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Alquimia do medo

14.08.18

Colocados em frente ao incompreensível e à aridez da injustiça, soubeste hoje ter a coragem de enfrentar o destino e a sabedoria de manusear a alquimia do medo para, com cruéis ingredientes, recriar algo de verdadeiramente imortal: o amor

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O que provavelmente mais surpreende quem se inicia na meditação e mindfullness é adquirir a consciência de que existe uma clara distinção entre o que é a nossa voz interior, os nossos pensamentos e emoções, e o “eu”. Conhecer esta distinção entre a mente e o “eu” é fundamental para que sejamos nós a controlar a nossa mente e não o inverso. Só é possível conseguirmos caminhar na direção do silêncio interior e da calma emocional se for o “eu” a controlar a mente. Posto isto, para mim a tarefa de dominar a nossa voz interior, os desvaneios inúteis da mente que subjugam a cada instante o “eu”, é difícil e permanente. É preciso estar atento à nossa mente, pois é precisamente os momentos difíceis, quando mais precisamos do nosso eu, que a mente se torna incontrolável.

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kind of blue, miles davis.jpg

 

Se tivesse que escolher um único disco para representar o jazz, só poderia ser Kind of Blue de Miles. Editado em 1959, Kind of Blue foi um dos álbuns de jazz com maior sucesso de sempre. Para mim, representa a súmula do sentimento que só o jazz consegue transmitir e é um porto de abrigo seguro para dias melancólicos e introspetivos.

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Terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo.

 

Mal de te amar neste lugar de imperfeição

Onde tudo nos quebra e emudece

Onde tudo nos mente e nos separa

 

 

Sophia de Mello Breyner Andresen

 

 

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Se há algo que angústia é ter a consciência de não se estar a aproveitar em plenitude a existência Conseguir extrair o prazer da existência, estar em paz com o tempo que passa, é a essência da sublime estética da arte de viver, que nem sempre, por culpa própria ou das circunstâncias, está ao nosso alcance. É terrível a melancolia gerada pela consciência que o tempo avança irreversível, que cada oportunidade desperdiçada de prazer, intelectual, emocional ou físico, é uma oportunidade para sempre perdida, definitivamente irrepetível. Se pecados existem, o maior deles é desperdiçar um minuto que seja da extrema improbabilidade de estarmos vivos e conscientes. Afinal, como referiu a famosa socialite,  “estar vivo é o contrário de estar morto” e é importante nunca o esquecer enquanto estivermos vivos.

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Para ser grande, sê inteiro: nada

        Teu exagera ou exclui.

Sê todo em cada coisa. Põe quanto és

        No mínimo que fazes.

Assim em cada lago a lua toda

        Brilha, porque alta vive.

 

Ricardo Reis

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Visitar um cemitério é uma forma imediata de, simultaneamente,  diminuir e aumentar a importância que nos atribuímos. Perante os outros em que uma vida está agora reduzida a um nome e duas datas gravados numa pedra, vemos que a importância do que somos é nada: em breve seremos também apenas uma memória que lentamente se irá desvanecer do mundo até ao olvido completo. Só que, perante a insignificância final da nossa existência temos de ser nós a garantir que atribuímos a importância suprema de cada instante em que estamos vivos e junto de quem amamos. Desperdiçar um segundo que seja é ridículo. Somos um breve e improvável raio de vida, tudo é importante enquanto estamos vivos. De resto, nada mais é importante.

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DSC_1131.JPG

 Águeda, 2018

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Franco Berardi, filósofo italiano, afirma: “A solidariedade é a maior ameaça para o capitalismo financeiro. A solidariedade é o lado político da empatia, do prazer de estarmos juntos. E quando as pessoas gostam mais de estar juntas do que de competir entre si, isso significa que o capitalismo financeiro está condenado. Daí que a dimensão da empatia, da amizade, esteja a ser destruída pelo capitalismo financeiro”.

 

Adiciono aos pecados contra o capitalismo financeiro, a verdadeira religião da nossa sociedade, a capacidade de se ser feliz. A sociedade de consumo incute-nos desde criança o mito de que necessitamos de consumir, de ter mais, para sermos felizes e bem sucedidos. Na doutrina do capitalismo financeiro o sucesso é equivalente a riqueza. Sabemos no entanto que a felicidade não tem qualquer relação com a riqueza que possuímos. Considerar a nossa forma de vida não é uma competição louca com o que os outros é um forte suporte para uma vida com personalidade, equilibrada e feliz. E uma heresia para o capitalismo.

 

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“O Livro do Silêncio”, de Sara Maitland, descreve o percurso da autora em direção a uma vida de silencio. A palavra silêncio define coisas bem diferentes. Existe o silêncio exterior, que é essencialmente a ausência de ruído, e pode não ser o silêncio absoluto (por exemplo, silêncio também pode ser o som das ondas à beira mar, o chilrear dos pássaros num pomar, o vento nas folhas das árvores de um bosque, ou uma música tranquila). Existe o silêncio da ausência de falar, de vivermos calados, o silêncio da solidão e do isolamento. E finalmente, e para mim o fundamental, existe o silencio da nossa mente, os pensamentos tranquilos, a calma mental que permite ser o “eu” a controlar a mente e não o inverso. São formas distintas de silêncio mas que estão interligadas, a ausência de uma delas prejudica a obtenção das outras. A autora procura o silêncio por dois motivos: motivos religiosos e motivos criativos. E é curioso como conclui que estas são formas quase antagónicas de silêncio, com efeitos no ego muito diferentes. Curioso também é a relação íntima que existe entre a paisagem e o silêncio e as suas consequências íntimas: o silêncio da montanha é diferente do silêncio do deserto, da charneca ou do bosque.

 

Pessoalmente quando procuro o silêncio é esencialmente como forma de tranquilizar a mente, de reduzir a velocidade dos acontecimentos, diminuir os níveis de ansiedade, conseguir profundidade de pensamento e de sentir o fluir do tempo. Nestes tempos agitados e de ruído, em que tudo é superficial e se salta constantemente de distração em distração, procurar o silêncio torna-se fundamental para não sermos engolidos numa voragem autofágica.

 

Livro: O Livro do Silêncio, Sara Maitland

 

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