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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

12
Fev16

Notícias do Universo

Os cientistas deteram pela primeira vez a existência de ondas gravitacionais, que são alterações do próprio "tecido" do espaço-tempo do Universo provocadas por acontecimentos cataclísmicos. A possibilidade da existência de ondas gravitacionais tinha sido prevista por Einstein em 1916 na sua Teoria da Relatividade. Cem anos depois foi possível observar diretamente a sua existência. Estas ondas foram geradas pela fusão de dois buracos negros que ocorreu a cerca de 1300 milhões de anos-luz de distância, há mais de um milhão de anos. As ondas gravitacionais provocadas por este acontecimento remoto foram detetadas no dia 14 de Setembro de 2015 por dois instrumentos denominados LIGO (Laser Interferometer Gravitational-Wave Observatory) que emitem e recebem raios luz em dois sentidos perpendiculares. Estes raios, ao serem afetados pelas ondas gravitacionais, alteraram o seu comportamento por uma fração de segundo devido à passagem da deformação do espaço-tempo. 

 

É sempre algo de extraordinário quando se verifica que a teoria, que é pura dedução matemática, é comprovada empiricamente. Nesta situação a dificuldade de se conseguir observar ondas gravitacionais que comprovem a teoria é extrema, o que ainda torna a comprovação empirica mais extraordinária.

 

Será que a linguagem em que o Universo está escrito é mesmo a linguagem matemática e estará a sua complexidade ao alcance do nosso cérebro? São estes acontecimentos que nos dão esperança que assim seja, mesmo considerando a improbabilidade de o nosso cérebro estar construído à medida da complexidade do Universo.

11
Fev16

O viajante

Viajar é olhar o mundo com olhos de criança, manter a alma espantada, ver sem os olhos vergados pela rotina. Não é o destino que faz a viagem, é a forma como se olha para o que nos rodeia. Pode-se viajar no nosso bairro se tivermos a felicidade de olhar o mundo com olhos de viajante. O que mata o viajante que existe em nós é a rotina que nos esmaga e a tentação do conforto dos nossos hábitos. É uma bolha que criamos, e lentamente nos rodeia, que nos impede de tocar o mundo. O que o viajante consegue, de alguma forma, é impedir que essa crosta o cerque, mantendo-se desperto para sentir o que o rodeia.

04
Fev16

No man is an island

No man is an island,
Entire of itself,
Every man is a piece of the continent,
A part of the main.
If a clod be washed away by the sea,
Europe is the less.
As well as if a promontory were.
As well as if a manor of thy friend's
Or of thine own were:
Any man's death diminishes me,
Because I am involved in mankind,
And therefore never send to know for whom the bell tolls;
It tolls for thee.

John Doone, 1624
04
Fev16

Nós e os outros

Na sociedade moderna da comunição global, cada vez mais o conceito de "nós" versus "outros" é mais disruptivo, no sentido de que não conseguirmos projetar nos outros os mesmos critérios que utilizamos para nós a nível de humanidade, sentimentos, direitos, ambição ou simplemente do direito à felicidade.  A nossa sociedade está a tornar-se num infinito arquipélago onde cada ilha é um "nós" que olha de forma distante e indiferente para as outras ilhas. A ausência do sentimento de inclusão, da bondade, da capacidade de reconhecer no outro o direito à ambição de ser feliz torna-nos numa sociedade cada vez menos coesa. O perigo, é que "nós" somos também os "outros" e enquanto não percebermos que todos somos iguais não nos podemos queixar, quando chegar o nosso momento, da indiferença dos outros perante o nosso sofrimento.

03
Fev16

Nos dias tristes não se fala de aves

Nos dias tristes não se fala de aves
liga-se aos amigos e eles não estão
e depois pede-se lume na rua
como quem pede um coração
novinho em folha.

Nos dias tristes é inverno
e anda-se ao frio de cigarro na mão
a queimar o vento
e diz-se bom dia!
às pessoas que passam
depois de já terem passado
e de não termos reparado nisso.

Nos dias tristes fala-se sozinho
e há sempre uma ave que pousa
no cimo das coisas
em vez de nos pousar no coração
e não fala connosco.

FIlipa Leal in «A cidade líquida e outras texturas»

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