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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

29
Abr19

A beleza da rosa

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A beleza que vemos numa rosa tem a sua primeira origem nas raízes da roseira, que nos são invisíveis. Tal como na rosa, a beleza que vemos num ser humano tem também raiz no que nos é invisível aos olhos: o passado, as experiências, as memórias, os sofrimentos, as alegrias. Infinitos acontecimentos que, de forma misteriosa, se tornam visíveis na alquimia que transforma o invisível em beleza.

26
Abr19

Dia da Liberdade

 

pensei 
que a liberdade vinha com a idade
depois pensei
que a liberdade vinha com o tempo 
depois pensei 
que a liberdade vinha com o dinheiro
depois pensei 
que a liberdade vinha com o poder
depois percebi 
que a liberdade não vem
não é coisa que lhe aconteça
terei sempre de ir eu


Sónia Balacó

24
Abr19

A Mulher Mais Bonita do Mundo

 

estás tão bonita hoje. quando digo que nasceram 
flores novas na terra do jardim, quero dizer 
que estás bonita. 

entro na casa, entro no quarto, abro o armário, 
abro uma gaveta, abro uma caixa onde está o teu fio 
de ouro. 

entre os dedos, seguro o teu fino fio de ouro, como 
se tocasse a pele do teu pescoço. 

há o céu, a casa, o quarto, e tu estás dentro de mim. 

estás tão bonita hoje. 

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios. 

estás dentro de algo que está dentro de todas as 
coisas, a minha voz nomeia-te para descrever 
a beleza. 

os teus cabelos, a testa, os olhos, o nariz, os lábios. 

de encontro ao silêncio, dentro do mundo, 
estás tão bonita é aquilo que quero dizer. 

 

José Luís Peixoto, in "A Casa, a Escuridão" 

23
Abr19

O preço da felicidade

DSC_0159 (2).JPG

 

A felicidade, enquanto estado de momento, é algo inalcançável. Tal como o horizonte, quanto mais caminhamos em sua direção mais de afasta. Isto é evidente, não fosse a tragedia de nestes tempos de consumismos sermos permanentemente, e desde da mais tenra infância, inundados com o conceito de que a felicidade é algo que se pode obter, principalmente se custar dinheiro e der lucro a alguém. É curioso como é rara a revolta quando, neste comércio da felicidade, não se obtém o resultado pretendido e se exige a devolução do dinheiro gasto no perfume caríssimo, no automóvel exclusivo, nas férias exóticas ou no telemóvel topo-de-gama, depois de verificar que a sua aquisição não o nos deixou nem um milímetro mais perto de atingir a felicidade. Não se exige a devolução porque, no que diz respeito à felicidade, o importante é que exista esperança de a atingir. Enquanto houver esperança de um dia chegarmos à felicidade somos, de uma certa maneira, felizes.

 

Mas a realidade é diferente e a felicidade não é uma emoção de momento. Emoções de momento são a alegria ou o bem-estar. A felicidade é algo de mais difuso, um permanente ruído de fundo, que não se atinge atirando dinheiro para cima da nossa vida. É um subproduto de uma vida vivida da forma correta, nada mais. É o resultado de um esforço, não para se ser feliz, mas de viver a vida da melhor maneira possível. A felicidade, tal como o amor, não se procura nem se compra, acontece-nos se tivermos a sorte e a arte para a merecer.

 

Livro: A Arte da Vida, Zygmunt Bauman, Edição: Relógio D'Água

01
Abr19

Dia das mentiras

A homenagem é mais que merecida: é a mentira que faz a humanidade. A capacidade humana que decididamente torna o Homem diferente do resto da natureza é a capacidade de mentir, portanto, a estranha faculdade de pensar e de acreditar no que não existe. E foi assim que a criatura se tornou em criador.

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