Saltar para: Posts [1], Pesquisa e Arquivos [2]


Um dia com a Primavera em todo o seu esplendor, sol quente temperado com uma aragem refrescante. O dia é dedicado a tarefas leves de jardinagem, acompanhado pelo canto caótico de centenas de pássaros que, miraculosamente, resulta num coro que parece minuciosamente ensaiado. De vez em quando levanto a cabeça da terra e concentro-me no canto de algum pássaro solista, que naquele momento se exibe. Reparo no grande cedro, que se ergue esquio e alto ao lado da casa. Cresceu tanto que já ultrapassa a casa em altura. Há umas semanas dei indicações para o abaterem, por ameaçar cair num dia ventoso, com estragos imprevisíveis. As suas raízes, limitadas pela casa e pelo muro, não o vão conseguir suportar. Agora que estou frente a ele, reparo que nos seus ramos com folhagem densa, folhas miudinhas de um verde forte e aromatizado, devem por esta altura ser abrigo de alguns ninhos. Se fosse hoje aguardaria mais uns meses para o mandar abater, para dar oportunidade a que os seus habitantes saíssem do ninho. É demasiado fácil decidir o destino de outros à distância, isto na guerra como na jardinagem. Agora é demasiado tarde, os homens vão lá amanhã. Tirando isto, foi um dia perfeito. E o futuro parece neste momento que está tão distante.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Enquanto esperamos pela entrega do take-away para o jantar vou dar um pequeno passeio com os meus filhos e reparo como a minha filha está vaidosa, apesar de ter apenas onze anos. Penso que em breve deixará de ser a minha bebé e que o último dia em que lhe pego ao colo pode já acontecido. E ambos começam a querer contar coisas, partilhar acontecimentos e ideias comigo, a contar o que têm visto e o que têm feito. Como se o passeio se tornasse num catalizador de partilha. São estes inesperados parentesis nas obrigações do dia a dia que proporcionam verdadeiros momentos de usufruto do tempo em que estamos juntos e nada mais. A felicidade é apenas isto.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estar reclinado no sofá com os dois filhos encostados a mim, um de cada lado, cada um sobre um dos meus braços, a cabeça nos meus ombros e com as suas pernas sobre mim. Eles serenamente veem televisão e eu, simplesmente, desfruto da sua existência. Por uns momentos não há nada mais importante na vida, não há preocupações, não há urgências, não há horários, não há tarefas por fazer. Naquele momento estamos simplesmente juntos, a usufruir da presença da cada um. 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Conduzir a mota numa manhã fresca de Primavera a caminho do trabalho, sentir o ar frio e a leve trepidação do motor a acordar o corpo, e desejar subitamente que a distância fosse maior, querer continuar sem destino, por estradas rurais, sentir a paisagem passar por nós, como se nós fossemos parte dela. Também no imaginário se pode ser feliz.

Autoria e outros dados (tags, etc)

Regar as roseiras, em paz com o tempo, de calções e chinelos, num fim de tarde com um pôr-do-sol vermelho fogo, sentir a água molhar-nos os pés e, naquele momento, nada mais ser importante.

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Estar deitado junto à piscina a sentir o calor ameno de um fim de tarde de um dia escaldante a ver os voos alegres e rodopiantes das andorinhas que, ocasionalmente, faziam voos rasantes à piscina para beber água. Em paz com o tempo.

Autoria e outros dados (tags, etc)


Mais sobre mim

foto do autor



Links

  •  

  • Arquivo

    1. 2017
    2. J
    3. F
    4. M
    5. A
    6. M
    7. J
    8. J
    9. A
    10. S
    11. O
    12. N
    13. D
    14. 2016
    15. J
    16. F
    17. M
    18. A
    19. M
    20. J
    21. J
    22. A
    23. S
    24. O
    25. N
    26. D
    27. 2015
    28. J
    29. F
    30. M
    31. A
    32. M
    33. J
    34. J
    35. A
    36. S
    37. O
    38. N
    39. D