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Mãe, poema visual.png

 

Uma pessoa para amar

É quem nos vai criar

Nunca vais deixar de gostar

Mesmo se nos envergonhar

Mas temos que cuidar porque

Um dia vai-nos deixar

 

A., 11 anos

 

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Para que saibas que tudo tem um porquê

excepto o Universo

ou seja tudo.

 

Catarina Nunes de Almeida, Livro Redondo, Ed. Língua Morta

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Ser, estar

31.05.19

Tudo é vário, temporário, efémero. Nunca somos, sempre estamos

Chico Buarque

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Faz hoje 20 anos que estamos juntos. Partilhámos momentos de felicidade total, mas também lutámos contra ventos, chuvas, frio e calor. Dentro do capacete, aos teus comandos, meditei, perspetivei a vida, filosofei, senti-me apaixonado, sorri e, algumas vezes, também chorei. Fiz viagens com o meu amor.  Ganhei incontáveis horas de vida no inferno do trânsito e estacionamento da cidade, uma verdadeira máquina de fazer tempo. Atrevo-me a afirmar, por inverosímil que pareça, que tal como  nos casais antigos, o tempo deu-nos personalidades semelhantes. O homem adaptou-se à máquina e a máquina ao homem. De uma coisa tenho a certeza: sem a mota eu não seria a mesma pessoa.

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Viver devagar

27.05.19

Vivemos numa era onde tudo acontece depressa. Construímos máquinas para fazer mais depressa, que aceleram o nosso tempo, mas esquecemos que nós, seres humanos, surgimos e evoluímos de forma extremamente lenta. Nós somos seres de um tempo em que tudo era extremamente mais lento. E hoje, na pressão de acompanhar a velocidade das máquinas que construímos, estamos a deixar que se perca a nossa verdadeira essência.

 

Somos permanentemente empurrados para a frente, num desequilíbrio constante em direção ao futuro, esquecendo de que o único que nós temos é somente o momento. Em cada instante pensamos no que vamos fazer a seguir, tentamos fazer várias coisas ao mesmo tempo, geralmente nenhuma bem, fazemos sempre o que é urgente e nunca o que é importante e, muitas vezes, esquecemo-nos de pensar antes de fazer.

 

O tempo passa por nós depressa, demasiado depressa, estamos sempre a tentar chegar a um destino, esquecendo que a vida não é um destino, é uma viagem. Já devíamos há muito saber que, muito mais importante que a velocidade, é a direção.

 

A Esporão, uma empresa alentejana de produção de vinho (em que o tempo é ingrediente fundamental da sua produção) fez uma campanha publicitária para promoção do “slow living”. Deixo aqui o texto associado a esta campanha.

 

MANIFESTO

 

Vivemos no tempo da pressa. Crescemos depressa. Trabalhamos depressa.

Comemos, bebemos, dormimos depressa.

Esquecemos depressa o que vemos depressa. E quando lemos, lemos depressa.

Amamos depressa. Fartamos depressa. E quando não enviamos emojis, escrevemos dprs.

Depressa não é para a frente. É só… urgente.

Depressa é à pressa.

 

Nós somos da terra do devagar.

Devagar tem outro sabor. Devagar é melhor.

Devagar tem respeito.

Devagar é um talento, e vai longe.

Sim, vivemos no tempo da pressa.

Mas se tudo o que fizermos for para ontem, o que acontece a hoje e ao amanhã?

 

Há várias maneiras de andar para a frente. Esta é a nossa.

 

www.maisdevagar.pt.

 

 

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A beleza da rosa

29.04.19

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A beleza que vemos numa rosa tem a sua primeira origem nas raízes da roseira, que nos são invisíveis. Tal como na rosa, a beleza que vemos num ser humano tem também raiz no que nos é invisível aos olhos: o passado, as experiências, as memórias, os sofrimentos, as alegrias. Infinitos acontecimentos que, de forma misteriosa, se tornam visíveis na alquimia que transforma o invisível em beleza.

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Dia da Liberdade

26.04.19

 

pensei 
que a liberdade vinha com a idade
depois pensei
que a liberdade vinha com o tempo 
depois pensei 
que a liberdade vinha com o dinheiro
depois pensei 
que a liberdade vinha com o poder
depois percebi 
que a liberdade não vem
não é coisa que lhe aconteça
terei sempre de ir eu


Sónia Balacó

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estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram 
flores novas na terra do jardim, quero dizer 
que estás bonita. 

entro na casa, entro no quarto, abro o armário, 
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio 
de ouro. 

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como 
se tocasse a pele do teu pescoço. 

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim. 

estás tão bonita hoje. 

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios. 

estás dentro de algo que está dentro de todas as 
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever 
a beleza. 

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios. 

de encontro ao silêncio, dentro do mundo, 
estás tão bonita é aquilo que quero dizer. 

 

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão" 

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DSC_0159 (2).JPG

 

A felicidade, enquanto estado de momento, é algo inalcançável. Tal como o horizonte, quanto mais caminhamos em sua direção mais de afasta. Isto é evidente, não fosse a tragedia de nestes tempos de consumismos sermos permanentemente, e desde da mais tenra infância, inundados com o conceito de que a felicidade é algo que se pode obter, principalmente se custar dinheiro e der lucro a alguém. É curioso como é rara a revolta quando, neste comércio da felicidade, não se obtém o resultado pretendido e se exige a devolução do dinheiro gasto no perfume caríssimo, no automóvel exclusivo, nas férias exóticas ou no telemóvel topo-de-gama, depois de verificar que a sua aquisição não o nos deixou nem um milímetro mais perto de atingir a felicidade. Não se exige a devolução porque, no que diz respeito à felicidade, o importante é que exista esperança de a atingir. Enquanto houver esperança de um dia chegarmos à felicidade somos, de uma certa maneira, felizes.

 

Mas a realidade é diferente e a felicidade não é uma emoção de momento. Emoções de momento são a alegria ou o bem-estar. A felicidade é algo de mais difuso, um permanente ruído de fundo, que não se atinge atirando dinheiro para cima da nossa vida. É um subproduto de uma vida vivida da forma correta, nada mais. É o resultado de um esforço, não para se ser feliz, mas de viver a vida da melhor maneira possível. A felicidade, tal como o amor, não se procura nem se compra, acontece-nos se tivermos a sorte e a arte para a merecer.

 

Livro: A Arte da Vida, Zygmunt Bauman, Edição: Relógio D'Água

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Dia das mentiras

01.04.19

A homenagem é mais que merecida: é a mentira que faz a humanidade. A capacidade humana que decididamente torna o Homem diferente do resto da natureza é a capacidade de mentir, portanto, a estranha faculdade de pensar e de acreditar no que não existe. E foi assim que a criatura se tornou em criador.

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