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Serra de Sintra, 2018

 

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Por mais que tente manter-me no presente sou regularmente assombrado por fugazes fantasmas do futuro. O futuro, no que ele encerra para o fim do que hoje existe, é uma sombra constante sobre o presente. Não quero saber do que está para lá da curva, quero manter-me no presente, mas o que está para lá da curva, seja o que for,  já começa a lançar as suas sombras sobre o caminho. O que não ainda não existe, o imaginário mas inevitável futuro, é hoje o que de mais concreto tenho nos meus dias. 

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Certeza é uma palavra sem beleza

Conforme o tom que nela se coloca;

Dúvida: eis a palavra que convoca

Beleza com certeza.

 

António Barahona, OCARINA

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O conceito de sucesso que nos é incutido desde o berço é baseado no consumo, em ter mais que os outros e, acima de tudo, em todos acharem que têm o direito a tê-lo. Vivemos numa sociedade formatada para o consumismo. A vida de sucesso é-nos apresentada como tendo que ser uma sucessão de prazeres, e tudo o que esteja aquém deste objetivo inexistente é pouco. É uma sociedade de adultos infantilizados. O meu receio é que a gerações mais novas, cuja bitola se rege pelo que vêm nas “redes sociais” sejam ainda casos mais extremos deste conceito do que é ser-se feliz, profundamente perigoso a longo prazo para o bem-estar espiritual de cada um. Portanto, lembrar que a vida e a felicidade exigem sacrifício e dor, que nenhum de nós é especial nem o centro do universo e que o sentido da vida está em sabermos escolher aquilo por que queremos sofrer, em vez de ser escolher o que queremos ter, pode parecer demasiadamente óbvio mas talvez seja mesmo necessário. O título e a linguagem em que está escrito dão um ar leve ao texto, mas as questões são importantes.

 

No entanto, é tarefa inútil. Como aqueles vídeos ou textos inspiradores colocados nas a transmitir que a verdadeira vida está fora das “redes sociais”. Para quem os entende não são verdadeiramente úteis, para os outros, que concordam num aceno breve de admiração e os partilham de imediato com os seus “amigos” passando logo a atenção para os posts que se seguem e são de imediatos esquecidos.

 

Livro:  “A Arte Subtil de Saber Dizer que se F*da”,  Mark Manson (Desassossego)

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Outono

10.10.18

Vitória da Natureza.jpg

 

Autumn is more the season of the soul than of nature.

 

Nietzsche

 

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Perante o indizível, o sentimento mantém-se puro, incontaminado pela palavra.  Mas o sentimento tem o tropismo de escapar de dentro de nós, como o ar que procura a baixa pressão, “há um aperto doloroso, que nos faz sentir tudo aquilo que sentimos falta” (Cláudio Magris, Instantâneos). A palavra liberta o sentimento, sim, mas transforma-o numa sombra da sua essência. Para libertar o sentimento mantendo-o puro as lágrimas são a solução (uma lágrima é a essência pura do sentimento). Isto se eu o conseguir...

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Sendo a vida um entre nadas, entre dois nadas distintos, ela é também um outro nada. Nada somos para além de uma breve centelha de auto-consciência num Universo que nos ignora. Somos um nada entre dois nadas. Mas este nada que somos é distinto do nada de antes de existirmos e do nada do depois de existirmos. É um nada que é tudo o que temos. É um nada que é tudo.

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Entre dois nadas

02.10.18

O filósofo Michel Onfray define a vida como aquilo que acontece entre dois nadas. O nada que somos antes de nascer e o nada que somos depois de morrer.

 

Mas acrescento que existe uma ligeira diferença entre o “nada” do antes de nascer e o “nada” do depois de morrer. Antes de nascer somos o nada absoluto, é a não existência total. Nem uma ideia somos. O que é hoje quem ainda nem foi concebido? Depois de morrer somos um nada físico, mas com uma pegada no mundo, que é a nossa obra e a memória dos sobreviventes. É uma pegada efémera que lentamente desaparece, como a pegada na areia da praia batida pelo vento. Mas mesmo após o esquecimento total nunca regressaremos ao nada absoluto, algo ficou, a nossa insignificante vida muda inevitavelmente o mundo. Basta ter pegado numa pedra e tê-la atirado para longe, para já nunca mais regressar ao nada absoluto. O mundo mudou. A nova localização da pedra, que só aconteceu por eu ter existido, é o que me impede de regressar ao nada absoluto.  

 

Mas quem teve descendência deixa uma marca mais permanente: os seus genes. Posso nada saber do meu antepassado caçador-recolector que viveu algures há milhares de anos, mas carrego comigo a sua herança genética. Esse nada a que regressou o meu antepassado não é o mesmo nada de onde surgiu.

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Céus de Outono

01.10.18

DSC_1231 (1).JPG

 

Lisboa, 2018

 

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O Poema

26.09.18

 

O poema é antes de tudo um inuntensílio.
Hora de iniciar algum
convém se vestir roupa de trapo.
Há quem se jogue debaixo de carro
nos primeiros instantes.
Faz bem uma janela aberta
uma veia aberta.
Pra mim é uma coisa que serve de nada o poema
enquanto vida houver.
Ninguém é pai de um poema sem morrer.

 

 

Manoel de Barros

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