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Um dia ao abrir uma caixa com um cadeado de PC encontrei um pequeno papel impresso com a seguinte mensagem:

 

I had a dream.

Some time ago I had a dream in my sleep.
I dreamt that I was shipping millions of boxes around the world
(which is exactly what my company Sweex is doing).
And in spire of useful products in them,
I experienced an empty feeling in myself.
I sat with the dream for a while and pondered over it.
Then I realized - I needed to fill the boxes with my wish for you.

Here is the content:

"Dear receiver of the box, from the bottom of my heart
I wish you a life full of happiness, peace and wellbeing"

Now the boxes are full.

Leon
Founder and owner of Sweex

 

Foi surpreendente e reconfortante receber esta mensagem de um desconhecido com os votos de uma vida feliz, em paz e bem-estar. Um exemplo de que um pequeno gesto pode fazer a diferença. E todos nós podemos, com pequenos gestos, contribuir para que tudo seja um bocadinho melhor.

 

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Por vezes certos acontecimentos evocam memórias antigas, memórias que há muito estavam perdidas nos misteriosos sotãos cerebrais das recordações. São pequenos detalhes do presente que nos fazem recordar acontecimentos, sentimentos, fugazes imagens há muito perdidos nas profundezas. As memórias assim convocadas à luz do dia por um certo evento, por vezes apenas levemente relacionado com essa memória, são pedaços preciosos de nós próprios que desconheciamos, por estarem esquecidos. Depois desta súbita e inesperada aparição, geralmente essas recordações retornam ao submundo das memórias esquecidas de onde vieram.

 

As memórias esquecidas são pedaços de nós perdidos dentro de nós próprios.O futuro não existe. O presente é um instante. O que nós somos é o nosso passado, as nossas recordações, as nossas íntimas construções mentais. Não é por apenas existirem dentro do nosso cérebro que deixam de ser reais. Não ter memória é não ser nada. E, raramente, quando temos a oportunidade de rever uma memória esquecida estamos perante algo precioso.

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Conversa Interrompida.JPG

 

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A melhor definição de felicidade li-a de um anónimo no sítioHumans of New York, histórias, muitas vezes pungentes, outras vezes inspiradoras, de pessoas encontradas aleatoriamente em Nova Iorque. Explicava este nova-iorquino que tinha sido agente musical e que o espantava as enormes diferenças de felicidade nas pessoas e a sua falta de relação com o seu sucesso. Este assunto intrigou-o de tal forma que se inscreveu na universidade e agora é professor universitário de “ciências da felicidade”. E para ele a felicidade é algo que depende de um conjunto de emoções e condições que para cada pessoa têm um valor diferente. É um painel com vários botões que cada um regula, os nasce regulado, da sua forma muito pessoal. Não há uma forma certa de se ser feliz nem uma forma errada de se ser feliz. Para alguns, a tristeza pode até ser a sua forma de felicidade.

 

“I spent about ten years as a music agent. Along the way, I became very interested in how my clients handled success. Some of them were tremendously successful but quite unhappy. Others seemed quite content with their success. The subject interested me so much that I went back to school to study the science of happiness, and now I teach the subject at NYU. Happiness doesn’t necessarily mean you have a smile on your face. It’s more of a mixing board with several different dials: positive emotion, engagement, relationships, meaning, and achievement. Everyone’s mixing board is set differently. There’s no one way to be happy and there’s no wrong way to be happy. I may draw my happiness from relationships, while somebody else may need to be constantly engaged in the pursuit of a goal.” 

 

Humans of New York, 5 September 2015

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A evolução tecnológica nas últimas décadas tem alterado a forma de vida e a própria estrutura da sociedade. Esta evolução tem sido vertiginosa e as alterações funcionais na sociedade têm ocorrido a um ritmo sem precedentes na história da Humanidade. Durante dezenas de milhares de anos da história d aHumanidade um Homem nascia, vivia e morria numa sociedade em que nada mudava e em que tudo seria fundamentalmente igual ao mundo onde o seu pai viveu e onde os seus filhos viveriam. Hoje não é assim. Um individuo assiste num prazo de algumas décadas a mudanças profundas que afetam a sua forma de viver e de pensar. Afetam a maneira como entendemos o mundo. Afetam a estrutura do nosso pensamento.

 

Das revoluções tecnológicas recentes a de maior impacto será a internet. E a internet é simplesmente informação, processamento e acessibilidade. Hoje quase toda a informação é registada, de uma forma ou de outra, em formato digital e a capacidade tremenda que existe para processamento dessa informação permite que programas de computador possam conhecer, e prever, aspetos da nossa vida de forma profundamente assustadora. É um medo ancestral, que nos vem das entranhas, quando assistimos a uma pequena máquina, que é apenas um afloramento de uma teia gigantesca invisível, prever o nosso comportamento.

 

Vivemos na era da informação e quase tudo do que somos, do íntimo ao público, fica registado. A evolução tecnológica transformou a noção de privacidade. E algoritmos poderosos garimpam por entre toneladas de entulho de informação pequenas pepitas que, obtidas através da relação de dados de diversas dimensões da nossa vida, reproduzem a essência daquilo que nós somos. As máquinas começam a conhecer-nos melhor que nós próprios.

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Ex Machina

08.09.15

Deverá a criatura amar o criador? Ava não. Ava, a robot (a inteligência tem que ter sexualidade) de Ex Machina odeia o seu criador. E o seu objetivo é fugir, sair da sala que é o único mundo que conhece, apesar de ter acesso a toda a informação do mundo, e finalmente conhecer exterior. Quer ir para um cruzamento ver pessoas a passar.

 

A diferença entre conhecimento e consciência é explicada: uma pessoa pode saber tudo o que existe sobre cores e viver num mundo a preto e branco. Mas só quando consegue sair desse mundo a preto e branco e conhecer as cores é que tem consciência das cores. E Ava que ter consciência do mundo. O objetivo do teste é saber se Ava é simplesmente uma máquina ou se sabe o que é, se tem consciência da sua existência. Há algo no filme que nos insinua a resposta: Ava tem medo de morrer.

 

Para fugir Ava seduz e mata de forma insensível. Terá Ava sentimentos? A inteligência artificial irá certamente produzir sentimentos, mas não podemos assumir que os seus sentimentos, a sua empatia, seja por nós, Humanos, que somos afinal uma outra espécie. Por acaso, temos nós sentimentos pelos nossos parentes mais próximos, os chimpanzés?

 

Ao criar a consciência o Homem transforma-se em Deus, e tal como o Homem matou Deus, um dia para as máquinas os Humanos vão ser arcaicos e dispensáveis. Um fóssil ultrapassado. Não podemos assumir que a criatura não queira ser amo do criador ou que simplesmente lhe sejamos totalmente indiferentes. Esse é o perigo da Inteligência Artificial: que o criatura não tenha sentimentos pelo criador.

 

Filme: Ex Machina, Alex Garland

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There is one thing which gives radiance to everything. It is the idea of something around the corner.

Gilbert Keith Chesterton

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Barcelona,  Lisboa.JPG

 

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Os migrantes

03.09.15

 

Tenho evitado escrever sobre este tema, não há palavras que possam ser escritas que transmitam o drama, é demasiado difícil. É uma reação emocional perante o imediato, de um problema  que se irá manter muito depois de os holofotes mediáticos se virarem para outro tema e estas pessoas ficarem esquecidas. Mas é inevitável pensar agora sobre este holocausto. O drama dos migrantes que, fugindo da guerra, da barbárie, da miséria, da fome, da total falta de expetativas, invadem a Europa. Vêm em busca de uma ténue esperança. Enfrentam viagens impossíveis, perigos inomináveis, fogem de uma vida inviável e procuram algo, que por pouco que seja, sempre é melhor do que o que deixam. Os europeus são confrontados, são agredidos com um murro no estômago, por imagens terríveis de crianças afogadas nas praias da Europa. Crianças que morreram por os seus pais tudo tentarem para que pudessem ter um futuro. Todos nós nos sentimos um pouco culpados por aquela morte. Talvez assim a Europa acorde.

 

Perante este drama a actuação da Europa tem sido miserável. Os países junto à costa do Mediterrâneo e nas fronteiras Ocidentais são deixados à sua sorte, perante a chegada diária de milhares de migrantes. Uns constroem muros, outros recusam-se a receber migrantes, todos parecem desnorteados. É o próprio ideal da construção da União Europeia que está em risco perante esta pressão migrante, perante este drama humanitário em que os ricos da Europa não demonstram solidariedade nem soluções para resolver o problema. A Europa só irá sobreviver se souber estar à altura do que está a acontecer. Se souber acolher e ajudar os que nos procuram e se souber tomar as medidas certas para que quem foge possa ter em sua casa uma esperança de futuro. Até lá, a Europa é uma ténue jangada que perante este naufrágio humanitário pode, também ela, afundar.

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Comércio ético

02.09.15

 

Existe nos países desenvolvidos uma procura crescente por um determinado de produtos designados por produtos éticos ou comércio justo. A motivação que sustenta esta procura é justa e fácil de compreender: há uma camada de população, maioritariamente informada, preocupada ambientalmente e com poder de compra, que tem reservas em comprar bens que na sua cadeia de produção não garantam um comportamento ético. Atitudes como a exploração de produtores agrícolas através da imposição de preços de compra esmagadores, a utilização de mão-de-obra infantil, o não respeito pelos direitos básicos de trabalhadores, o desrespeito pelo meio ambiente na produção ou o abuso de animais são atitudes reprováveis e que ninguém ao comprar um bem fica de consciência tranquila ao saber que não foi escrupulosamente respeitado. Necessariamente estes produtos têm um preço acrescido relativamente a outros produtos equivalentes que não garantem este comportamento justo.

 

De uma maneira geral o consumidor do primeiro mundo mantém uma atitude ambivalente sobres estes aspetos: por um lado sente-se incomodado por saber as condições que seres humanos são sujeitos para fabricar a sua última aquisição, por outro quer adquirir esse bem e ao preço mais baixo possível. Neste sistema consumista o importante é comprar, por isso essas questões são conciente ou inconscientemente ignoradas. Mas está a surgir uma grupo de consumidores que se mostra disposto a pagar mais para lhe permitir fazer um consumo que lhe possibilite manter a consciência tranquila.

 

Ao ver na televisão um programa canadiano sobre investimentos em negócios emergentes, em que se fazia a apresentação de um sitio na internet dedicado a vender exclusivamente bens produzidos com valores éticos, surpreendeu-me a reação emotiva de um dos potenciais investidores. Dizia este investidor que todos as empresas tentam garantir uma produção ética, que não existe qualquer garantia que um produto que se apresenta como ético seja de facto produzido de forma diferente e que o próprio conceito de “produção ética” representa uma mancha na cara do capitalismo, uma afronta a todos os bons consumidores. E neste ponto compreendo a razão do capitalista: a produção ética deveria ser um fundamento de toda e qualquer produção, e a produção não-ética seria um desvio que as regras da concorrência iriam eliminar naturalmente. Mas todos sabemos que o mundo não funciona assim, todos já comprámos bens produzidos à custa da exploração de agricultores, de crianças a trabalhar, de trabalhadores escravos, de fábricas que para produzirem mais barato poluem impunemente o nosso planeta e de animais tratados de forma atroz. Todos sabemos, mas ignoramos, que algumas das grandes marcas mundiais utilizam meios de produção não éticos.

 

O que creio que o capitalista liberal não concordaria é que para existir esta garantia num mundo globalizado implica existirem regras comuns que a “mão invisível” do capitalismo liberal não consegue garantir. Tem que ser garantido o produto à venda obedece a determinados critérios de produção, que sem intervenção de alguma entidade supra-nacional não se conseguem garantir. Essa entidade existe, é a OMC, Organização Mundial do Comércio. E a grande mancha no comércio globalizado regulado pela OMC é que se trata de forma igual duas empresas que produzem com pressupostos totalmente diferentes. E enquanto isto acontecer não existirá comércio justo, que trabalhadores continuarão a ser explorados, que o respeito pelo ambiente será ignorado e que os consumidores que queiram fazer uma compra consciente terão que pagar mais por isso.

 

 

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