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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

12
Dez16

Compaixão e Piedade

No budismo existe uma distinção profunda entre os sentimentos de compaixão e de piedade. Compaixão é fazer nosso o sofrimento dos outros, é considerar os sentimentos de todos os seres sencientes como se fossem nossos, assumindo verdadeiramente o lugar do outro e ajudando os outros como se nos estivéssemos a ajudar a nós próprios, é a equidade entre o "eu" e o "outro". A compaixão é um sentimento fundamental de todos os budas, em que a felicidade só é atingida através da compaixão. A verdadeira felicidade é ajudar os outros, sendo portanto a compaixão um sentimento de duplo sentido, pois dá felicidade a quem a recebe e a quem a dá. Já a piedade é um sentimento baseado no medo. No medo de que o sofrimento do outro nos possa acontecer a nós. A piedade assume uma diferença entre o “eu” e o “outro” que a compaixão não admite e não confere felicidade nem ao objeto da piedade nem a quem a sente.

 

Esta distinção, depois de interiorizada em nós, faz-nos pensar: o que estou a sentir perante o sofrimento no mundo será compaixão ou piedade?

 

O Livro tibetano da vida e da morte, Sogyal Rinpoche.jpg

O Livro tibetano da vida e da morte, Sogyal Rinpoche

09
Dez16

O sofrimento e a indiferença

O sofrimento das crianças é a dor suprema, é o sofrimento dos verdadeiros e únicos inocentes, que carregam com eles a dor criada por outros, os que nada fizeram para o merecer. É o inexplicável, é a injustiça de quem sofre sem saber porquê.

 

O mundo vive tempos de dor, sempre viveu, talvez agora não seja diferente, mas o que choca é a indiferença do mundo perante a dor de milhões que sofrem com a guerra, a pobreza, as doenças que seriam facilmente evitáveis, a falta de acesso a edução, e acima de tudo, a ausência de qualquer esperança numa vida melhor. E perante o olhar silencioso e educado das crianças que sofrem, o resto do mundo vive ignorante, anestesiado, egoísta.

 

O irónico, e o trágico, é que num mundo tecnológico em que todos têm acesso ao mundo através da internet e das redes sociais, um mundo em que todos vivem ligados, onde tudo se partilha instantaneamente, onde todos fotografam e partilham com o mundo os pormenores mais insignificantes das suas vidas: nunca a ignorância e a indiferença perante o sofrimento dos outros foi tão atroz. Vivemos num mundo de pós-verdade, em que a realidade, feia, cruel e incómoda, é confortavelmente ignorada. E o jornalismo, o verdadeiro jornalismo, o que acorda consciências, o que nos dá um abanão à nossa apatia está moribundo. E tanta falta que faz.

05
Dez16

Angústia do tempo que foge

A felicidade não é muito mais que a capacidade de estarmos de bem com a passagem do tempo, sem estarmos angustiados com o passado nem ansiosos com o futuro, estando em paz com a passagem do tempo. Conseguir viver o momento, usufruindo totalmente o agora. O que não é pouco.

 

Tenho o sentimento que o tempo está a passar demasiado depressa, como areia que nos foge por entre os dedos. Tudo acontece demasiado depressa, e receio não estar a ser capaz de usufruir o momento, incapaz, por inépcia ou preguiça, de atribuir prioridade ao que verdadeiramente é importante. A angústia de saber que o tempo tem uma única direção e que cada segundo desperdiçado nunca mais poderá ser recuperado.

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