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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

03
Dez19

A inutilidade da revolta

Diz o não-crente: caso fosse crente sentiria uma enorme revolta contra Deus, por existirmos para ter que aceitar a morte e um mundo tão injusto. Responde o crente: perante a coexistência de um Deus omnipotente e um mundo cruel e imperfeito nunca senti uma gota de revolta. No entanto, a ausência de revolta comum ao não-crente e ao crente radica na mesma origem: porque é inútil. É inútil a revolta, mas provavelmente necessária.

 

A dúvida pertinente é sobre qual o maior consolo perante a insignificância e a pequenez da nossa existência: o consolo do crente, que tem fé no sentido da vida mas cuja compreensão lhe está vedada, ou o do não-crente, que tem que aceitar a total ausência de um qualquer sentido para a existência.

 

A resposta, como por vezes acontece, só existe na poesia.

 

02
Dez19

A aldeia

Há quinze anos, com o nascimento da minha primeira filha, nasceu também um pai. Aprendi a ser pai com a minha filha como ela aprendeu a ser pessoa comigo, foi um crescimento mútuo. Mas sei bem que um pai ou uma mãe não é o suficiente para a completude da educação de um filho. O provérbio africano “Para educar uma criança é preciso uma aldeia inteira” reflete o conceito de que é a sociedade que serve os fundamentos para a educação de uma criança.

 

A atual geração de adolescentes e crianças nasceu num mundo novo em que a tecnologia permite que toda a informação esteja literalmente na palma das suas mãos. A “aldeia” mutou para algo de fluido e universal onde o sucesso se confunde perigosamente com um reconhecimento instantâneo e efémero pelos outros. Neste hiper acesso todos têm voz e opinião e o conhecimento do especialista é submergido pela gritaria da multidão. Nasceram num mundo em que o nosso estilo de vida está a destruir o planeta e em que a felicidade se confunde com consumo.

 

Hoje o maior desafio enquanto pai é transmitir aos meus filhos a importância de pensar, pensar pela própria cabeça, não ir atrás da opinião do rebanho e não fazer depender a nossa confiança do reconhecimento efémero pelos outros. Para esta geração que nasceu imersa num mundo conectado muito diferente do da minha infância, a dúvida que tenho é se a nossa “aldeia” terá o que é mesmo necessário para cumprir a sua função na educação de uma criança.

 

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