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Refere Miguel Real no livro “Nova teoria do Pecado” que o pecado assenta sobre dois pilares fundamentais: o medo e a culpa. Aqui o medo deve entender-se não como o medo primário do sofrimento, da doença ou da morte mas como o meta-sentimento de ter medo do medo. Foi o medo de ter medo a causa fundadora da imaginação Humana, a capacidade de inventar um mundo à medida do Homem, foi a origem das divindades e regras sociais, em resumo, da nossa capacidade única no mundo animal de pensar o que não existe. E adiciono a estes dois pilares do pecado cristão um terceiro: o castigo. O julgamento final e a ameaça da punição divina após a morte. Medo, culpa e castigo são pois os pilares fundadores da nossa civilização.

 

Com a laicização da sociedade hoje o pecado cristão será talvez um conceito em extinção, mas os seus três pilares, medo, culpa e castigo mantêm intocável a sua importância. Sofrer em vida para ser recompensado após a morte é ainda hoje o alicerce das sociedades no mundo, mesmo que a componente religiosa, ou divina, se esteja lentamente a desvanecer da equação. Porque o imaginário é o que rege a Humanidade e permite a manutenção da ordem social. O hedonismo puro nunca permitiria que as sociedades humanas tivessem construído uma rede de sentido subjetivo, imaginário, que teve como consequência o total domínio do Homem sobre os restantes seres da Natureza.

 

Livro: “Nova teoria do pecado”, Miguel Real

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