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Várias empresas de biotecnologia investigam no sentido de conseguir perceber os mecanismos do envelhecimento humano. O conceito que motiva esta investigação é que o envelhecimento não tem que ser uma obrigatoriedade, que o corpo está programado de alguma forma para começar a envelhecer a determinado momento. Conseguindo perceber os mecanismos dessa programação será certamente possível alterar esses mecanismos e tornar o envelhecimento opcional. O corpo manter-se-ia jovem indefinidamente. Aliás, existem na natureza exemplos de seres vivos que não estão programados para envelhecer e que portanto nunca morrem por velhice, como as extraordinárias estrelas-do-mar.

 

No texto da The New Yorker “SILICON VALLEY’S QUEST TO LIVE FOREVER, Can billions of dollars’ worth of high-tech research succeed in making death optional?”, Tad Friend explica os esforços e os investimentos milionários na tentativa de se conseguir o prolongamento da longevidade humana e que, no limite, a morte seja opcional. Esta investigação é fortemente apoiada financeiramente, nomeadamente pela Google que tem um projeto de investigação próprio, e por um conjunto de multimilionários que têm a esperança de vir a usufruir do prolongamento a sua vida em algumas centenas de anos adicionais.

 

Existe claramente motivação egoísta no investimento extraordinário nesta investigação. Quando tanta gente morre de má-nutrição, de doenças facilmente evitáveis e quando há tanto a fazer na investigação em doenças que matam milhões, estar a investir no prolongamento da vida de seres saudáveis parece ser um objetivo questionável. A cura do envelhecimento será algo que inicialmente só será  acessível a alguns extremamente ricos. A humanidade será dividida nesse momento em duas espécies distintas: os humanos de vida curta (quase todos) e os humanos com longevidade aumentada (alguns eleitos). A humanidade iria recriar-se a si própria, mas simultaneamente estaria a condenar a esmagadora maioria dos seres humanos a uma morte que seria prematura, já que não seria o destino de todos. As consequências desta divisão podem ser imaginadas, mas impossíveis de prever.

 

*“Os filhos de Matusalém”, livro de Robert A. Heilein, escrito em 1941. Um conjunto de humanos que atingiu longevidade extraordinária através da reprodução seleccionada. No entanto, são perseguidos por um segredo que não possuem, e foram obrigados a escolher entre a tortura e a extinção pelos outros homens - os de vida curta - desesperados pela inveja ou a fuga da Terra numa nave interstelar ainda não ensaiada.

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