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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

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rua do imaginário

16
Jul20

A maldição do tempo linear

Fomos habituados a pensar o tempo como sendo um fluxo entre o passado e o futuro, uma linha temporal que avança e, desgraçadamente, aparentemente cada dia com maior velocidade. Esta forma de sentir o tempo é algo exclusivamente humano (não creio que outros animais sintam o tempo desta forma) e mesmo para a humanidade será uma forma recente de entender o tempo. Este sentido do tempo linear significa que o tempo é percecionado como uma deslocação entre dois pontos, em que existe uma origem e um destino, destino esse que será um local diferente da origem. Uma viagem, portanto. Uma viagem entre um passado e um futuro que lhe será diferente, para melhor, esperamos todos.

 

Imaginamos esta viagem porque temos memórias do passado e não as temos do futuro, tal como numa vigem em que deixamos para trás o local de onde partimos, que conhecemos, e vamos para um destino, que não conhecemos. E também porque a rápida evolução tecnológica nos últimos séculos nos habitou a pensar que a vida no futuro seja algo diferente do que foi a vida no passado. Mas nem sempre foi assim, nem sempre o Homem assumiu que existe uma evolução na vida, as mudanças eram lentas e imperceptíveis no período da vida humana. Durante milénios para o Homem o tempo foi fundamentalmente circular. Nunca foi uma viagem linear, mas ciclos que se repetiam. A noite e o dia que se sucedem, o ciclo lunar, o ciclos das estações, o ciclo do ano, os ciclos da Natureza e das colheitas e o próprio ciclo da vida, com o nascimento e a morte e a sucessão das gerações. Durante milénios da história da humanidade ninguém esperava que o futuro fosse um sítio diferente do que foi o passado.

 

O certo é que nem o futuro nem o passado existem. Não estamos a viajar entre eles. Estamos no momento presente, tão somente. Estamos presos ao presente. O passado é apenas uma memória algures nas misteriosas ligações químicas das sinapses dos neurónios do nosso cérebro, o futuro nem isso é. Curiosamente sentimos que o passado está nas nossas costas e o futuro à nossa frente. O que é estranho: se o que conhecemos é o passado, estamos na realidade olhar para o passado e de costas para o futuro, que não conseguimos ver. A ser uma viagem, viajamos de costas voltadas para o destino.

 

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