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Um dia com a Primavera em todo o seu esplendor, sol quente temperado com uma aragem refrescante. O dia é dedicado a tarefas leves de jardinagem, acompanhado pelo canto caótico de centenas de pássaros que, miraculosamente, resulta num coro que parece minuciosamente ensaiado. De vez em quando levanto a cabeça da terra e concentro-me no canto de algum pássaro solista, que naquele momento se exibe. Reparo no grande cedro, que se ergue esquio e alto ao lado da casa. Cresceu tanto que já ultrapassa a casa em altura. Há umas semanas dei indicações para o abaterem, por ameaçar cair num dia ventoso, com estragos imprevisíveis. As suas raízes, limitadas pela casa e pelo muro, não o vão conseguir suportar. Agora que estou frente a ele, reparo que nos seus ramos com folhagem densa, folhas miudinhas de um verde forte e aromatizado, devem por esta altura ser abrigo de alguns ninhos. Se fosse hoje aguardaria mais uns meses para o mandar abater, para dar oportunidade a que os seus habitantes saíssem do ninho. É demasiado fácil decidir o destino de outros à distância, isto na guerra como na jardinagem. Agora é demasiado tarde, os homens vão lá amanhã. Tirando isto, foi um dia perfeito. E o futuro parece neste momento que está tão distante.

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