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Tal como racionalizar é reduzir complexidade da realidade até ao nível da nossa compreensão, pensar ou dizer algo é também, inevitavelmente, uma redução aos limites da linguagem. A linguagem limita o pensamento. A verdade, em toda a sua complexidade, não surge da linguagem. A verdade emerge do silêncio.

 

Todos gostamos de partilhar com os que amamos os nossos momentos de felicidade ou de tristeza. Mas, por exemplo, perante uma paisagem magnifica, a beleza da luz de uma manhã fria de inverno ou uma música que nos comove a partilha total é impossível. A linguagem será sempre uma diminuição, uma cópia que não reproduz o original e uma jaula que, irremediavelmente, nos prende dentro de nós. Aqui talvez a poesia, que é a linguagem levada ao extremo, nos possa ajudar, mas perante a beleza ou o horror apenas o silêncio é totalmente verdadeiro.

 

Livro:  “O Silêncio na Era do Ruído” de Erling Kagge

 

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O pequeno livro “O Silêncio na Era do Ruído” de Erling Kagge, o explorador norueguês que foi o primeiro homem a atingir o Polo Norte, o Polo Sul e a escalar o Evarest, é um daqueles livros que se lê devagar, a usufruir de cada palavra, a reler trechos anteriores com redobrado prazer, sempre lentamente, como quem aprecia um bom vinho, com receio que fiquemos demasiado depressa órfãos de livro.

 

O livro é um conjunto de pensamentos do autor sobre a importância do silêncio, não só do silêncio exterior, do mundo que nos rodeia, mas principalmente do silêncio interior, o silêncio da nossa mente. É do silêncio que emerge a sabedoria, que conseguimos compreender quem somos nós verdadeiramente. O autor tingiu o Polo Sul numa viagem a solo, sem comunicações. Caminhou durante 50 dias sozinho no local mais isolado e mais silencioso do nosso planeta. Se há alguém que sabe o que é o silêncio será ele. Nessa viagem “Estava só comigo e com os meus pensamentos e ideias. O futuro deixara de ser relevante. Não pensava no passado. Estava presente na minha própria vida”.

 

Nem todos somo exploradores e nos podemos isolar em locais ermos à procura do nosso silêncio. Mas é fundamental que cada um de nós consiga encontrar o seu silêncio interior e domine o caos habitual que é a nossa mente nestes tempos em que se vive demasiado depressa e em piloto automático. É preciso nunca esquecer que a mente não somos nós, o “eu” que deve controlar a mente e não o inverso.

 

Livro: “O Silêncio na Era do Ruído”, Erling Kagge

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Part One: Life

 

CXXVI

 

The Brain is wider than the sky,

  For, put them side by side,

The one the other will include

  With ease, and you beside.

 

The brain is deeper than the sea,

  For, hold them, blue to blue,

The one the other will absorb,

  As sponges, buckets do.

 

The brain is just the weight of God,

  For, lift them, pound for pound,

And they will differ, if they do,

  As syllable from sound.

 

 

Emily Dickinson (1830–86).  Complete Poems.  1924.

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Lisboa, 2017

 

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Li recentemente sobre uma campanha publicitária, financiada por uma instituição ateísta, que afixou em vários autocarros de Londres a seguinte frase:

 

"There's probably no god. Now stop worrying and enjoy your life." (Atheist Bus Campaign)

 

Pouco tempo depois, em resposta, surgiu uma contra-campanha, financiada por uma igreja, que publicitou algo como “Deus existe. Deixe de se preocupar e aproveite a vida”.

 

O que é curioso é que ambas as frases parecem ter um sentido intrínseco. Ou seja, a dúvida que resulta é se para sermos capazes de aproveitar o melhor da vida e viver despreocupadamente existirá alguma diferença entre se ser crente ou ateu. Acreditar na existência de um ente superior que nos criou, que somos o objetivo último da criação e que existe um qualquer sentido para a nossa existência dar-nos-á uma vida mais despreocupada? Ou acreditar que somos simplesmente um resultado improvável das leis do Universo sem qualquer significado e de existência fugaz não nos permitirá usufruir melhor da nossa existência? Talvez seja indiferente, talvez estas não sejam sequer as questões certas. Talvez a verdadeira questão não seja sobre Deus, e a sua inexistência, mas simplemenste sobre nós próprios.

 

Livro: "Viver no fim dos tempos", Slavoj Žižek

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Lisboa, 2017

 

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Hiper-objecto

16.11.17

O filósofo Timothy Morton, cunhou o termo hiper-objecto para se referir a entidades complexas, distribuídas no tempo e no espaço a uma escala que nos transcende. Um dos exemplos de hiper-objecto de Morton, com uma obra que incide fortemente na questão da ecologia, é o aquecimento global.

 

Creio que o conceito de hiper-objecto é especialmente útil para traduzir a noção de que existem no Universo entidades que estão fora de alcance da nossa compreensão. É extraordinariamente presunçoso pensarmos que tudo o que existe no Universo tem que ter um nível de complexidade que seja compatível com o Homem. Todo o acto de perceber a realidade é simultaneamente um acto de simplificação da realidade até ao nosso nível de compreensão. É isso que a ciência faz. Mas temos que admitir que existe a forte possibilidade de existirem coisas no Céu e na Terra que simplesmente estejam fora do alcance do nosso cérebro.

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Se podemos pensar, legitimamente, que aquilo que somos e o resultado da nossa vida não passa de um conjunto de casualidades que nos conduziram ao que somos (se repetirmos a nossa vida o resultado seria totalmente diferente), também se pode pensar, sendo o mundo regido por um conjunto de regras determinísticas (perante as mesmas condições o resultado é sempre o mesmo), que tudo o que nos aconteceu só poderia ter acontecido dessa forma.

 

A ironia do sentido da vida é que temos que escolher entre sermos definidos essencialmente pelo acaso ou por regras exatas. Nenhum dos cenários nos deixa espaço para a autodeterminação. Em ambas as opções pouco sobra da nossa meticulosa construção do significado e da importância do “eu”.

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Nós e o acaso

13.11.17

O biólogo evolucionista Stephen Jay Gould escreveu algo do género: “Consideremos o filme da vida na Terra. Rebobinemo-lo e projetemo-lo de novo: o resultado seria totalmente diferente”. Este conceito reflete o facto de o fio da História ser o resultado de um infinito conjunto de casualidades encadeadas. O resultado foi este, poderia ter sido outro totalmente diferente. Um exemplo: se há 65 milhões de anos o cometa que colidiu com a Terra tem passado uns míseros milhares de quilómetros ao lado, hoje a vida na Terra seria radicalmente diferente.  A nossa existência enquanto espécie dominante dependeu de um qualquer evento cósmico a milhões de anos luz da Terra que criou um asteroide e o atirou em direção ao nosso planeta e que, por uma enorme casualidade, colidiu com no nosso planeta enquanto este, dominado pelos dinossauros, percorria calmamente a sua órbita.

 

A mesma ideia se poderá adptarà vida de cada um de nós: "regressemos ao dia do nosso nascimento e voltemos a viver a nossa vida: o resultado teria sido totalmente diferente". Não deixa de ser esmagador para o ego pensar que o que é a nossa vida e a nossa identidade seja resultado de inúmeros e insignificantes acasos, que nem sequer conseguimos identificar, e que foram ao longo do tempo constuindo aquilo que agora somos. Nós, que tão seguros estamos da nossa personalidade. Nós, para quem o “eu” é algo de concreto e único que sempre conhecemos. Nós, somos afinal um resultado possível entre infinitos outros.

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Antropoceno

09.11.17

Quando, daqui a uns milhões de anos, algum ser fizer a história deste planeta a época em que vivemos poderá vir a ser denominada como Antropoceno. Este termo, queé hoje utilizado por alguns cientistas, refere a época geológica em que a Terra é modificada pela ação do Homem.

 

Estamos na era em que um animal dominou e alterou de forma radical o planeta onde nasceu. Um animal que aprendeu a estranha arte da mentira, de conseguir pensar e dizer o que não existe, do mito à religião, do dinheiro à poesia, da arte ao amor, conseguindo que milhões de indivíduos se organizassem em torno de ideias e ficções. Um animal que conseguiu descobrir as origens do Universo e compreender a linguagem em que as regras que o regem estão escritas. Um animal que, conseguiu descodificar o código da vida e a alterá-lo de acordo com as suas necessidades criando novas formas de vida.

 

Um animal que começa agora a entender que a sua ação está a destruir o Planeta e sabe que tem que abdicar do seu estilo de vida para não destruir a única casa que temos. E é agora que algo vai ter que acontecer, o que nós fizermos agora, vai definir a vida possível das gerações vindouras ou conduzir-nos a uma provável extinção. Somos nós, o Homem, que definimos o que queremos que seja o Antropoceno.

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