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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

30
Jul18

Pessoas felizes dão maus consumidores

Franco Berardi, filósofo italiano, afirma: “A solidariedade é a maior ameaça para o capitalismo financeiro. A solidariedade é o lado político da empatia, do prazer de estarmos juntos. E quando as pessoas gostam mais de estar juntas do que de competir entre si, isso significa que o capitalismo financeiro está condenado. Daí que a dimensão da empatia, da amizade, esteja a ser destruída pelo capitalismo financeiro”.

 

Adiciono aos pecados contra o capitalismo financeiro, a verdadeira religião da nossa sociedade, a capacidade de se ser feliz. A sociedade de consumo incute-nos desde criança o mito de que necessitamos de consumir, de ter mais, para sermos felizes e bem sucedidos. Na doutrina do capitalismo financeiro o sucesso é equivalente a riqueza. Sabemos no entanto que a felicidade não tem qualquer relação com a riqueza que possuímos. Considerar a nossa forma de vida não é uma competição louca com o que os outros é um forte suporte para uma vida com personalidade, equilibrada e feliz. E uma heresia para o capitalismo.

 

27
Jul18

O livro do silêncio

“O Livro do Silêncio”, de Sara Maitland, descreve o percurso da autora em direção a uma vida de silencio. A palavra silêncio define coisas bem diferentes. Existe o silêncio exterior, que é essencialmente a ausência de ruído, e pode não ser o silêncio absoluto (por exemplo, silêncio também pode ser o som das ondas à beira mar, o chilrear dos pássaros num pomar, o vento nas folhas das árvores de um bosque, ou uma música tranquila). Existe o silêncio da ausência de falar, de vivermos calados, o silêncio da solidão e do isolamento. E finalmente, e para mim o fundamental, existe o silencio da nossa mente, os pensamentos tranquilos, a calma mental que permite ser o “eu” a controlar a mente e não o inverso. São formas distintas de silêncio mas que estão interligadas, a ausência de uma delas prejudica a obtenção das outras. A autora procura o silêncio por dois motivos: motivos religiosos e motivos criativos. E é curioso como conclui que estas são formas quase antagónicas de silêncio, com efeitos no ego muito diferentes. Curioso também é a relação íntima que existe entre a paisagem e o silêncio e as suas consequências íntimas: o silêncio da montanha é diferente do silêncio do deserto, da charneca ou do bosque.

 

Pessoalmente quando procuro o silêncio é esencialmente como forma de tranquilizar a mente, de reduzir a velocidade dos acontecimentos, diminuir os níveis de ansiedade, conseguir profundidade de pensamento e de sentir o fluir do tempo. Nestes tempos agitados e de ruído, em que tudo é superficial e se salta constantemente de distração em distração, procurar o silêncio torna-se fundamental para não sermos engolidos numa voragem autofágica.

 

Livro: O Livro do Silêncio, Sara Maitland

 

24
Jul18

Vagar

Quero conseguir usufruir da vida, a viver cada momento, a construir memórias em mim e nos outros. Quero que o tempo flua lentamente, na solidão e na partilha. Quero que cada momento seja significativo. Quero viver sempre no presente. Quero silêncio mental. Não quero que o tempo me atropele constantemente, não quero ter paciência para o que não me agrada, não quero aborrecer-me na vida. É ambicioso, eu sei.

 

Ocorreu-me que o que pretendo mesmo é viver com um sentimento contrário de pressa, de urgência ou de ânsia. E qual será a palavra que define como quero viver? Foi então que me chegou esta palavra mágica, que me recordo de ouvir ao antigos na minha infância, mas já há muito esquecida: vagar. Viver com vagar, em paz com o tempo que passa, é o luxo superior nesta era.

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