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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

15
Mar16

O Ritual

Todas as religiões têm os seus rituais. Utilizando como exemplo a religião católica, os rituais de batizado, casamento, funeral e a celebração da missa dominical revelam-se importantes para as pessoas, não só pelas suas convicções religiosas, mas porque o rito é importante per si. A cerimónia, e toda a encenação do rito, assinala a transição, o momento de reflexão e introspeção. O rito não é uma cerimónia para os deuses, é feita a pensar nas necessidades dos Homens, é um momento pessoal e social, mais do que sobrenatural.

 

O filósofo Alain de Botton propôs a construção de um templo para ateus. A proposta faz sentido na medida em que o ateu também sente a necessidade do ritual que existe exclusivamente associado às religiões. A existência do templo e do ritual do ateu proporcionaria a este o momento de união com o que nos transcende, que hoje está disponível somente para o crente. O argumento contra esta ideia é que um templo para ateus seria um desperdício de dinheiro e que os templos representam locais de exclusão (de todas as outras religiões) mais do que de inclusão. Vem esta reflexão a propósito da comemoração do dia do Pi, momento que se assemelha, para o racionalista e céptico, a um dia dedicado a uma divindade para o crente.

 

Para o ateu a existência de um templo talvez não seja o fundamental, o Universo é o templo do ateu. Mas o ritual, praticado pela Humanidade desde de tempos imemoriais, é fundamental para o ser Humano, seja crente ou ateu.

14
Mar16

π

Hoje celebra-se o dia internacional do π. Na grafia de datas usada nos EUA hoje é o dia 3.14, o que representa o valor de π a duas casas decimais. O fascínio desta constante do Universo é enorme, sendo o seu interesse não só matemático mas também filosófico.

 

Este número tem um valor infinito de casas decimais que se sucedem aparentemente sem qualquer regra. É a relação entre a ordem e o aleatório que não deixa de ser extraordinária. No livro de Carl Sagan, Contacto, a Humanidade descobria que existia uma mensagem cósmica embebida na seuqência de casa decimasi de π. Só uma civilização sufientemente avançada para atingir um determinada capacidade de cálculo conseguiria chegar à esta mensagem. Uma ideia fascinante.

 

Não deixa de ser surpreendente que a relação entre o perímetro e o diâmetro de uma circunferência seja sempre o mesmo valor, seja em que lugar for do Universo. Será que em Universos diferentes o valor de π poderia ser outro? E em que medida esse Universo seria diferente?

 

Mas o mais interessante é que o valor de π surge em muitas outras fórmulas, que tanto quanto sabemos em nada estão relacionadas com uma simples relação entre duas dimensões de uma circunferência. O π liga diferentes dimensões da matemática de forma extremamente misteriosa.

 

Um exemplo: o valor π pode ser obtido utilizando a seguinte fórmula: 1 - 1/3 + 1/5 - 1/7 + 1/9 - 1/11 + .... Uma surpreendente e enigmática ligação entre o π e os números primos. É misterioso e fascinante e de uma enorme beleza que estas duas dimensões da matemática, aparente sem nada em comum, se cruzem nesta fórmula.

 

O dia do π celebra os mistérios da matemática e das regras de gerem este Universo. Celebra também o conhecimento da Humanidade que, lentamente, vai conseguindo decifrar a linguagem em que foi escrito o mundo que permite a nossa existência.E, no limite, celebra o mistério da nossa existência.

 

11
Mar16

A dúvida existencial revisitada

No mundo da física, num sistema fechado só acontece algo se tiver mesmo que acontecer e o que acontecer será sempre o mínimo possível nessas circunstâncias. Nada do que acontece é desnecessário, tudo o que acontece é o estritamente necessário para cumprir as leis da física.

 

O que é extraordinário e profundamente surpreendente é que as regras que a grande explosão definiu terem resultado num Universo a fervilhar de vida e que gerou a inteligência e a consciência. Como é que com o mínimo gasto de energia estritamente necessário se criou tudo isto o que existe?

 

Retornamos, uma vez mais, à questão: Porque é que podendo não existir nada, existe algo?

 

A chave desta dúvida, a verdadeira dúvida existencial, está em se conseguir esclarecer o “podendo não existir nada”. Será que será mesmo possível que possa não existir nada? Com as leis do nosso Universo, sem intervenção externa (chamemos-lhe Deus), só poderia resultar em tudo iso que existe?

10
Mar16

A primeira causa

 

Cruzei-me acidentalmente no facebook com um vídeo tentava demonstrar cientificamente a existência de Deus. A premissa fundamental para esta demonstração eram os argumentos para a existência de Deus de S. Tomás de Aquino, teólogo e filósofo do Sec. XIII, que se baseiam no seguinte: sendo todos os movimentos causais, se recuarmos suficientemente no tempo teremos sempre que encontrar um primeiro movimento, a primeira causa, que teria necessariamente que ter uma origem. E essa origem, de acordo com este argumento, seria Deus.

 

Adaptando este argumento aos conhecimentos científicos atuais, esse primeiro movimento seria a grande explosão, o “big-bang”, que tudo gerou. E hoje Tomás de Aquino perguntaria: qual foi a origem da grande explosão? Deus. E a existência seria Deus, pois nas palavras de Tomás  “a proposição 'Deus existe' é necessariamente verdadeira, pois nela sujeito e predicado são o mesmo".

 

Este conceito de Deus é muito distinto do Deus intervencionista, paternalista e castigador da maioria das religiões. Seria um Deus que criava as leis da física e deixava os acontecimentos decorrer, obedecendo a essas regras, sem a necessidade de milagres.

10
Mar16

Tempo

Time is too slow for those who wait,

too swift for those who fear,

too long for those who grieve,

too short for those who rejoice,

but for those who love, time is eternity.

 

Henry Van Dyke

07
Mar16

A Luz e o Olho

Se existe olho é porque há luz. Podemos afirmar que o sentido da luz é porque existe o olho, órgão que, por acaso, conseguiu aproveitar a presença de radiação em sinais para o cérebro para melhorar as suas condições de sobrevivência de determinados seres? Não, muito antes de haver um qualquer olho no Universo já havia luz. A luz não existe a motivada pelo o olho, o olho é uma consequência da existência, casual neste Universo, da luz.

 

A questão que me assombra é: então porque há luz? Admite-se perfeitamente a existência de um Universo sem luz. É sempre a mesma dúvida: porque existe algo em vez de nada?

04
Mar16

O Bem e o Mal, julgamento na perspetiva do Tempo

Referiu Agostinho de Hipona que o bem e o mal só Deus o pode distinguir por estar fora do Tempo. Nós, que temos de obedecer às leis do Tempo, não temos a faculdade de decidir se algo pertence ao lado do Bom ou do Mal, assumindo uma posição maniqueísta de que esta distinção faz algum sentido. Isto porque não está ao nosso alcance a possibilidade de determinar as consequências bondosas ou maldosas de determinado acontecimento.

 

Se um extraterrestre visitasse a Terra há 65 milhões de anos e assistisse à catastrófica colisão de um meteorito com o planeta ficaria certamente desolado perante a destruição de milhões de seres vivos e a extinção de inúmeras espécies num planeta que estava a florescer de vida. Esse hipotético ser, movido por sentimentos de bondade, seria mesmo tentado a desviar o meteorito e impedir a catástrofe que praticamente destruiu toda a vida evoluída no planeta. Mas se, por ventura, o tivesse feito, hoje não existiria Humanidade e provavelmente a Terra seria dominada por alguma forma de réptil inteligente. Não digo que fosse pior, mas seria certamente muito diferente e eu não estaria aqui a alinhar estas letras.

 

O assassinato de John F. Kennedy em 1963 foi certamente um ato maldoso e cruel, com motivações que desconhecemos. No entanto, quem pode garantir que se Kennedy não tivesse sido assassinado naquele dia o mundo não seria, alguns anos mais tarde, envolvido numa guerra nuclear de consequências terríveis? Se no final do século XIX na Áustria tivesse morrido mais uma criança de tenra idade, algo que até seria relativamente comum naqueles tempos, seria certamente triste e lamentável. No entanto, se essa criança fosse Adolf Hitler ter-se-ia evitado o sofrimento indescritível, a morte de milhões de seres humanos e o mundo hoje seria totalmente diferente (mas lá está, não sabemos se para melhor ou para pior).

 

Estava certo Santo Agostinho, só quem não está dentro do Tempo tem a prerrogativa de julgar o Bem e o Mal.

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