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O calor e o azul dos dias belos faz sentir mais a falta de quem nos faz mais falta.

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Perdoar

14.08.19

 

- Temos de perdoar Deus – disse o mendigo para Clementine – É isso que faço quando vou à igreja, perdoar Deus

 

Afonso Cruz, “Nem todas as baleias voam”

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Ver devagar

23.06.19

Aquilo que consideramos que é um pensamento não é algo que possa ser definido, a complexidade do nosso cérebro estará muito para além da nossa capacidade de o entender. Mas, de uma forma simplista, podemos dizer que existem diferentes tipos de pensamento consciente: sentimentos, imagens, pensamento rápido e pensamento lento.

O pensamento rápido são as nossas reações por instinto, as decisões que fazemos sem racionalizar, de imediato ou de reação. Este é o tipo de pensamento que nos permitiu sobreviver enquanto espécie durante milhares de anos e que hoje é a base da sociedade de consumo. O bom cidadão, nesta sociedade, compra por instinto para satisfazer emoções imediatas.

O pensamento lento trata-se de todo o pensamento que exige uma racionalização, uma sequência de ideias de causa efeito. A linguagem é a estrutura inseparável do pensamento lento.  É este pensamento que nos permite a religião, o inventar, o criar e que nos permitiu transformar-nos de criatura em criador.

No livro "Elogio da palavra" o seu autor, Lamberto Maffei, elabora sobre a diferença entre o olhar e o ver.  O ver consiste na interpretação que cada um faz do que recebemos quando olhamos. O ver, a interpretação, para ser o mais produtiva possível recorre ao pensamento lento. O que vemos é algo de muito pessoal, que depende não só do que somos geneticamente mas também do nosso passado, do que aprendemos ao longo da vida, da nossa forma de viver e da nossa linguagem (na medida de que o pensamento lento é inseparável da linguagem). Numa frase, pode resumir-se ao seguinte: quem sabe mais vê mais.

Por este motivo é especialmente fustrante quando olhamos e não conseguimos ver.  Esquecemo-nos de utilizar o pensamento lento e vemos com o pensamento rápido. É um erro comum nestes tempos. Mas é sempre uma falha nossa, muito pessoal. Quem quer crescer tem também que aprender a ver mais devagar para ver mais.

 

Livro: "Elogio da palavra", Lamberto Maffei, Edições 70

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Na hora de pôr a mesa, éramos cinco: 
o meu pai, a minha mãe, as minhas irmãs 
e eu. depois, a minha irmã mais velha 
casou-se. depois, a minha irmã mais nova 
casou-se. depois, o meu pai morreu. hoje, 
na hora de pôr a mesa, somos cinco, 
menos a minha irmã mais velha que está 
na casa dela, menos a minha irmã mais 
nova que está na casa dela, menos o meu 
pai, menos a minha mãe viúva. cada um 
deles é um lugar vazio nesta mesa onde 
como sozinho. mas irão estar sempre aqui. 
na hora de pôr a mesa, seremos sempre cinco. 
enquanto um de nós estiver vivo, seremos 
sempre cinco. 

José Luís Peixoto, 'A Criança em Ruínas' 

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Mãe, poema visual.png

 

Uma pessoa para amar

É quem nos vai criar

Nunca vais deixar de gostar

Mesmo se nos envergonhar

Mas temos que cuidar porque

Um dia vai-nos deixar

 

A., 11 anos

 

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Para que saibas que tudo tem um porquê

excepto o Universo

ou seja tudo.

 

Catarina Nunes de Almeida, Livro Redondo, Ed. Língua Morta

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Ser, estar

31.05.19

Tudo é vário, temporário, efémero. Nunca somos, sempre estamos

Chico Buarque

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DSC_1353.JPG

Faz hoje 20 anos que estamos juntos. Partilhámos momentos de felicidade total, mas também lutámos contra ventos, chuvas, frio e calor. Dentro do capacete, aos teus comandos, meditei, perspetivei a vida, filosofei, senti-me apaixonado, sorri e, algumas vezes, também chorei. Fiz viagens com o meu amor.  Ganhei incontáveis horas de vida no inferno do trânsito e estacionamento da cidade, uma verdadeira máquina de fazer tempo. Atrevo-me a afirmar, por inverosímil que pareça, que tal como  nos casais antigos, o tempo deu-nos personalidades semelhantes. O homem adaptou-se à máquina e a máquina ao homem. De uma coisa tenho a certeza: sem a mota eu não seria a mesma pessoa.

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Viver devagar

27.05.19

Vivemos numa era onde tudo acontece depressa. Construímos máquinas para fazer mais depressa, que aceleram o nosso tempo, mas esquecemos que nós, seres humanos, surgimos e evoluímos de forma extremamente lenta. Nós somos seres de um tempo em que tudo era extremamente mais lento. E hoje, na pressão de acompanhar a velocidade das máquinas que construímos, estamos a deixar que se perca a nossa verdadeira essência.

 

Somos permanentemente empurrados para a frente, num desequilíbrio constante em direção ao futuro, esquecendo de que o único que nós temos é somente o momento. Em cada instante pensamos no que vamos fazer a seguir, tentamos fazer várias coisas ao mesmo tempo, geralmente nenhuma bem, fazemos sempre o que é urgente e nunca o que é importante e, muitas vezes, esquecemo-nos de pensar antes de fazer.

 

O tempo passa por nós depressa, demasiado depressa, estamos sempre a tentar chegar a um destino, esquecendo que a vida não é um destino, é uma viagem. Já devíamos há muito saber que, muito mais importante que a velocidade, é a direção.

 

A Esporão, uma empresa alentejana de produção de vinho (em que o tempo é ingrediente fundamental da sua produção) fez uma campanha publicitária para promoção do “slow living”. Deixo aqui o texto associado a esta campanha.

 

MANIFESTO

 

Vivemos no tempo da pressa. Crescemos depressa. Trabalhamos depressa.

Comemos, bebemos, dormimos depressa.

Esquecemos depressa o que vemos depressa. E quando lemos, lemos depressa.

Amamos depressa. Fartamos depressa. E quando não enviamos emojis, escrevemos dprs.

Depressa não é para a frente. É só… urgente.

Depressa é à pressa.

 

Nós somos da terra do devagar.

Devagar tem outro sabor. Devagar é melhor.

Devagar tem respeito.

Devagar é um talento, e vai longe.

Sim, vivemos no tempo da pressa.

Mas se tudo o que fizermos for para ontem, o que acontece a hoje e ao amanhã?

 

Há várias maneiras de andar para a frente. Esta é a nossa.

 

www.maisdevagar.pt.

 

 

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A beleza da rosa

29.04.19

DSC_1406.JPG

 

A beleza que vemos numa rosa tem a sua primeira origem nas raízes da roseira, que nos são invisíveis. Tal como na rosa, a beleza que vemos num ser humano tem também raiz no que nos é invisível aos olhos: o passado, as experiências, as memórias, os sofrimentos, as alegrias. Infinitos acontecimentos que, de forma misteriosa, se tornam visíveis na alquimia que transforma o invisível em beleza.

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