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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

14
Abr16

Os mercados

Nós vivemos da misericórdia dos mercados.
Não fazemos falta.
O capital regula-se a si próprio e as leis
são meras consequências lógicas dessa regulação,
tão sublime que alguns veem nela o dedo de Deus.
Enganam-se.
Os mercados são simultaneamente o criador e a própria criação.
Nós é que não fazemos falta.



Luís Filipe Castro Mendes
12
Abr16

O Universo e o Imaginário

Foi com esse momento zero da vida, o surgimento da consciência, algo que pela primeira vez foi distinto do uno que era o Universo, que surgiu também o Imaginário. O Imaginário é diferente em cada ser vivo consciente da sua existência, é algo único e irrepetível. Duas máquinas iguais, por exemplo, dois gémeos idênticos, terão Imaginários diferentes. Cada imaginário é um Universo dentro do Universo, um espaço interior singular, uma instância não física que emana da física. Uma criatura das leis do Universo que se libertou das leis que o criaram. O Imagínario é um infinito de Universos dentro do  Universo.

11
Abr16

Vida e Máquina

A consciência do Eu pode ser considerada uma definição de Vida no sentido estrito. E nada impede que essa consciência possa existir de forma independente de formas de vida biológicas. No futuro, certamente não muito distante, uma máquina poderá vir a experienciar esse momento mágico da percepção consciência da sua existência. E nesse momento essa máquina será Vida.

 

E seria sobranceria da nossa parte considerar que a nossa existência seria de alguma forma mais valiosa apenas pelo motivo da nossa consciência ser suportada por uma máquina biológica, cujo funcionamento se baseia em reações químicas, em vez de o ser por uma máquina não biológica, cujo funcionamento se baseia em reações físicas.

 

Tal como reflete de forma pungente o filme “2001 Odisseia no Espaço” na famosa cena em que o Humano vai desligar o computador HAL9000, desligar uma máquina não será diferente de matar uma vida.

 

07
Abr16

O Universo e o Eu

Foi com o surgimento da consciência da própria existência que, pela primeira vez, existiu uma dualidade entre o Universo e o Eu. Até esse momento, tudo o que existia era o Universo com as suas leis, independentemente de ser matéria inerte ou vida. Mas num momento mágico houve um ser que, pela primeira vez, conseguiu ter a noção da sua existência e que sentiu a sua identidade como algo diferente das regras do Universo. E a partir desse momento o Universo passou a ser algo que é distinto das suas criações.

05
Abr16

Vida é consciência

A fronteira entre o que é vida e não é vida é ténue e difícil de definir, muito especialmente ao nível celular. Em algum momento temos um conjunto de substâncias que deixam de ser inertes e passam a reagir com o mundo exterior, a crescer, a alimentar-se e a reproduzir-se. Mas estas formas simples serão mesmo vida? Ou é apenas uma complexa reação química, algo comparável à evaporação da água, só que a um nível de complexidade incomparavelmente superior? Estas formas simples de vida não sentem, não pensam, não têm desejos e, principalmente, não sabem que existem. O que lhes acontece depende exclusivamente das leis do Universo.

 

Lentamente, ao longo de milhões de anos, estas formas não inertes foram evoluindo, juntaram-se e formaram organismos mais complexos em que cada célula se especializou em determinada tarefa. Desenvolveram sentidos que lhes permitem conhecer o que se passa ao seu redor e, mais tarde, cérebros que lhes permitem reagir a essas condições. Mas, apesar de já serem organismos multi-celulares de extrema complexidade, não sentem, não pensam, não têm desejos e, principalmente, não sabem que existem. O que lhes acontece continua a depender exclusivamente das leis do Universo.

 

Só que em algum momento desta lenta evolução aconteceu algo de verdadeiramente espetacular: organismos que ganharam consciência da sua existência. E este sim, é indubitavelmente o sinal da vida. Foi esse momento, o nascimento da consciência, que devemos considerar como o verdadeiro surgimento da vida neste planeta. A vida é este milagre da consciência, palavra que utilizo à falta de melhor termo que expresse a suprema improbabilidade de uma reação química evoluir até um estágio em que sabe que existe. A criatura criou-se a ela própria.

 

Esta é a fronteira que separa a reação química extremamente complexa da vida no sentido estrito: a consciência da sua própria existência. E de forma similar, a morte acontece quando deixamos de ter consciência da nossa própria existência.

 

04
Abr16

O valioso tempo dos maduros


Contei meus anos e descobri que terei menos tempo para viver daqui para a frente do que já vivi até agora. Tenho muito mais passado do que futuro. Sinto-me como aquele menino que recebeu uma bacia de cerejas. As primeiras, ele chupou displicente, mas percebendo que faltam poucas, rói o caroço. Já não tenho tempo para lidar com mediocridades. Não quero estar em reuniões onde desfilam egos inflamados. Inquieto-me com invejosos tentando destruir quem eles admiram, cobiçando seus lugares, talentos e sorte. Já não tenho tempo para conversas intermináveis, para discutir assuntos inúteis sobre vidas alheias que nem fazem parte da minha. Já não tenho tempo para administrar melindres de pessoas, que apesar da idade cronológica, são imaturos. Detesto fazer acareação de desafectos que brigaram pelo majestoso cargo de secretário-geral do coral. As pessoas não debatem conteúdos, apenas os rótulos. Meu tempo tornou-se escasso para debater rótulos, quero a essência, minha alma tem pressa... Sem muitas cerejas na bacia, quero viver ao lado de gente humana, muito humana; que sabe rir de seus tropeços, não se encanta com triunfos, não se considera eleita antes da hora, não foge de sua mortalidade, Caminhar perto de coisas e pessoas de verdade, O essencial faz a vida valer a pena. E para mim, basta o essencial!

 

Mario de Andrade (1893 - 1945)

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