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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

19
Dez18

O inefável

Quando a vida nos coloca perante o inefável todas as palavras se tornam inúteis, toda a escrita é ridícula, uma torpe caricatura dos sentimentos. É tempo de recolhimento, apenas o silêncio pode fazer jus ao horror da nossa insignificãncia.

 

Por este motivo este blogue vai usufruir de uma pausa.

12
Dez18

A Verdade

Uma das “lições” de Yuval Noah Harari  no livro “21 Lições para o Século XXI” diz respeito ao conceito de verdade. E a lição é que não há ninguém, nenhum líder, nenhum cientista, nenhum filósofo, nenhum visionário, enfim, ninguém que tenha a noção do que é a verdade. A verdade é demasiado complexa para que uma única pessoa consiga ter o conhecimento e a capacidade de dedução que lhe permita compreender a maioria dos temas. Talvez, apenas talvez, todos nós enquanto espécie tenhamos esse conhecimento difuso, mas não existe um qualquer individuo que tenha a visão global. Vivemos tempos de hiperespecialização, em que cada um, com sorte, apenas pode conhecer em profundidade um assunto muito especifico. Do resto, apenas conhecemos a espuma. O filósofo  Timothy Morton cunhou o termo “hiperobjeto” para descrever precisamente essa complexidade. A interligação entre todos os acontecimentos, as inúmeras variáveis que os podem influenciar e o facto de estarmos dentro do problema (e é preciso sair do problema para o conseguir ver) impedem qualquer compreensão individual do que acontece. O aquecimento global, os movimentos sociais, o conteúdo da internet ou o fluir da nossa própria existência são hiperobjetos que nos estão inacessíveis.

 

Este conceito de verdade inacessível releva uma epifania: não há ninguém que perceba o que nos está acontecer, não há ninguém que saiba para onde estamos a ir. E esse é o consolo.

 

Livro: 21 Lições para o Século XXI, Yuval Noah Harari 

06
Dez18

O Homem Só

Quem sente o meu sentimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem sofre o meu sofrimento
sou eu só, e mais ninguém.
Quem estremece este meu estremecimento
sou eu só, e mais ninguém.

 

Poema do Homem Só, António Gedeão

04
Dez18

Deus e a ignorância

 

Porque existe algo em vez do nada? O que moldou as leis fundamentais da física? O que é a consciência e de onde vem ela? Não sabemos quais as respostas a estas perguntas e a esta ignorância damos o majestoso nome de Deus.

 

Yuval Noah Harari. 21 lições para o século XXI 

 

Ninguém pode ser ateu sem conhecer todas as coisas. Somente Deus é ateu. O demónio é o maior dos crentes, e lá tem as suas razões.

 

Flannery O’Connor, Um diário de preces

 

Deus não é só ignorância. O avanço da ciência pode ir diminuido o espaço de ação de Deus, mas não o mata. Se Deus fosse apenas ignorância,  não haveriam ignorantes (todos nós) ateus. Deus é algo mais, é o mistério da consciência, que subsiste mesmo quando tudo está explicado e compreendido. Nem o próprio Deus será ateu, terá ele próprio o seu Deus. E entre os ignorantes (todos nós) há quem tenha o dom da fé e quem não tenha esse dom. A mim falta-me esse consolo. E se Deus existisse saberia bem a falta que Ele me faz.

 

 

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