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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

18
Ago16

Sentir o mundo

Chega uma altura na vida em que temos o caminho traçado. Agora dificilmente a vida tomará outros rumos. É seguir os carris que, não sabendo onde nos levam, sabemos que deles não iremos sair. O prazer das pequenas coisas é cada vez mais difícil de encontrar. Estamos derrotados, habituados a uma prisão que construímos com afinco para nós próprios. Criamos uma casca que nos impede de saborear a beleza da vida. Já não conseguimos sentir o mundo.

 

E é contra isso que temos que saber lutar. Essa é a sabedoria de viver, de manter a capacidade de espanto perante a beleza do mundo e a improbabilidade da nossa existência.

17
Ago16

Urgência invertida

Na urgência da vida moderna são raros os momentos em que nos é possível usufruir do lento fluir do tempo. Sim, o tempo passa devagar se estivermos atentos a ele. Exige esforço, exige atenção, exige saber distinguir o que são as falsas urgências deste teatro social, exige a sabedoria de não lutar contra o tempo. O tempo passa devagar e sentir isso apenas depende de nós. E que prazer é usufruir desse sentimento de lentidão, de não ter pressa de chegar onde quer que seja, dessa urgência invertida.

16
Ago16

A Natureza vai-se renovar, o Homem vai continuar igual

Todos os anos, por altura do verão quando as notícias estão de férias, o espetáculo destruidor do fogo renova-se. E com ele surge um outro espectáculo, menos destruir mas mais ridículo: os políticos de turno interrompem as férias, mostram-se preocupados e prometem comissões de inquérito e medidas que vão resolver o problema. As televisões preenchem infinitas horas com debates tão inflamados como inúteis. Todos sabem que o problema dos fogos florestais é estrutural e eventualmente irresolúvel e que a tendência será certamente para se agravar. É resultado de uma política de dezenas de anos que resultou na desertificação do interior do país, e que não se resolve com duas ou três medidas apressadas atiradas para as televisões em horário nobre e que são esquecidas ainda antes das primeiras chuvas de Outono. A desertificação do interior e o abandono da propriedade, a divisão da propriedade em pequenos lotes sem rentabilidade que permitam a sua manutenção, o negócio do fogo, onde todos lucram menos o proprietário, e as alterações climáticas, são tudo fatores que convergem numa tempestade (de fogo) perfeita que ciclicamente torna este país num tição ardente. 

11
Ago16

O fogo lavra

Nesta altura do ano é hábito que os meios de comunicação recorrem aos fogos florestais como espetáculo para encher a ausência de notícias, sem cuidar dos impactos que essa sobre exposição pode gerar na própria realidade. Afinal de contas, o jornalista é ele próprio ser simultaneamente veículo e gerador de notícias. Mas é imperativo encher o tempo e comos as notícias estão a banhos, lá vão os jornalistas para os montes e aldeias filmar chamas e fumo. É explorar o espetáculo do sofrimento de quem luta para proteger tudo o que tem, entrevistar por entre nuvens de fumo denso quem, já derrotado pelo cansaço e desespero, tem ainda que encontrar forças e ânimo para enfrentar as câmaras inquisidoras. Contenção, ou simplesmente bom senso, é o que falta.

 

A expressão predileta do jornalista quando descreve o inferno é o "fogo lavra". Expressão curiosa esta, quando lavrar a terra está associado à renovação e o fogo à destruição. A natureza vive bem com o fogo, o fogo é também renovação. Mas para o Homem o fogo é sempre destruição, prejuízo, sofrimento, quando não morte. O “fogo lavra” mas para uma sementeira negra de carvão, medo e sofrimento.

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