a sentir com o que nos acontece quando comparado com aquilo que entendemos ter acontecido aos outros. Mas aqui temos também que considerar, para além do glamour, um outro género de assimetria que talvez seja mais relevante: a assimetria entre a realidade do imaginário e a realidade no concreto. Aquilo que os outros vivem é geralmente melhor na nossa percepção porque esses acontecimentos existem apenas no nosso imaginário, e neste mundo idealista tudo tende a ser o mais perfeito que no concreto.

 

Este fenómeno verifica-se também entre aquilo que imaginamos e o que vivemos na realidade concreta (imaginar também é viver). Se idealizamos uma viagem de sonho, essa viagem será sempre perfeita no nosso imaginário enquanto que, ao concretizar-se, por mais perfeita que seja, a realidade irá inevitavelmente adicionar-lhe bastantes inconvenientes. A perfeição só existe no imaginário. Assim, a não concretização dos nossos sonhos não nos deve dar motivo de decepção. O nosso imaginário pode ser o melhor dos mundos e a sua concretização da realidade nem sempre será a prerrogativa para a felicidade. Como referiu Fernando Pessoa: “O mito é o nada que é tudo”.

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