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Com a laicização as regras morais de funcionamento da sociedade têm que gradualmente incorporar a separação entre religião e leis. As leis e regras morais da sociedade terão que refletir a visão do mundo não antropocêntrica pois sem religião não somos o centro do mundo, não existe um qualquer plano superior desenhado para nós ou um sentido de vida que seja exclusivo do Homem.

 

E, de forma semelhante, a laicização implica aceitar também que o que entendemos por "alma" não é nada se sobrenatural nem exclusivo do Homem. Ninguém tem hoje dúvidas que várias espécies animais têm sentido de autoconsciência e capacidade de sentir, o que incluí o sofrimento e o prazer. O que existe são diferentes níveis de consciência, mas não há nada no Homem que não exista noutros animais. As leis e regras da sociedade não podem, cientificamente falando, assumir a existência exclusiva no Homem de algo que nos torne na essência diferentes de qualquer outro ser senciente. Da mesma forma que desmontando um motor não se encontra nele o barulho que faz ao funcionar, dissecando o corpo humano também não se vai encontrar nele o local da consciência e dos sentimentos exclusivos dos humanos, aquilo que nós humanos gostamos de designar por "alma".

 

Assim, uma sociedade laica não pode deixar de assumir duas premissas: 1) O Homem não tem qualquer sentido de vida superior aos restantes animais, e 2) Todos os seres sencientes sofrem. Estamos portanto, eticamente, ao mesmo nível que todos os outros animais da Natureza.

 

Significa isto que, sobre qualquer ponto de vista, o sofrimento propositado e evitável que causamos a animais, nomeadamente para produzir a carne para consumirmos, para efetuar experiências, para trabalho ou simplesmente para exibição ou nosso divertimento é totalmente inaceitável e moralmente indefensável.

 

Em tempos, não muito distantes, a sociedade, incluindo as religiões, aceitava a escravatura como algo natural e perfeitamente aceitável. Hoje a escravatura é algo de inaceitável e seria completamente anacrónico, ou simplesmente ridículo e absurdo, alguém defender o contrário. Da mesma forma, provocar sofrimento a animais para proveito do Homem terá que, um dia, ser algo de moralmente inaceitável pela sociedade.

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