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Ouvir o Universo

19.06.18

A meditação consiste em silenciar a mente para, no silêncio, nos ser possível compreender o que é inefável. É no silêncio que se ouve o murmúrio dos deuses, que se escuta o Universo. E nós somos também o Universo. A oração, seja a qual for o deus a que se reza, é falar com o Universo. Na oração não evitamos cair na armadilha da inefabilidade dos limites da linguagem, orar é limitar e excluir. A verdade, em toda a sua plenitude, emerge do silêncio.

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Inefável

18.06.18

O conceito de inefável, aquilo que não se consegue exprimir por palavras, encerra em si a ideia que existem experiencias, sensações ou sentimentos que são demasiado grandes para as limitações que a linguagem nos impõe. Um pensamento é algo (não sabemos bem o quê) que nasce já formatado pelas regras da linguagem. Inefável é portanto uma palavra paradoxal, que tenta exprimir que há algo que as palavras não conseguem descrever. O pensar e o dizer consituem uma simplificação grosseira da realidade para que encaixe no molde da linguagem. É reduzir a complexidade do Universo à nossa capacidade. E neste sentido, tudo é inefável, poderão é existir graus distintos de perda de qualidade na passagem oe sentimento a pensamento e depois, eventualmente, a palavra.

 

A arte, nas suas diversas formas, é a melhor fuga à inefabilidade ao nosso alcance e a poesia é uma tentativa de utilizar as palavras para nos aproximar um pouco do que é inefável. E, como não, foi um poeta que soube explicar melhor do que se trata:

Sentir é compreender. Pensar é errar.

[…]

Pensar é limitar. Raciocinar é excluir. Há muito que é bom pensar, porque há muito que é bom limitar e excluir.

 

Páginas Íntimas e de Auto-Interpretação, Fernando Pessoa, 1916

 

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Silêncios

15.06.18

O silêncio é habitualmente entendido como a ausência de som ambiente. Ou o silêncio de quem renuncia a falar. Mas o silêncio mais importante é o silêncio da mente.  Manter a mente calma, ordenada, no presente, sem a cacofonia caótica de pensamentos, sentimentos ou imagens, é a forma de silêncio mais fundamental.

 

Sara Maitland, O livro do silêncio

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A adolescência é um período difícil, o parto de uma personalidade nunca é indolor. Se consigo sentir empatia pelo adolescente, neste caso a minha filha, por eu já o ter sido, já no papel de pai de um adolescente é uma estreia absoluta para mim. E descubro que a adolescência é difícil, talvez em igual grau, também para o progenitor. É sentir que o que foi até ao momento uma espécie de extensão de nós próprios num outro corpo, está agora a ganhar a sua personalidade, autonomia, a querer deixar de ser definitivamente parte de nós. É, obviamente, um processo saudável e necessário mas doloroso, com erros difíceis de evitar, incompreensões mútuas e confrontos inevitáveis. Um segundo nascimento de onde surgirá, espero, uma personalidade forte, completa e com boas fundações, com o que é preciso para usufruir o melhor possível desta pequena viagem que é a vida. Assim o desejo.

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Medos

08.06.18

Quando a vida assusta e o que acontece está para além da nossa dimensão, minúsculo no olho da tempestade, uma criança num mundo incompreensível de adultos, perdido e sem ter a quem rezar, sinto-me regressar ao meu quarto de infãncia quando, no escuro, me assustava profundamente com o medo da morte, da ausência, do nada. Agora em adulto os medos são outros, não da morte, mas da própria vida, e do que ela nos reserva.

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a alegria: um pequeno desencanto da morte

 

Rui Nunes, Ofício de Vésperas

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A Procissão

25.05.18

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Mesmo quem não beneficia do dom da fé necessita de rituais. Momentos em que demonstramos a nossa humildade perante algo nos é superior, que pode ser um Deus, para uns, ou o Universo, para outros. Independentemente de fé de cada um, todos se unem em redor da insignificância do que somos e da impotência perante o sofrimento. Sobre o nosso destino nada podemos fazer e reconhecê-lo é uma forma singela de renovar a esperança na vida.

 

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O livro “Elogio da Lentidão” de Lamberto Maffei é um alerta para os impactos sobre a nossa espécie das alterações recentes na nossa forma de viver. Na natureza o tempo é circular: o ciclo do dia, as estações do ano ou, talvez mesmo, o tecido do espaço-tempo de que construído o nosso Universo. Desde dos primórdios que os nosso antepassados viveram de acordo com os ciclos da natureza e num mundo de evolução lenta. Com o abandono, historicamente muito recente, do contacto da maioria da humanidade com a natureza, o tempo tornou-se linear para uma parte substancial da nossa espécie. A evolução tecnológica acelerou o tempo linear exponencialmente, numa geração a sociedade mudou mais do que em vários séculos que nos antecederam. Agora exige-se que tudo seja rápido, comunicação imediata à escala planetária e o sucesso tornou-se sinónimo de ação, velocidade e ocupação. Como consequência, tudo se tornou superficial, a pressa deixou-nos a viver na espuma dos acontecimentos.

 

O nosso cérebro evoluiu ao longo dos tempos num mundo de tempo circular e de mudança lenta. Há algumas decisões do cérebro que necessitam de tempo para se decantarem, há memórias que só registaremos se vivermos de forma lenta, há pensamentos que só teremos se pensarmos com tempo e paciência.  O tempo linear acelerado em que vivemos está a afetar as nossas memorias, os nossos pensamentos e os nossos sentimentos. Está alterar o Homem, enquanto espécie.

 

O que sinto profundamente, é que nos está a impedir de usufruir do tempo, de forma plena e sem ansiedade. Só a lentidão nos permitirá estar em paz de espírito com o tempo que passa.

 

Livro: Elogio da Lentidão, Lamberto Maffei

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The Laughing Heart

 

your life is your life
don’t let it be clubbed into dank submission.
be on the watch.
there are ways out.
there is light somewhere.
it may not be much light but
it beats the darkness.
be on the watch.
the gods will offer you chances.
know them.
take them.
you can’t beat death but
you can beat death in life, sometimes.
and the more often you learn to do it,
the more light there will be.
your life is your life.
know it while you have it.
you are marvelous
the gods wait to delight
in you.

 

Charles Bukowski

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Aquele dia estava maravilhoso. Um Sol aconchegante, brisa fresca, céu de azul claro e infinito, luz leve e transparente. Senti-me nesse momento invadido por uma sensação de felicidade e de prazer de viver. Mas foi apenas um instante pois, quase de de imediato, senti um profundo aperto no coração. Sabia que esse momento não iria durar para sempre e que nuvens escuras irão ensombrar o futuro. É “o aperto doloroso por fazer sentir tudo aquilo de que vai sentir falta” a que se refere Cláudio Magris. Naquele momento senti de forma clara e abrupta o peso de perder a vida tal como era naquele instante. 

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