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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

30
Jun16

É urgente destruir certas palavras

É urgente o amor.
É urgente um barco no mar.

É urgente destruir certas palavras,
ódio, solidão e crueldade,
alguns lamentos,
muitas espadas.

É urgente inventar alegria,
multiplicar os beijos, as searas,
é urgente descobrir rosas e rios
e manhãs claras.

Cai o silêncio nos ombros e a luz
impura, até doer.
É urgente o amor, é urgente
permanecer.

Eugénio de Andrade

29
Jun16

Livre arbítrio: os sentimentos

A man can do what he wants, but not want what he wants.

 

Arthur Schopenhauer

 

Esta frase do filósofo alemão Schopenhauer é um delicioso resumo da teoria da causalidade absoluta. Se a nível da nossa capacidade de tomar decisões poderemos ter a esperança que o processo de decisão não esteja totalmente dependente da causalidade, já ao nível dos sentimentos é mais complicado assumir o nosso livre arbítrio. A decisão é um processo complexo em que existe um grau de incerteza, e admite-se que na mesma situação um sistema derterminístico possa tomar decisões diferentes.

 

Mas coms os sentimentos não podemos admitir o mesmo. Aquilo que sentimos é algo que está profundamente ligado a uma componente física e genética, e, acreditando na causalidade dos acontecimentos, significa que, num dado momento e numa dada situção, não poderíamos sentir algo diferente do que sentimos. Eventualmente poderemos, com a experência, conseguir controlar e dominar alguns dos nossos sentimentos, mas está fora do nosso alcance controlar o que sentimos. Somos uma máquina, e funcionamos como uma máquina.

 

 

24
Jun16

Livre arbítrio, II

Mas existe esperança para o livre arbítrio. Uma decisão não é o mesmo que existir um comportamento aleatório numa máquina determinista, como provavelmente é o nosso cérebro. Uma decisão é um processo complexo que envolve avaliar um conjunto de premissas para se chegar a uma conclusão ou ação. Para além das premissas, uma decisão envolve ainda avaliar várias opções e quais as consequências futuras de cada uma das opções. A decisão depende também da experiência que tenhamos de decisões semelhantes no passado. Portanto, uma decisão não será um processo que se possa considerar como determinista nem aleatório, mas o resultado de uma avaliação complexa de determinadas premissas e antecipação de resultados futuros.

 

É aceitável que na exatamente na mesma situação uma máquina tome decisões diferentes. Numa determinada situação poderemos avaliar as mesmas premissas e chegar a conclusões diferentes, por opção, por acumular experiência ou por estratégia. Uma máquina não-orgânica, por exemplo um computador de inteligência artificial a jogar xadrez, pode optar por jogadas distintas perante a mesma situação de jogo, em função de estratégias diferentes para atingir o mesmo objetivo, ganhar o jogo. A esperança é que seja esse o mecanismo da decisão do nosso cérebro e, assim sendo, não estaremos prisioneiros do determinismo do seu funcionamento. Pode ser que o livre arbítrio não seja apenas uma ilusão extremamente poderosa e que exista de facto.

 

23
Jun16

Livre arbítrio, I

No nosso dia-a-dia, raramente duvidamos que somos capazes de tomar determinadas decisões, e de que somos livres para o fazer. Se ficamos a dormir mais 5 minutos depois do despertador tocar, o que comemos ao pequeno-almoço, a roupa que decidimos vestir, o caminho que escolhemos para ir trabalhar, etc. Em cada dia tomamos centenas de decisões e nunca colocamos em dúvida que foram decisões que só dependeram da nossa vontade e que, se assim quiséssemos, podíamos ter decidido de forma diferente. O nosso sentimento de possuirmos livre arbítrio é extremamente forte e raramente é questionado.

 

Mas em tudo que nos rodeia não conhecemos nada que tenha este comportamento. O que acontece obedece a um determinado algoritmo, a um conjunto de regras pré-definidas (quer sejam do nosso conhecimento ou não) e sempre que as condições iniciais são as mesmas o resultado esperado é o mesmo. Se de manhã, quando em levanto ainda ensonado, embato na porta fechada da casa de banho, a porta vai magoar-me. A porta fechada não decide uns dias barrar o caminho e outros dias ser benevolente e deixar-me passar através dela. Se de manhã ligo o motor do meu carro, estando todas as condições reunidas para o motor funcionar, o motor do carro começa a funcionar. O motor não decide começar a funcionar uns dias e noutros não o fazer.

 

Sendo assim, a questão é: porque será o funcionamento do nosso cérebro distinto? Porque aceitamos com tanta naturalidade que decidimos? O funcionamento do nosso cérebro depende de uma miríade de fatores, muitos dos quais não conhecemos, mas estando o nosso cérebro em determinada configuração, será de facto possível decidirmos algo? Ou, nessas condições, o seu comportamento seria inevitavelmente sempre o mesmo? O nosso cérebro não passa de uma máquina física e química extremamente complexa e, tanto quando sabemos, uma máquina não tem lugar para a aleatoriedade. Aparentemente seria possível, para algum ser que tivesse na posse de todos os dados e conhecesse todas as leis físicas, prever cada uma das nossas decisões. O que decidimos é inevitável.

22
Jun16

É insensato lamentar-me

O homem, estando condenado a ser livre, carrega o peso do mundo inteiro nos seus ombros […]. Ele tem de assumir a situação em que se encontra com a consciência orgulhosa de ser o seu autor, pois os piores obstáculos ou as piores ameaças que põem em perigo a sua pessoa apenas adquirem sentido através do seu próprio projeto […]. É, portanto, insensato pensar sequer em lamentar-se, uma vez que nada de exterior a si decidiu aquilo que ele sente, aquilo que ele vive ou aquilo que ele é.

 

J.-P. Sartre, L’Être et le Néant, Paris, Gallimard,1943, p. 612 (adaptado, Exame de Filosofia 11º ano, 2016)

21
Jun16

Somos livres, portanto não há desculpas

Temos que assumir que existe livre arbítrio, que somos livres, portanto não há desculpas. Os princípios morais são absolutos e nada justifica acções incorrectas. Somos responsáveis pelos nossos actos e só nós devemos responder pelo que fazemos. Todos somos responsáveis pelas nossas acções, e temos que estar preparados para assumir as consequências.

20
Jun16

A única hipótese de imortalidade

 

Todos nós descendentos de uma linha de vida, que desde da origem da vida na Terra conseguiu com sucesso reproduzir-se e que a sua descêndencia tivesso também sucesso na reprodução. É inevitável assim que tenhamos em nós uma forte propensão para a reprodução. Os nossos filhos são a única hipótese de imortalidade.

 

A paternidade é um terramoto no nosso posicionamento perante o mundo. A  vida, o  conforto e a  segurança só interessam em função do que isso pode significar na qualidade de vida dos filhos. Ser-se pai é mudar a perspectiva de vida, é sair-mos de dentro de nós, e recentrar a nossa existência. Abandonamos o nosso egoísmo evolutivo, o Eu deixa de ser o centro de tudo e transferimo-lo para a nossa descendência, que inevitavelmente, será a única marca que vamos deixar para o futuro.

 

 

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