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Para além do dilema ecologista na produção agrícola, existe a questão, porventura mais grave e de resolução mais complexa, da produção animal para consumo humano. Ninguém terá dúvidas que animais como os porcos, as vacas ou as galinhas são seres sencientes, com capacidade de sofrimento. É indefensável, sobre qualquer perspectiva, que o ser Humano possa submeter outros animais a sofrimentos atrozes, tratando estes seres vivos com se fossem mercadoria inerte, como qualquer outra matéria-prima de uma fábrica de produção em massa. Mas a situação deste planeta é que temos sete mil milhões de seres humanos a alimentar, o que parece incompatível com a criação animal respeitadora do seu sofrimento.

 

Num momento em que o deputados da Republica Portuguesa se atrevem pelos terrenos pantanosos de legislar sobre os direitos dos animais de companhia, ignorar a realidade dos animais para consumo é impossível, mas parece que todos querem manter o problema invísivel. Este é também um dilema do ecologista, um dilema de todos nós, que reconhece que não podemos tratar os animais como o fazemos, mas que não pode aceitar todas as consequências da alternativa.

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Tem-se assistido à tendência crescente dos consumidores mais preocupados com o impacto no planeta e na saúde humana da industrialização da produção agrícola a consumir produtos orgânicos e biológicos. Surpreendentemente algumas vezes as boas intenções não correspondem aos resultados, e esta talvez seja uma dessas situações. Matt Ridley, autor do livro “O otimista racional”, defende que esta tendência é tremendamente prejudicial para o planeta e que se viesse a ser este um hábito de consumo generalizado poderia colocar em risco a sobrevivência do planeta. A lógica da argumentação é simples e, para um não especialista no assunto, aparentemente sólida: a produção orgânica ou biológica abdica da utilização de tecnologias hoje ao nosso dispor, o que implica uma produção de menor quantidade por hectare e a necessidade de utilização de terrenos adicionais para suporte a esta produção, nomeadamente para produzir os fertilizantes naturais necessários. O aumento da área necessária para produzir a mesma quantidade de alimentos é dramática e teria um impacto catastrófico no nosso planeta, obrigando os agricultores a conquistar terrenos a zonas hoje selvagens, sejam florestas, pântanos ou desertos. As consequências ambientais seriam trágicas.

 

De acordo com este autor a solução para a produção de alimentos não está assim num regresso nostálgico à produção orgânica do passado, inviável para alimentar os sete mil milhões de seres deste planeta, mas sim uma aposta ainda maior no aumento da produtividade e da qualidade dos alimentos produzidos. O aumento da produtividade e da qualidade que está ao nosso alcance com a modificação genética das espécies, onde ainda estamos a dar os primeiros passos, e que permite produzir mais com menos terreno e menos pesticidas, logo, com menor impacto ambiental.

 

Este é o terrível dilema do ecologista, que no fundo é de todos: a solução para o nosso planeta talvez não esteja num regresso à natureza. O aumento da população não nos deixa outra alternativa do que investir na tecnologia para conseguirmos alimentar os humanos sem destruir, ainda mais, o planeta. O regresso a métodos de produção naturais é inviável para esta densidade populacional e a melhor forma de proteger o planeta é investir em mais inovação e adotar práticas que, aparentemente, parecem perigosas e contrárias à ecologia. Um exemplo é a modificação genética de espécies, que é rejeitada pela grande maioria das organizações ambientalistas, sendo inclusivamente proibida em muitos países, mas tem potencial para garantir formas de produzir mais alimentos com um impacto muito mais reduzido sobre o nosso planeta. A contradição é que ao lutar contra estas inovações, as organizações ecologistas talvez esteja a prejudicar o nosso planeta.

 

Livro: “O otimista racional”, Matt Ridley

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Epitáfio: “Aqui jaz um ateu. Todo aperaltado e sem sítio para onde ir.”

 

(Autor desconhecido)

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Porquê eu?

27.05.16

Porquê eu? Imagino que esta deva ser a cruel interrogação de todos os que enfrentam uma suprema injustiça, por exemplo, de uma doença grave e potencialmente mortal. O ser humano tem essa necessidade de deslumbrar um sentimento de justiça, uma ordem no mundo, uma relação entre o que somos e o que merecemos. Mas todos sabemos, e todos o teremos que admitir, que o Universo é totalmente indiferente ao que nos acontece. As coisas acontecem, pronto. Não qualquer ideia de justiça, este é um conceito estranho às leis da Natureza. Mas sim, é impossível não colocar a interrogação: Porquê eu? E para esta questão, a resposta não existe. E enquanto não chega a nossa vez de colocar essa questão, devemos recordar-nos que a vida, e a consciência que dela temos, é um dom improvável, impermanente e que todos os dias nos devíamos questionar: o que devo fazer hoje para usufruir desta enorme improbabilidade que é estar vivo e com saúde?

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Fiquemos em silêncio, para poder ouvir os murmúrios dos deuses.

 

Esta frase, em que, infelizmente, deixei escapar o nome do autor, é de enorme beleza e profundidade. É do silencio que emerge o subtil murmúrio dos deuses. Para mim este silêncio é em primeiro lugar o silêncio da mente e o murmurio dos deuses emana da profundidade do nosso ser. É preciso silenciar a mente para ouvir a alma, é uma formulação alternativa do mesmo princípio, e um dos fundamentos da meditação budista.

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Tenho para mim que educar um filho é a tarefa mais nobre, de maior responsabilidade e que mais dificuldades, e também satisfação, pode proporcionar ao ser Humano. Ter a responsabilidade de abrir horizontes sem afogar a personalidade é uma arte, que exige esforço e atenção constante. E gera uma satisfação inigualável. A paternidade é, para o bem e para o mal, um desafio constante.

 

Nestes tempos em que a felicidade é vendida como um direito adquirido, ao alcance do bom cidadão, que deve ser consumista e submisso, a tarefa de educar para a felicidade, a verdadeira felicidade, torna-se muito complexa. Conseguir passar a mensagem de que nada do que verdadeiramente vale a pena se consegue sem esforço, sem trabalho e sem sacrifício é extremamente difícil, quando tudo o que rodeia as crianças aponta sempre no sentido da satisfação imediata. A espera, a paciência, não é valorizada na sociedade consumista. O orgulho de atingir um objectivo depois de muito trabalho e sacrifício, a felicidade do alpinista quando atinge o cume da montanha, é um sentimento difícil de transmitir para quem, desde da mais tenra idade, está rodeado por uma sociedade que fomenta o prazer imediato, baseada num perigoso falso conceito de direito adquirido à felicidade e ao prazer.

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Loucura

23.05.16

Sem a loucura o que é o homem

Mais que a besta sadia,

Cadáver adiado que procria?

 

Fernando Pessoa, D. Sebastião Rei de Portugal, Mensagem

 

 

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Aniversário

19.05.16

Com a agitação dos dias deixei passar sem assinalar a data do primeiro aniversário deste registo. A primeira publicação foi efetuada no dia 15 de Maio de 2015. Nada significa, apenas que o nosso Planeta completou mais uma volta a uma modesta estrela a que chamamos Sol desde que escrevi aqui pela primeira vez. O que aqui escrevo não é mais que um registo para memória futura de pensamentos e humores. Não interessa a ninguém. No entanto para mim a sua função é importante: é uma terapia que ajuda a organizar ideias, a libertar energias e a acalmar o espírito. Mas acima de tudo permite-me manter um breve momento que impede que o cilindro da rotina esmague definitivamente a capacidade de me admirar e de questionar o mundo. Escrever é uma libertação que nos permite levantar a cabeça e olhar para a grandiosa e improvável maravilha que é a nossa existência.

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Wikipedia

18.05.16

A internet foi certamente a evolução tecnológica que teve impacto maior na forma de vida da Humanidade. No espaço de uma geração praticamente tudo o que fazemos foi moldado pela existência e omnipresença da internet. Esta influência é sem dúvida superior nos chamados países desenvolvidos, mas os seus efeitos são transversais a todas a Humanidade, independentemente da geografia, cultura ou grau de riqueza de cada ser Humano. Ainda será cedo para afirmar, mas um dia nos registos da História certamente que a internet figurará ao lado de outras invenções estruturantes da nossa forma de viver e de pensar, como o dinheiro ou a imprensa. A internet está a alterar estruturalmente a forma de viver e de pensar, e a uma velocidade alucinante.

 

Mas a internet é apenas uma ferramenta, o animal que a utiliza é o mesmo. A internet revela o que há de pior e de melhor na Humanidade, e é utilizada para o que de mais vil e mais belo o ser Humano pode atingir.

 

De todos os projetos que a internet possibilitou a Wikipedia é dos mais belos. Uma enorme enciclopédia construída de forma colaborativa e totalmente altruísta. Envolve a colaboração de milhões de seres humanos, com origens em todo o mundo, falando centenas de línguas diferentes e de todas as condições sociais para construir um repositório abrangente do conhecimento Humano. 

 

Poderá pensar-se que, sendo um registo elaborado por um grupo alargado de pessoas sem escrutínio, que o grau de confiabilidade da Wikipedia seria reduzido. Mas aparentemente não é verdade. Várias análises e comparações têm demonstrado que a Wikipedia tem o nível de erros comparáveis a outros repositórios de informação elaborados exclusivamente por peritos e com apertados procedimentos de supervisão e revisão, como, por exemplo, as enciclopédias. Sendo de contribuição livre e um instrumento vivo que é utilizado diariamente por milhões de pessoas a Wikipedia tem uma capacidade enorme de detetar os erros e de se autocorrigir.

 

A Wikipédia é provavelmente o maior projeto colaborativo da Humanidade. É um projeto feito em nome do conhecimento, um projeto de paz e que demonstra o poder da colaboração entre os seres Humanos. A Wikipedia sublima o que de melhor existe na Humanidade.

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