Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Pai

17.01.18

 

Faz hoje 5 anos que o meu Pai nos deixou. A vida que existiu continuará viva na memória de todos os que o conheceram. Fica aqui um texto que escrevi nesse dia, contra o esquecimento.

 

 

Adeus Pai. Sou parte de ti, e por isso nunca me deixarás. Não irás mais estar fisicamente presente, mas o teu espírito, os teus ensinamentos e o teu ser continuarão sempre connosco. Ensinaste-me muito ao longo da vida, chegou agora o momento de uma última e dolorosa lição: viver a dor da morte de quem amamos.

 

Disseste-me que tudo tem um fim. Mas permite-me corrigir-te: não é será um fim, é apenas um momento em que deixaremos de ouvir a tua voz (espero nunca a esquecer), do olhar dos teus olhos, às vezes verdes, outras vezes cinzentos (que estou certo nunca esquecerei), de sentir o teu calor, de ver os teus gestos. Tudo isto vai continuar a existir naqueles que ficam com a enorme responsabilidade de honrar a tua memória. Enquanto existires em nós, a morte não vencerá.

 

O nosso consolo é saber que partes em paz, com o espirito do dever cumprido. Que viveste uma vida difícil, mas de sucesso. Que no fim da vida pudeste olhar em teu redor e que certamente sentiste felicidade. Que conseguiste realizar os teus sonhos, contra muitas adversidades. Que deixas uma família que te respeita e honra. Amigos que nunca te irão esquecer. Que te amam. Que enquanto os que te conheceram estiverem vivos existirás sempre nos nossos corações e não deixaremos de brindar à tua memória. Que descanses em paz, e que nós, que recebemos o teu legado, sejamos agora capazes de honrar o teu exemplo.

 

Agradeço-te tudo. O que de bom e de mau vivemos juntos. Obrigado. Obrigado por seres o que és. Obrigado pelo que aprendi contigo. Obrigado pela tua honestidade. Obrigado pelos teus conselhos. Obrigado pelos princípios de vida. Obrigado pelos teus olhos. Obrigado pela tua vida, que nos enche de orgulho.

 

Obrigado por tudo. Descansa em Paz.

 

17 de Janeiro de 2013

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Memórias

27.12.17

Neste Natal, uma memória há muito desaparecida surgiu inesperadamente e convocou-me para vidas anteriores e para caminhos antigos que divergiram algures no tempo para nunca mais se cruzarem. Como a nossa memória nos esconde tanto. O que somos é genética e a soma do que nos aconteceu, mas o que nos aconteceu é tão volátil e subtil. O passado só existe em nós, enquanto guardamos dele algum vestigio. “Quando eu morrer, nada do nosso amor terá alguma vez existido” escreveu Jean Dupuy, mas creio que se enganou, porque o amor deixa de alguma vez ter existido no momento em que um dos amantes o esquece.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Perguntas como me sinto. Vivo sem passado, sem futuro. Não pensar no que poderia ser o hoje, não sonhar o que será o amanhã. Não questionar porque não são as coisas diferentes. Não fazer planos. O que sinto é isto: não é alegria, não é tristeza, não é esperança, por vezes amor, por vezes desejo, e quase sempre coisa nenhuma. Mas, questiono, com o que sei sobre a natureza da vida humana: o que poderia ser diferente?

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

É fácil cair na tentação da húbris e considerar-nos superiores às leis da natureza. Quando inevitavelmente a punição chega, somos reconduzidos de deuses a animais, a nossa alma torna-se um lugar escuro e apertado. O que nos resta? O presente, o nosso efémero infinito.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Tal como só na doença, é que conseguimos dar o devido valor à saúde, parece que com a infelicidade nos acontece o mesmo. Só nos momentos em que estamos infelizes conseguimos compreender como, afinal, éramos felizes anteriormente. Somos realmente limitados a avaliar o sentimento de felicidade do momento. E nos momentos em que o céu desaba sobre nós, sem uma réstia de luz ao fundo, que saudades temos desses momentos que podíamos olhar em frente e ver, e que éramos felizes e não o sabíamos.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Medo do nada

12.10.17

Por vezes o futuro transforma-se num nevoeiro negro que, subtilmente e sem permissão, começa a alastrar para o nosso presente, toldando os nossos dias. Nesses momentos exige-se, mais do que nunca, o foco no agora. O presente é o nosso único infinito e há momentos em que o futuro, esse nada, consegue ser uma sombra sobre os nossos dias. Não o permitirei, seria a vitória do inexistente sobre o que existe.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Somos prisioneiros desta dimensão temporal impelidos a viajar irremediavelmente em direção ao futuro. Passageiros involuntários de um comboio que ruma ao desconhecido. Viver o presente é a única alternativa, mas nem sempre fácil de utilizar. Há momentos em que o desejo é que o Tempo interrompa o seu fluxo e ficar parado no momento. A usufruir o presente, sem os nevoeiros do futuro.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

O amor e o desejo são sentimentos frágeis que se podem estilhaçar facilmente se não forem manuseados com extremo cuidado. E se, por descuido, distração ou inação, um sentimento se quebra o efeito é irremediável. Se os danos não forem graves ainda se pode, se existir vontade e paciência, tentar colar os múltiplos bocados em que ficou estilhaçado, mas por mais perfeito que seja este labor de artificie o resultado final nunca será exatamente igual ao sentimento primordial. Ficam sempre marcas, imperfeições, cicatrizes que o tempo pode disfarçar mas que nunca cura. Quando se quebra um sentimento o nosso mundo nunca mais volta a ser o mesmo.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Ser-se adulto é estar-se sozinho, sozinho perante as nossas decisões e sozinho na responsabilidade das suas consequências. Não temos em quem delegar as decisões da nossa vida. Não temos desculpas para o que fazemos ou deixamos de fazer. Isto não é necessariamente mau, com a coragem necessária conseguimos encontrar na responsabilidade uma beleza obscura muito própria, mas cansa ser-se adulto a tempo inteiro. Há dias em que anseio desesperadamente de uma desculpa para conseguir explicar-me porque faço o que os outros esperam de mim, em vez de fazer aquilo que eu esperava de mim.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:

Alma de poeta

18.05.17

 

Conversávamos ao jantar sobre o facto de a minha filha de 12 anos ter começado recentemente a deslocar-se de autocarro sozinha:

- “Já estás crescida, já andas de um lado para o outro sozinha”

- “E isso tem algum mal?”

- “É bom por umas coisas e mau por outras”

- “O que tem de mau?”

- “É o papá que está a ver a sua bebé a crescer” – intromete-se o seu irmão de 9 anos.

 

Poucos dias antes tinha dito esta mesma frase (sem que o meu filho estivesse presente). Sinto que a minha filha está a crescer demasiado depressa, o tempo avança irremediavelmente, cada vez mais rápido. O meu filho, com o seu instinto natural para os sentimentos, consegue ler o que sinto com uma profundidade desarmante. Tem alma de poeta o rapaz.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:


Mais sobre mim

foto do autor



Links

  •  

  • Arquivo

    1. 2018
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2017
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2016
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D
    40. 2015
    41. J
    42. F
    43. M
    44. A
    45. M
    46. J
    47. J
    48. A
    49. S
    50. O
    51. N
    52. D