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Foi recentemente leiloada por cerca de 1,5 milhões de euros uma breve nota manuscrita por Einstein para entregar a um mensageiro em Tóquio, que por não ter dinheiro  consigo, Einstein utilizou em substituição de uma gorjeta. Em papel timbrado do hotel, Einstein escreveu simplesmente:

Uma vida simples e silenciosa traz mais alegria do que a procura do sucesso num desassossego constante.

 

Esta nota foi escrita em Novembro de 1922. Desde desse dia até hoje o mundo mudou. Mas é extraordinário como as preocupações de Einstein de há 95 anos sobre o que define a arte da vida são iguais às preocupações de todos nós, nos nossos dias. Hoje a velocidade a que se vive, as solicitações e distrações a que estamos sujeitos devido à evolução tecnológica, o próprio tecido da sociedade, tudo é distinto do que era naqueles tempos. Imagino que o conceito de “desassossego constante” de 1922 fosse algo de substancialmente diferente, para melhor, do que é hoje para a maioria de nós. Apesar de tudo ter mudado, houve algo que se manteve: a eterna procura do Homem por uma forma de vida que o conduza à felicidade.

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É fácil cair na tentação da húbris e considerar-nos superiores às leis da natureza. Quando inevitavelmente a punição chega, somos reconduzidos de deuses a animais, a nossa alma torna-se um lugar escuro e apertado. O que nos resta? O presente, o nosso efémero infinito.

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Penso que a principal ameaça que hoje pesa sobre o futuro da humanidade é a tentação do orgulho. Sabemos por alto como serão as catástrofes futuras. Aquecimento climático, destruição do ambiente, tecnologias que escapam ao controlo dos que as conceberam, utilização terrorista ou estatal de armas de destruição massiva, conflitos mundiais provocados pelo pânico que se apoderará dos povos da Terra quando tomarem, por fim, consciência de que não a podemos explorar impunemente por muito tempo: pouco importam ao filósofo as formas particulares que estas catástrofes tomarão, visto provirem de uma mesma fonte.

 

Jean-Pierre Dupuy, Ainda há catástrofes naturais?

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Pedras na vida

24.10.17

No meio do caminho

 

No meio do caminho tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
tinha uma pedra
no meio do caminho tinha uma pedra.
Nunca me esquecerei desse acontecimento
na vida de minhas retinas tão fatigadas.
Nunca me esquecerei que no meio do caminho
tinha uma pedra
tinha uma pedra no meio do caminho
no meio do caminho tinha uma pedra.

 

Carlos Drummond de Andrade

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Tal como só na doença, é que conseguimos dar o devido valor à saúde, parece que com a infelicidade nos acontece o mesmo. Só nos momentos em que estamos infelizes conseguimos compreender como, afinal, éramos felizes anteriormente. Somos realmente limitados a avaliar o sentimento de felicidade do momento. E nos momentos em que o céu desaba sobre nós, sem uma réstia de luz ao fundo, que saudades temos desses momentos que podíamos olhar em frente e ver, e que éramos felizes e não o sabíamos.

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Dia negro

19.10.17

DSC_0444.JPG

 

Os incêndios do dia negro de 15 de Outubro revelaram uma falência total do Estado, que se revelou incapaz de proteger minimamente os cidadãos perante a catástrofe. Certamente não podemos ignorar que um dia em que existiram mais de 500 ignições de incêndio, com origem mais que provável na ação humana, é algo de absolutamente extraordinário. Não há nenhum Estado no mundo que possa estar preparado para uma situação extrema como esta, que é equivalente a um ataque terrorista em larga escala. Mas o que aconteceu foi além da catástrofe. A falta de resposta do estado também ficou a dever-se ao facto de a proteção da nossa floresta estar dependente de contratos comerciais com empresas privadas, contratos esses que na sua maioria terminaram no início de Outubro, que habitualmente já não seria época de incêndios. Mas o que é meteorologicamente habitual já não existe e a proteção de um país não pode ficar dependente de datas no calendário e de contratos comerciais com valores elevados. Os incêndios são também um negócio, e enquanto existirem pessoas a ganhar muito dinheiro com este negócio os incêndios não vão terminar.

 

Entretanto, por coincidência de calendário, recebi no dia seguinte à catástrofe na minha caixa de correio o aviso para pagar a Taxa Municipal de Proteção Civil da CML. Após assistir a um país a arder sem resposta competente do Estado e a um governante nos ter dito que temos que ser responsáveis pela nossa proteção, receber a notificação para pagar este imposto (de legalidade duvidosa) é algo capaz de irritar profundamente o mais pacato cidadão.

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Sentido do Universo.gif

E no entanto, o Universo não tendo qualquer obrigação de existir, existe. A existência é primordial ao sentido, e o sentido é uma consequência da existência. O sentido é o adequado à nossa compreensão, o sentido é uma construção pessoal, que cada um de nós fabrica no seu íntimo.

 

Livro: "Astrofísica para Gente com Pressa, Uma Viagem Rápida ao Cosmos”, Neil De Grasse Tyson

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No capítulo final do livro “Astrofísica para Gente com Pressa, Uma Viagem Rápida ao Cosmos” o autor Neil De Grasse Tyson faz a apologia das vantagens em se ter uma perspetiva cósmica da nossa vida. É certo que esta perspetiva cósmica nos reduz a seres insignificantes a habitar um pequeno planeta que orbita uma estrela de entre biliões. Não é uma conclusão imediata que ter a real noção da nossa pequenez seja um benefício para as nossas vidas. Afinal se não passamos de seres ocasionais e insignificantes, gerados por acaso, qual poderá ser o sentido das nossas vidas?

 

Mas Neil Tyson tem razão. É precisamente saber que não passamos de uma extraordinária improbabilidade feita de matéria que foi gerada há milhões de anos na explosão de estrelas que nos confere a noção de como a nossa breve existência é bela e única. Termos consciência da nossa existência e conseguirmos o feito incrível de perceber, ainda que de forma incompleta, como aqui chegámos confere uma beleza extraordinária a cada momento da nossa vida. Remove os nossos egos do centro do Universo (ou do Multiverso) e coloca na real perspetiva a importância dos nossos problemas do dia-a-dia e acontecimentos de maior gravidade como enfrentar uma doença grave ou a morte. Quando olhamos as estelas, nós que somos feitos de poeira de estrelas, compreendemos e aceitamos o que somos é o Universo que se comtempla a si próprio.

 

E o sentido a vida? A responsabilidade de cada um de nós é conseguir manufaturar o seu próprio sentido para a improbabilidade da sua existência.

 

Livro: "Astrofísica para Gente com Pressa, Uma Viagem Rápida ao Cosmos”, Neil De Grasse Tyson

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Medo do nada

12.10.17

Por vezes o futuro transforma-se num nevoeiro negro que, subtilmente e sem permissão, começa a alastrar para o nosso presente, toldando os nossos dias. Nesses momentos exige-se, mais do que nunca, o foco no agora. O presente é o nosso único infinito e há momentos em que o futuro, esse nada, consegue ser uma sombra sobre os nossos dias. Não o permitirei, seria a vitória do inexistente sobre o que existe.

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Somos prisioneiros desta dimensão temporal impelidos a viajar irremediavelmente em direção ao futuro. Passageiros involuntários de um comboio que ruma ao desconhecido. Viver o presente é a única alternativa, mas nem sempre fácil de utilizar. Há momentos em que o desejo é que o Tempo interrompa o seu fluxo e ficar parado no momento. A usufruir o presente, sem os nevoeiros do futuro.

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