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Quem não tem o dom a fé tem que enfrentar algo que os crentes têm dificuldade em perceber: é a total ausência do conforto que nos momentos difíceis a crença em algo superior e interventivo, num desígnio ao qual podemos recorrer perante a pequenez e o sem sentido da nossa existência. Simplesmente, não ter a possibilidade de rezar a algo que nos possa ajudar perante a nossa incompreensão pelo que nos acontece. Ser-se não crente é ter que enfrentar a crueza do nosso destino sozinhos, na nossa insignificância. Sem templos, sem rituais, sem ter a quem rezar.

 

Isto a propósito de o Papa Francisco ter criticado recentemente alguns membros da Igreja Católica afirmando que é melhor ser ateu do que um dos “muitos católicos" que considera levarem uma vida dupla hipócrita. Esta afirmação é corajosa por colocar os holofotes num certo tipo de crença de conveniência, em que apenas se recorre a Deus quando nos dá jeito, em momentos de dificuldade. Mas seria mais corajosa, e mais correta, se não estivesse na afirmação implícito que ser-se crente é também uma questão de ser-se melhor do que ser-se não crente. A Igreja tem que saber respeitar os não crentes para poder, em consciência, exigir respeito de todos pelas suas crenças. Os juízos morais não dependem da crença de cada um, dependem apenas das suas ações. 

 

 

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