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IX - Sou um guardador de rebanhos.

 

IX

 

Sou um guardador de rebanhos.

O rebanho é os meus pensamentos

E os meus pensamentos são todos sensações.

Penso com os olhos e com os ouvidos

E com as mãos e os pés

E com o nariz e a boca.

Pensar uma flor é vê-la e cheirá-la

E comer um fruto é saber-lhe o sentido.

 

Por isso quando num dia de calor

Me sinto triste de gozá-lo tanto,

E me deito ao comprido na erva,

E fecho os olhos quentes,

Sinto todo o meu corpo deitado na realidade,

Sei a verdade e sou feliz.

 

Alberto Caeiro

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Qual será o motivo de que a tristeza, a ansiedade ou, porque não, o medo, se sentir como um aperto, um peso constante, na zona peito? Sabemos bem que não são os pulmões, o estômago, os músculos ou até mesmo o coração os guardiães dos nossos sentimentos. O que sentimos é somente produzido pelo cérebro, existe somente no cérebro, mas, estranhamente, é no corpo que se revela.

 

Li recentemente que os egípcios na antiguidade quando embalsamavam os corpos guardavam todos os órgãos menos o cérebro, por considerarem que não era importante. E sabemos também que o cérebro é o único órgão do nosso corpo que não sente dor, os neurocirurgiões conversam com os seus doentes durante as operações ao cérebro.

 

É curioso ser o cérebro a origem de todos os sentimentos e de todas as dores e, no entanto, estar imune a elas. E assim sendo, não pode existir verdadeira separação entre o cérebro e o corpo, entre o físico e a alma. É este o Erro de Descartes a que António Damásio se refere.

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Retomo o belo poema "Para além da curva da estrada" de Alberto Caeiro, porque nunca é demais ter a consciência que a resposta de não sei nem pergunto é a única atitude possível perante aquilo que nos espera. Entretanto, lentamente, começa a assomar o que está para além da próxima curva da estrada.

 

Para além da curva da estrada

Talvez haja um poço, e talvez um castelo,

E talvez apenas a continuação da estrada.

Não sei nem pergunto.

(…)

 

Alberto Caeiro

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Arte de viver

24.01.17

Estar em paz é viver o presente, sem ansiedades pelo futuro nem pela passagem do tempo. Enfim, estar em paz é fundamentalmente estar em paz com o tempo. Mas este é um objetivo bastante difícil de atingir. Perante a antecipação da possível tempestade que as nuvens negras no horizonte nos fazem prever, a verdadeira arte de viver, a suprema sabedoria, é conseguir manter a tranquilidade e o desapego que somente a paz com o tempo nos proporciona. E nunca esquecer a maravilhosa improbabilidade que é o simples facto de estarmos vivos e de o conseguirmos apreciar. 

 

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Estar em paz

23.01.17

Se está deprimido, está a viver no passado. Se está ansioso, está a viver no futuro. Se está em paz, está a viver no presente.

 

Lao Tzu

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De acordo com o relatório da ONG Oxfam a distribuição da riqueza mundial atingiu níveis impressionantes. Para tal, é suficente atentar nestes números: as 8 pessoas mais ricas do mundo têm mais riqueza que a metade mais pobre da população, mais de 3,6 mil mihões de almas, e que o 1% da população mais rica possui 99% da riqueza mundial. A tendência da aglomeração da riqueza mundial num conjunto restrito de super-ricos, quando muitos vivem vidas miseráveis, tem vindo a agravar-se rapidamente nos últimos anos.

 

É urgente que os países actuem no sentido de alterar esta situação. Mas, como refere Fernando Savater, o Homem não está disposto a abdicar da mais inconsequente das suas comodidades mesmo que o preço a pagar seja uma montanha de privações alheias. E sem os ricos abdicarem de algumas das suas comodidades nada mudará. A esperança de haver uma evolução no sentido correcto é nula. E se não há evolução, haverá certamente revolução.

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Wanderlust

13.01.17

DSC_0550.JPG

 

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Quando eu morrer - e hei-de morrer primeiro
do que tu - não deixes fechar-me os olhos 
meu Amor. Continua a espelhar-te nos meus olhos 
e ver-te-ás de corpo inteiro 

como quando sorrias no meu colo. 
E, ao veres que tenho toda a tua imagem 
dentro de mim, se, então, tiveres coragem, 
fecha-me os olhos com um beijo. 

Eu, Marco Pólo, 

farei a nebulosa travessia 
e o rastro da minha barca 
segui-lo-ás em pensamento. Abarca 

nele o mar inteiro, o porto, a ria... 
E, se me vires chegar ao cais dos céus, 
ver-me-ás, debruçado sobre as ondas, para dizer-te adeus. 

II 
Não um adeus distante 
ou um adeus de quem não torna cá, 
nem espera tornar. Um adeus de até já, 
como a alguém que se espera a cada instante. 

Que eu voltarei. Eu sei que hei-de voltar 
de novo para ti, no mesmo barco 
sem remos e sem velas, pelo charco 
azul do céu, cansado de lá estar. 

E viverei em ti como um eflúvio, uma recordação. 
E não quero que chores para fora, 
Amor, que tu bem sabes que quem chora 

assim, mente. E, se quiseres partir e o coração 
to peça, diz-mo. A travessia é longa... Não atino 
talvez na rota. Que nos importa, aos dois, ir sem destino.

 

Álvaro Feijó

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As cerimónias fúnebres de Mário Soares foram um raro momento de qualidade, de respeito e admiração. Numa sociedade onde cada vez mais vive do efémero, de explosões de mediocridade e de histeria pelo imediatismo estas cerimónias tiveram o condão de nos recordar que ainda sabemos, como povo, construir momentos de elevação. Mário Soares ficará na História do país principalmente como um democrata que, com coragem e determinação, lutou para construir uma sociedade de democracia, tolerância e integração. Os seus grandes sonhos para Portugal, a democracia e a uma integração europeia baseada na união entre os povos, foram alcançados mas, infelizmente, estão hoje ambos ameaçados de forma preocupante. Honremos Mário Soares que, sendo imperfeito e tendo cometido erros, teve a coragem de cumprir o seu destino. Nos dias de hoje em que assistimos, incrédulos, a um retrocesso civilizacional sem precedentes nas últimas gerações, temos a obrigação de estar muito atentos na defesa dos valores que Mário Soares sempre defendeu.

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Saber perder

09.01.17

Para se ser feliz é imprescindível saber perder

 

David Trueba

 

Inicío o ano neste blog com esta citação. Cada início de ano é usualmente encarado como uma oportunidade, um recomeço, uma página em branco nas nossas vidas. Sabemos bem que não é assim, trazemos connosco o nosso passado. Saber perder é saber mudar o rumo da nossa vida, é admitir que há momentos em que é preciso desconstruir para construir algo de novo. E que isso não tem nada de mal.

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