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Navalha de Occam

29.02.16

 

O princípio conhecido como a navalha de Occam, atribuído a Guilherme de Occam, um frade inglês do século XIV, estipula o seguinte: 

 

"Se em tudo o mais forem idênticas as várias explicações de um fenómeno, a mais simples é a melhor".

 

Este é um dos fundamentos do método cientifico, que deve sempre considerar em primeiro lugar as explicações mais simples. Tudo o que adicional e que não seja estritamente necessário está a mais e deve ser cortado (e daí vem o termo navalha).

 

Ao longo da história foram vários os filósofos e cientistas a subscrever a importâmcia deste princípio, alguns com formulações bastante interessantes:

 

"Tudo deve ser feito da forma mais simples possível, mas não mais simples que isso", Albert Einstein

 

"A perfeição não é alcançada quando já não há mais nada para adicionar, mas quando já não há mais nada que se possa retirar", Antoine de Saint-Exupéry

 

A fé num Deus é claramente algo que não considera o princípio da navalha de Occam. Considerar a existência de um ente sobre-natural com poderes ilimitados para explicação para o mundo, para o sentido da vida e para o que nos acontece não é certamente a explicação mais simples. Mas perante a maravilhosa complexidade do Universo e a extrema improbabilidade da nossa existência a explicação mais simples seria a não-existência de vida consciente e inteligente. Perante este fenómeno da nossa existência temos o dever de o tentar compreender com base no princípio da navalha de Occam. Porque explicações podemos encontrar infinitas mas acredito que o caminho para a verdade está no método científico.

 

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Descanso, Lisboa

26.02.16

DSC_0249.JPG

 

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Afinal, a melhor maneira de viajar é sentir. 
Sentir tudo de todas as maneiras. 
Sentir tudo excessivamente, 
Porque todas as coisas são, em verdade, excessivas 
E toda a realidade é um excesso, uma violência, 
Uma alucinação extraordinariamente nítida 
Que vivemos todos em comum com a fúria das almas, 
O centro para onde tendem as estranhas forças centrífugas 
Que são as psiques humanas no seu acordo de sentidos. 


(...)

 

Sou um formidável dinamismo obrigado ao equilíbrio 
De estar dentro do meu corpo, de não transbordar da minh'alma. 
Ruge, estoira, vence, quebra, estrondeia, sacode, 
Freme, treme, espuma, venta, viola, explode, 
Perde-te, transcende-te, circunda-te, vive-te, rompe e foge, 
Sê com todo o meu corpo todo o universo e a vida, 
Arde com todo o meu ser todos os lumes e luzes, 
Risca com toda a minha alma todos os relâmpagos e fogos, 
Sobrevive-me em minha vida em todas as direções! 

 

Excerto do poema de Álvaro de Campos, in "Poemas" 

 

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O conceito de justiça, no sentido de algo que nos acontece ser merecido ou imerecido consoante o nosso passado ou o noso comportamento, é uma ficção exclusiva do ser humano. Na natureza e nas leis a física não existe nada equivalente ao justo ou injusto. Os eventos acontecem porque obdecem a determinadas regras e a suas consequências, por mais devastadoras que sejam, nunca são justas ou injustas. Não sei se no reino animal existirá um sentimento semelhante: sentir-se-á um qualuqer animal injustiçado se o seu sofrimento é causado por algo que não culpa sua? Creio que não. Mas no ser humano, desde tenra indade, possuimos este sentimento de que é injusto se algo negativo nos acontece sem que o tenhamos, de alguma forma, merecido. Temos que aceitar o que nos acontece, não vale a pena nutrir sentimentos de justiça ou injustiça, que não passa de uma ficção humana. As coisas simplesmente acontecem.

 

 

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É comum o pensamento de que quem crê em Deus, num Deus paternalista e intervencionista, acredita em qualquer coisa, pois a premissa de fé num Deus intervencionista e omnipotente admite, de facto, que tudo seja possível.

 

Espíritos científicos acreditam somente no que está provado, no que é estritamente necessário para explicar o mundo que nos rodeia. Mas sendo a nossa própria existência, a nossa consciência e a nossa inteligência, algo de tão maravilhosamente improvável porque não acreditar que de facto tudo é possível? Se contra todas as probabilidades nós existimos, o que por si só é extraordinário, então podemos admitir que qualquer coisa será possível.

 

O que distingue o espírito cientifíco é que este acredita somente na medida de que conhecemos e conseguimos explicar. Havendo uma explicação racional não há necessidade de recorrer a outras explicações. Não havendo uma explicação comprovada geralmente deve admitir-se que explicação mais simples e mais provável será a verdadeira, não há argumentos para se recorrer à existência de entidades supra-naturais. Mas a ciência admite milagres (acontecimentos não explicados cientificamente) e mantém o espírito aberto a qualquer explicação.

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Recanto de Luz, Évora.jpg

 

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O mais provável seria que nunca tivesse existido algo. Existindo algo o mais provável é que não resultasse no surgimento da vida. Havendo vida o mais provável é que esta não chegasse a um estágio de consciência. Existindo consciência no Universo o mais provável é que ela não o conseguisse compreender. Mas, contra todas as probabilidades, existe vida consciente que consegue compreender o Universo. É o criador e a criatura num só. Qual o seria sentido de isto tudo se, em algum momento, não existisse alguém capaz de o aplaudir?

 

Os 15 mil milhões de anos de evolução após a grande explosão não teriam qualquer sentido se não tivesse resultado na existência da consciência e na capacidade de entender, e admirar, esta improvável e magnífica obra que é o Universo.

 

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A película vê-se a si própria sentada na sala

 

Jostein Gaarder, "Maya - O romance da criação", Manifesto, 6 de Ouros, sobre o facto de o Homem, resultado do Universo, estar a conhecer o Universo

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Existe um mundo. Em termos de probabilidade, é algo que raia os limites do impossível. Teria sido muito mais fidedigno se casualmente não tivesse existido nada. Nesse caso, ninguém se teria posto a questionar porque não havia nada.

 

Jostein Gaarder, "Maya - O romance da criação", Manifesto, Às de Paus

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Sendo o ser Humano um resultado do Universo, uma consequência da grande explosão que ocorreu há cerca de 15 mil milhões de anos que esteve na origem de tudo o que existe neste Universo, a nossa capacidade para compreender o seu funcionamento, a sua origem, entender as leis da física que o regem e prever o futuro do Universo não é na realidade mais do que o próprio Universo a conhecer-se a si mesmo.

 

Nós somos um produto do Universo que conseguiu evoluir o suficiente para compreender as entranhas da sua forma de funcionar e os detalhes da sua própria origem. Nós não somos só resultado da história do Universo, somos o próprio Universo. Estivemos presentes nesse momento inicial há 15 mil milhões de anos e estamos agora a detetar e compreender as ondas gravitacionais de fenómenos que ocorreram em locais extremamente longínquos.

 

No livro de Jostein Gaarder "Maya - O Romance da criação" o autor refere: "O aplauso à grande explosão teve de esperar 15 mil milhões de anos para se ouvir".  Que isto dizer que o objetivo da grande explosão foi ser compreendido, foi compreender-se a si próprio e para tal foi necessário esperar 15 mil milhões de anos (assumindo que seremos os primeiros a compreendê-lo). Mas esta frase tem um outro conceito implícito: de que a evolução da consciência e o surgimento da capacidade de compreender o Universo não é algo fortuito, um sub-produto aleatório das leis da física, mas sim um objetivo concreto dessas mesmas leis. A consciência seria assim o objetivo inicial da grande explosão.

 

Livro:  "Maya - O Romance da criação", Jostein Gaarder

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