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A beleza da rosa

29.04.19

DSC_1406.JPG

 

A beleza que vemos numa rosa tem a sua primeira origem nas raízes da roseira, que nos são invisíveis. Tal como na rosa, a beleza que vemos num ser humano tem também raiz no que nos é invisível aos olhos: o passado, as experiências, as memórias, os sofrimentos, as alegrias. Infinitos acontecimentos que, de forma misteriosa, se tornam visíveis na alquimia que transforma o invisível em beleza.

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Dia da Liberdade

26.04.19

 

pensei 
que a liberdade vinha com a idade
depois pensei
que a liberdade vinha com o tempo 
depois pensei 
que a liberdade vinha com o dinheiro
depois pensei 
que a liberdade vinha com o poder
depois percebi 
que a liberdade não vem
não é coisa que lhe aconteça
terei sempre de ir eu


Sónia Balacó

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estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram 
flores novas na terra do jardim, quero dizer 
que estás bonita. 

entro na casa, entro no quarto, abro o armário, 
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio 
de ouro. 

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como 
se tocasse a pele do teu pescoço. 

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim. 

estás tão bonita hoje. 

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios. 

estás dentro de algo que está dentro de todas as 
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever 
a beleza. 

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios. 

de encontro ao silêncio, dentro do mundo, 
estás tão bonita é aquilo que quero dizer. 

 

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão" 

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A felicidade, enquanto estado de momento, é algo inalcançável. Tal como o horizonte, quanto mais caminhamos em sua direção mais de afasta. Isto é evidente, não fosse a tragedia de nestes tempos de consumismos sermos permanentemente, e desde da mais tenra infância, inundados com o conceito de que a felicidade é algo que se pode obter, principalmente se custar dinheiro e der lucro a alguém. É curioso como é rara a revolta quando, neste comércio da felicidade, não se obtém o resultado pretendido e se exige a devolução do dinheiro gasto no perfume caríssimo, no automóvel exclusivo, nas férias exóticas ou no telemóvel topo-de-gama, depois de verificar que a sua aquisição não o nos deixou nem um milímetro mais perto de atingir a felicidade. Não se exige a devolução porque, no que diz respeito à felicidade, o importante é que exista esperança de a atingir. Enquanto houver esperança de um dia chegarmos à felicidade somos, de uma certa maneira, felizes.

 

Mas a realidade é diferente e a felicidade não é uma emoção de momento. Emoções de momento são a alegria ou o bem-estar. A felicidade é algo de mais difuso, um permanente ruído de fundo, que não se atinge atirando dinheiro para cima da nossa vida. É um subproduto de uma vida vivida da forma correta, nada mais. É o resultado de um esforço, não para se ser feliz, mas de viver a vida da melhor maneira possível. A felicidade, tal como o amor, não se procura nem se compra, acontece-nos se tivermos a sorte e a arte para a merecer.

 

Livro: A Arte da Vida, Zygmunt Bauman, Edição: Relógio D'Água

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Dia das mentiras

01.04.19

A homenagem é mais que merecida: é a mentira que faz a humanidade. A capacidade humana que decididamente torna o Homem diferente do resto da natureza é a capacidade de mentir, portanto, a estranha faculdade de pensar e de acreditar no que não existe. E foi assim que a criatura se tornou em criador.

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