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Desilusão no sentido literal é perder uma ilusão. Será algo de positivo portanto, a dura realidade é sempre preferível à doce ilusão. Mas nem sempre. Uma desilusão é também o sentimento de que alguém ficou aquém da nossa expetativa, que falhou o que se esperava. Mas todos nós, humanos e falíveis, temos momentos em que desiludimos os outros e, também, a nós próprios. Não significa isto que andemos iludidos, mas falhamos momentaneamente e humanamente. A palavra desilusão é utilizada em dois sentidos e portanto insuficiente para destrinçar a suave diferença entre a desilusão no sentido de decepção, triste mas momentânea, com uma falha humanamente aceitável e a outra desilusão, no sentido de desengano, triste mas definitiva e clarificadora, por andarmos enganados e finalmente conseguirmos ver a realidade.

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Generosidade, uma palavra bela e abrangente, tem usualmente uma utilização num conceito estrito que a diminui injustamente. Habitualmente o conceito de generosidade resume-se a doar dinheiro, ajudar materialmente quem precisa. Mas generosidade é muito mais que isso. É a capacidade de dar aos outros tempo, simpatia, empatia, conhecimento, paciência ou compreensão. E generosidade é, também, a capacidade de receber a generosidade dos outros.

 

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A palavra "nós" pode referir um conjunto alargado de conceitos que refletem desde uniões efémeras e circunstânciais a projectos de uma vida. Da equipa que se junta para um jogo de futebol ao fim de tarde entre amigos, em que o "nós" e o "eles" termina quando acaba o jogo, até uma relação de vida, como um casamento ou a família, em que o "nós" significa algo que pode (deve?) transceder cada elemento da relação.

 

São dois conceitos totalmente distintos vertidos pela mesma palavra, o que limita e restringe o nosso pensamento. A linguagem que temos ao nosso dispor afeta, de forma subtil mas decisiva, a nossa forma de pensar.

 

Com a maturidade que a idade nos confere o "nós" é um conceito que perde gradualmente a sua importância quando utilizada para referir conceitos em oposição ao "eles" e que ganha todo o seu significado para os projetos de vida enquando conceito que transmite algo que supera o individuo. E este segundo significado é fundamental no sentido da vida que cada um constrói e que, no fundo, se torna o seu legado.

 

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A palavra desumanidade que designa algo que é contrário às características comuns da humanidade, no sentido de cruel, insensível, egoísta, destruídor, bárbaro ou selvagem, necessita claramente de revisão. Perante o ódio, a crueldade, a ganância, a indiferença pelo sofrimento dos outros e a destruição do planeta que dominam estes tempos, talvez a palavra humanidade possa assumir melhor este significado. Porque na realidade, como percebeu Ambrose Bierce no seu “Dicionário do Diabo”, a desumanidade é a característica que melhor define a humanidade.

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O egoísmo é muitas vezes utilizado num sentido diferente: o do egotismo. O egotismo é o excesso de identificação consigo mesmo, a incapacidade de um individuo de perspetivar as experiências vitais por outra visão que não seja a sua. O egotista entende o mundo por um referencial próprio, ultra-valoriza a sua própria experiência e não tem capacidade de deslocar as suas referências para o outro. O egotismo não deve ser confundido com o egoísmo, que é um excesso de prioritização do eu em desrespeito pelo outro.

 

O egotista tem assim uma desvantagem no seu raciocínio: como se considera como a medida de todas as coisas é incapaz de perceber atitudes que são consequência de experiências de vida diferentes. O egotista tem uma empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, reduzida. Vivendo fechado num conjunto de referências pessoais, o egotista não consegue na sua interação com o outro ter a maleabilidade para aceitar como válidas as referências dos outros, de abdicar para aceitar.

 

 

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Partilhar não é dividir.  Por esse motivo nasceram duas palavras diferentes. Partilhar implica comunhão e resulta numa multiplicação de sentimentos. Na partilha é preciso o outro, é preciso sentir essa urgência de querer em conjunto viver, sentir, respirar o mesmo ar. É preciso um entrosamento emocional que está para além do amor. A partilha é um tropismo que impercetivelmente junta dois seres. Partilhar algo é, em conjunto, gerar algo maior.

 

Dividir algo é, cada um, ficar com uma parte. Ponto.

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Amor é uma daquelas palavras que incluem na sua utilização comum tantos e diferentes significados que pela sua abrangência distorcem o seu real significado. Por tanto ser usada perde o seu significado. Amor filial, amor paternal ou maternal, amor platónico, amor físico, amor por animais, amor pela natureza, amor ao próximo ou amor próprio tudo isto são algumas das diferentes variações da utilização da palavra amor. A palavra amor é utilizada frequentemente como substituto de sentimentos  que têm as suas próprias palavras, como carinho, paixão, desejo, companheirismo ou amizade. Amor tornou-se uma palavra insuficiente, porque por si só, não consegue definir o sentimento que pretende descrever. Dizer "amor" é dizer quase nada.

 

Qual é então o verdadeiro amor? Qual a redução última da palavra amor, qual é esse sentimento que nenhuma outra palavra consegue substituir de forma total? O amor paternal ou maternal.

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