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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

20
Dez17

Se as condições fossem outras, nada seria diferente

Perguntas como me sinto. Vivo sem passado, sem futuro. Não pensar no que poderia ser o hoje, não sonhar o que será o amanhã. Não questionar porque não são as coisas diferentes. Não fazer planos. O que sinto é isto: não é alegria, não é tristeza, não é esperança, por vezes amor, por vezes desejo, e quase sempre coisa nenhuma. Mas, questiono, com o que sei sobre a natureza da vida humana: o que poderia ser diferente?

27
Out17

O efémero infinito

É fácil cair na tentação da húbris e considerar-nos superiores às leis da natureza. Quando inevitavelmente a punição chega, somos reconduzidos de deuses a animais, a nossa alma torna-se um lugar escuro e apertado. O que nos resta? O presente, o nosso efémero infinito.

23
Out17

Limitação sentimental

Tal como só na doença, é que conseguimos dar o devido valor à saúde, parece que com a infelicidade nos acontece o mesmo. Só nos momentos em que estamos infelizes conseguimos compreender como, afinal, éramos felizes anteriormente. Somos realmente limitados a avaliar o sentimento de felicidade do momento. E nos momentos em que o céu desaba sobre nós, sem uma réstia de luz ao fundo, que saudades temos desses momentos que podíamos olhar em frente e ver, e que éramos felizes e não o sabíamos.

12
Out17

Medo do nada

Por vezes o futuro transforma-se num nevoeiro negro que, subtilmente e sem permissão, começa a alastrar para o nosso presente, toldando os nossos dias. Nesses momentos exige-se, mais do que nunca, o foco no agora. O presente é o nosso único infinito e há momentos em que o futuro, esse nada, consegue ser uma sombra sobre os nossos dias. Não o permitirei, seria a vitória do inexistente sobre o que existe.

09
Out17

O futuro podia esperar

Somos prisioneiros desta dimensão temporal impelidos a viajar irremediavelmente em direção ao futuro. Passageiros involuntários de um comboio que ruma ao desconhecido. Viver o presente é a única alternativa, mas nem sempre fácil de utilizar. Há momentos em que o desejo é que o Tempo interrompa o seu fluxo e ficar parado no momento. A usufruir o presente, sem os nevoeiros do futuro.

29
Set17

Sentimentos frágeis

O amor e o desejo são sentimentos frágeis que se podem estilhaçar facilmente se não forem manuseados com extremo cuidado. E se, por descuido, distração ou inação, um sentimento se quebra o efeito é irremediável. Se os danos não forem graves ainda se pode, se existir vontade e paciência, tentar colar os múltiplos bocados em que ficou estilhaçado, mas por mais perfeito que seja este labor de artificie o resultado final nunca será exatamente igual ao sentimento primordial. Ficam sempre marcas, imperfeições, cicatrizes que o tempo pode disfarçar mas que nunca cura. Quando se quebra um sentimento o nosso mundo nunca mais volta a ser o mesmo.

23
Jun17

A vida de adulto é um local solitário

Ser-se adulto é estar-se sozinho, sozinho perante as nossas decisões e sozinho na responsabilidade das suas consequências. Não temos em quem delegar as decisões da nossa vida. Não temos desculpas para o que fazemos ou deixamos de fazer. Isto não é necessariamente mau, com a coragem necessária conseguimos encontrar na responsabilidade uma beleza obscura muito própria, mas cansa ser-se adulto a tempo inteiro. Há dias em que anseio desesperadamente de uma desculpa para conseguir explicar-me porque faço o que os outros esperam de mim, em vez de fazer aquilo que eu esperava de mim.

18
Mai17

Alma de poeta

 

Conversávamos ao jantar sobre o facto de a minha filha de 12 anos ter começado recentemente a deslocar-se de autocarro sozinha:

- “Já estás crescida, já andas de um lado para o outro sozinha”

- “E isso tem algum mal?”

- “É bom por umas coisas e mau por outras”

- “O que tem de mau?”

- “É o papá que está a ver a sua bebé a crescer” – intromete-se o seu irmão de 9 anos.

 

Poucos dias antes tinha dito esta mesma frase (sem que o meu filho estivesse presente). Sinto que a minha filha está a crescer demasiado depressa, o tempo avança irremediavelmente, cada vez mais rápido. O meu filho, com o seu instinto natural para os sentimentos, consegue ler o que sinto com uma profundidade desarmante. Tem alma de poeta o rapaz.

22
Dez16

Momentos em que o corpo chora

Há sentimentos que não são possíveis de partilhar, não há palavras suficientemente poderosas para representar o que sente a alma, não há símbolos que possam projetar uma sombra que seja da realidade. As palavras foram inventadas para motivos práticos, para as minudências do dia-a-dia, só os poetas lhes conseguem ocasionalmente extrair o sentimento para que não foram feitas, como o escultor extrai a estátua do bloco de pedra. Nesses momentos, os que não têm alma de poeta estão irremediavelmente confinados com seus sentimentos, isolados do Universo, sozinho, o Homem e as suas circunstâncias. É nestes momentos que o corpo chora.

12
Dez16

Compaixão e Piedade

No budismo existe uma distinção profunda entre os sentimentos de compaixão e de piedade. Compaixão é fazer nosso o sofrimento dos outros, é considerar os sentimentos de todos os seres sencientes como se fossem nossos, assumindo verdadeiramente o lugar do outro e ajudando os outros como se nos estivéssemos a ajudar a nós próprios, é a equidade entre o "eu" e o "outro". A compaixão é um sentimento fundamental de todos os budas, em que a felicidade só é atingida através da compaixão. A verdadeira felicidade é ajudar os outros, sendo portanto a compaixão um sentimento de duplo sentido, pois dá felicidade a quem a recebe e a quem a dá. Já a piedade é um sentimento baseado no medo. No medo de que o sofrimento do outro nos possa acontecer a nós. A piedade assume uma diferença entre o “eu” e o “outro” que a compaixão não admite e não confere felicidade nem ao objeto da piedade nem a quem a sente.

 

Esta distinção, depois de interiorizada em nós, faz-nos pensar: o que estou a sentir perante o sofrimento no mundo será compaixão ou piedade?

 

O Livro tibetano da vida e da morte, Sogyal Rinpoche.jpg

O Livro tibetano da vida e da morte, Sogyal Rinpoche

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