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Nunca encontrei um pássaro morto na floresta.

 

Em vão andei toda a manhã

a procurar entre as árvores

um cadáver pequenino

que desse o sangue às flores

e as asas às folhas secas…

 

Os pássaros quando morrem

caem no céu.

 

 

José Gomes Ferreira

 

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Lisboa, 2018

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Setas do tempo

24.04.18

Refere Stephen Hawking em “Uma breve história do Tempo” que que existem três setas do tempo: a seta termodinâmica, a seta psicológica e a seta cosmológica. A seta termodinâmica aponta na direção do aumento da entropia dos sistemas, a seta psicológica aponta no sentido do futuro, daí o facto de termos memórias do passado e não do futuro, e a seta cosmológica aponta no sentido da expansão do Universo. Estas três setas do tempo apontam neste momento nesta direção mas, teoricamente, não teria que ser assim.

 

Poderá acontecer, daqui a dez mil milhões de anos, que a expansão do Universo chegue a um limite e que a partir daí o Universo entre em colapso. É uma das possibilidades para o futuro do nosso Universo, e esteticamente a mais atraente. Se o Universo teve um início faz sentido que tenha um fim, a simetria sempre fez parte da nossa Natureza. E neste caso a seta do tempo cosmológico irá mudar de sentido quando o Universo entrar em contração. E a dúvida dos físicos e matemáticos é sobre o que aconteceria nesta situação às setas do tempo termodinâmica e psicológico. Irá a entropia dos sistema começar a diminuir? Irão os eventuais seres desse tempo ter memórias do futuro e não do passado?

 

Livro: “Uma breve história do Tempo”, Stephen Hawking

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É o sonho da física e cosmologia encontrar uma teoria matemática que consiga fazer previsões de forma exacta sobre o comportamento do Universo e que explique a sua origem. É a mítica “Theory of Everything” a teoria que unificará as teorias parciais que hoje temos para o comportamento de todas as forças do Universo.

 

A existência desta teoria é em si mesmo uma teoria, não podemos assumir que exista. Se o universo tivesse um sentido estético da existência deveria ser possível uma formulação bela e tão simples quanto possível que explique tudo o que acontece. Mas o certo é que não sabemos se o Universo tem esse sentido estético ou que este esteja ao alcance da nossa compreensão.

 

Existem três possibilidades:

 

  • A matemática é a linguagem com que o Universo foi escrito e existe uma formulação matemática única que explica tudo o que já aconteceu e consegue prever o que vai acontecer no Universo. Eventualmente, se estiver ao nosso alcance, haveremos de descobrir essa formulação matemática.

 

  • A matemática não reflete a linguagem do Universo e as teorias explicam apenas por aproximação a realidade que observamos. Nesta situação existe uma sucessão de infinitas teorias, cada vez mais precisas, mas que nunca explicarão a totalidade das regras do Universo pois não temos acesso à linguagem em que o Universo foi escrito.

 

  • Não existem regras no Universo. A explicação das nossas teorias é apenas ilusão por estarmos apenas a olhar para uma porção muito limitada no espaço e no tempo de toda a realidade.

 

Esta última possibilidade, apesar de ser a que menos está de acordo com a nossa observação do que nos rodeia, será a que agrada a todos os que sentem a necessidade da fé num Deus com poderes para intervir nos acontecimentos. Os outros cenários possibilitam, no máximo, a existência de um “Deus relojoeiro”, que constrói e dá corda ao relógio e depois deixa de ter poder de intervir no que acontece.

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Poderá Deus criar uma pedra tão pesada que nem ele a consiga levantar?

 

Stephen Hawking, “Uma breve história do Tempo”,

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A resposta à questão “Porque é que, podendo não existir, existe algo?” pode ser fundamentada pelo principio antrópico. O fundamental deste princípio é o seguinte: dado que é um facto que existimos e temos capacidade para observar o Universo, o Universo só poderia ser tal que permita a nossa existência. Se fosse diferente, ligeiramente diferente, não o estaríamos a questionar.  Ainda assim, o recurso ao princípio antrópico deixa uma sensação de insatisfação, pois o facto de existirmos não explica porque existe algo.

 

Este é o único Universo que podemos observar e é por esse motivo que existe e é desta forma. Tanto quanto sabemos, a probabilidade de o Universo ser como é ou, sendo diferente, ter a possibilidade de gerar consciência que questione o Universo é ínfima. A nossa existência é uma improbabilidade extrema, mas o facto é que existimos. E posto isto, o Universo não poderia ser muito diferente do que é.

 

A nossa existência é resultado deste Universo e nós somos parte do Universo. Quando nos questionamos em rigor é o Universo que se questiona a si próprio: a consciência dos seres vivos é a consciência do próprio Universo. Podemos imaginar infinitas possibilidades de outros universos que existam juntamente com o nosso (o antes e o depois só faz sentido dentro do nosso Universo) que não permitam gerar consciência que se questione. Podemos até imaginar, embora seja bastante mais difícil, um Universo onde não exista nada, absolutamente nada, nem matéria nem energia, nem espaço nem tempo. Mas qual seria a utilidade desses Universos? Qual o sentido de existir algo se não fosse possível gerar consciência?

 

Esta última formulação é conhecida como o “Princípio Antrópico Final”: o Universo tem como finalidade produzir consciência.

 

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A morte do físico Stephen Hawking levou-me a reler o seu famoso livro de divulgação cientifica “Uma breve história do Tempo”. Foi escrito há trinta anos mas não creio que esteja fundamentalmente desatualizado. Desde daí já foi possível comprovar empiricamente algumas das conclusões que eram apenas hipóteses teóricas naquela altura, como por exemplo a deteção das ondas gravitacionais previstas por Einstein ou a criação de algumas partículas no potente acelerador do CERN. Mas o objetivo último dos físicos e matemáticos de encontrar uma única teoria unificadora que agregue o mundo quântico e eletromagnético com o mundo gravitacional, teoria que há cerca de 100 anos existe a convicção de estarmos muito perto de o conseguir, continua por atingir.

 

A releitura de "Uma breve história do Tempo" foi desconcertante por me fazer refletir não só na complexidade, mas principalmente, na estranheza, da estrutura do Universo. Conceitos como a relatividade do tempo, o principio da incerteza quântica,  a dualidade onda-partícula, partículas de spin 2 (em que apenas após duas rotações completas voltam a ficar na mesma posição), quarks e inúmeras partículas variadas como gluões, ou gravitões, as ondas gravitacionais que modificam o espaço-tempo na sua passagem, buracos negros que evaporam, a teoria das cordas, mundos com dezenas de dimensões ou o tempo imaginário.

 

É enorme a quantidade de conceitos e entidades estranhas que parecem ter sido criadas pela mente de um escritor de ficção cientifica genial com uma imaginação delirante. O universo tem-se revelado um local estranho. E pode piorar, porque o Universo não tem qualquer obrigação de ser compreensível para a capacidade do nosso cérebro. Seria extremamente presunçoso dos Humanos pressupor isso. Podemos, portanto, estar a tentar entender algo que esteja definitivamente fora do nosso alcance. Mas que isso nunca seja motivo para o não tentar. É essa a grandeza da Humanidade, o animal que se fez deus.

 

Livro: “Uma breve história do Tempo”, Stephen Hawking

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Rio Águeda, 2018 

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Há palavras que têm de ser ditas em determinados momentos. Palavras de consolo, de lembrança, um simples gesto num momento difícil. Ou palavras de amor. Existe um tempo certo, que nem sempre é o perfeito, para as dizer. Mas por vezes, na espera do momento perfeito, deixamos passar o tempo certo. E se falhamos esse tempo nunca mais conseguiremos corrigir totalmente este erro.  Por excesso de zelo deixámos passar o momento, e nunca mais existirá o tempo perfeito.

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Linha recta

06.04.18

Os astros deslocam-se no espaço em linha recta. Parece-nos que não, mas isso deve-se unicamente à nossa limitação. No mundo de quatro dimensões do espaço-tempo, todos os astros se deslocam pelo caminho mais curto, a linha reta. Foi Einstein, num golpe de génio, que o percebeu. É como a sombra de um avião que sobrevoa as montanhas: a duas dimensões parece-nos que o avisão sobe e desce as montanhas, mas no mundo a três dimensões o avião voa em linha recta.

 

Também as nossas vidas são uma linha recta. Para nós, seres condenados a viver no mundo limitado da nossa mente, parece-nos que é a vida é contruída de acasos, azares, de reveses e fortunas. Vemos esquinas e cruzamentos. Tememos decisões e indecisões. 

 

Em vão. A nossa vida é um híper-objecto que segue a sua linha recta no espaço-tempo. Simples, previsível e insignificante. É inútil tentar perceber o que se segue, e mais inútil ainda preocupar-nos com isso. Mas, ainda, assim, não deixo de sentir um certo aperto no coração: nada mais nos resta que o prazer do imediato.

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