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Franco Berardi, filósofo italiano, afirma: “A solidariedade é a maior ameaça para o capitalismo financeiro. A solidariedade é o lado político da empatia, do prazer de estarmos juntos. E quando as pessoas gostam mais de estar juntas do que de competir entre si, isso significa que o capitalismo financeiro está condenado. Daí que a dimensão da empatia, da amizade, esteja a ser destruída pelo capitalismo financeiro”.

 

Adiciono aos pecados contra o capitalismo financeiro, a verdadeira religião da nossa sociedade, a capacidade de se ser feliz. A sociedade de consumo incute-nos desde criança o mito de que necessitamos de consumir, de ter mais, para sermos felizes e bem sucedidos. Na doutrina do capitalismo financeiro o sucesso é equivalente a riqueza. Sabemos no entanto que a felicidade não tem qualquer relação com a riqueza que possuímos. Considerar a nossa forma de vida não é uma competição louca com o que os outros é um forte suporte para uma vida com personalidade, equilibrada e feliz. E uma heresia para o capitalismo.

 

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“O Livro do Silêncio”, de Sara Maitland, descreve o percurso da autora em direção a uma vida de silencio. A palavra silêncio define coisas bem diferentes. Existe o silêncio exterior, que é essencialmente a ausência de ruído, e pode não ser o silêncio absoluto (por exemplo, silêncio também pode ser o som das ondas à beira mar, o chilrear dos pássaros num pomar, o vento nas folhas das árvores de um bosque, ou uma música tranquila). Existe o silêncio da ausência de falar, de vivermos calados, o silêncio da solidão e do isolamento. E finalmente, e para mim o fundamental, existe o silencio da nossa mente, os pensamentos tranquilos, a calma mental que permite ser o “eu” a controlar a mente e não o inverso. São formas distintas de silêncio mas que estão interligadas, a ausência de uma delas prejudica a obtenção das outras. A autora procura o silêncio por dois motivos: motivos religiosos e motivos criativos. E é curioso como conclui que estas são formas quase antagónicas de silêncio, com efeitos no ego muito diferentes. Curioso também é a relação íntima que existe entre a paisagem e o silêncio e as suas consequências íntimas: o silêncio da montanha é diferente do silêncio do deserto, da charneca ou do bosque.

 

Pessoalmente quando procuro o silêncio é esencialmente como forma de tranquilizar a mente, de reduzir a velocidade dos acontecimentos, diminuir os níveis de ansiedade, conseguir profundidade de pensamento e de sentir o fluir do tempo. Nestes tempos agitados e de ruído, em que tudo é superficial e se salta constantemente de distração em distração, procurar o silêncio torna-se fundamental para não sermos engolidos numa voragem autofágica.

 

Livro: O Livro do Silêncio, Sara Maitland

 

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Dizem que uma imagem vale mil palavras. Para mim, uma memória vale mil imagens.

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Vagar

24.07.18

Quero conseguir usufruir da vida, a viver cada momento, a construir memórias em mim e nos outros. Quero que o tempo flua lentamente, na solidão e na partilha. Quero que cada momento seja significativo. Quero viver sempre no presente. Quero silêncio mental. Não quero que o tempo me atropele constantemente, não quero ter paciência para o que não me agrada, não quero aborrecer-me na vida. É ambicioso, eu sei.

 

Ocorreu-me que o que pretendo mesmo é viver com um sentimento contrário de pressa, de urgência ou de ânsia. E qual será a palavra que define como quero viver? Foi então que me chegou esta palavra mágica, que me recordo de ouvir ao antigos na minha infância, mas já há muito esquecida: vagar. Viver com vagar, em paz com o tempo que passa, é o luxo superior nesta era.

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A importância

23.07.18

Depois de uma tarde a tratar do jardim

A nossa vida

Importa menos

 

José Tolentino de Mendonça, A papoila e o monge, ed. Assírio & Alvim

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