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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

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rua do imaginário

07
Nov16

Alegoria da onda e o mar

Dois dos princípios basilares da filosofia budista são os conceitos da impermanência e da vacuidade de todas as coisas. A impermanência é um conceito de perceção simples, tudo o que existe é temporário, tem um início e tem um fim. O conceito é simples, mas poderá ainda assim ser de difícil assimilação quando temos tendência, especialmente na sociedade moderna ocidental, a viver como se fossemos imortais, sem nunca pensar na morte. O conceito de vacuidade de todas as coisas traduz a ideia de que nada do que existe tem essência própria, tudo é, em si, vazio de significado. Este conceito é bastante mais difícil de compreender, a ideia que todas as coisas têm a sua própria essência, a sua individualidade, é muito intuitiva e acompanha-nos desde sempre.

 

Recentemente li uma alegoria primorosa no “Livro tibetano da vida e da morte”, de Sogyal Rinpoche, que explica estes dois conceitos de uma forma poderosa e maravilhosa. A existência de todas as coisas, e a vida dos seres sencientes em particular, pode ser comparado com uma onda no oceano. A onda tem origem no oceano, tem um início, que acontece muito antes de a onda ser visível, e quando finalmente a onda rebenta junto à costa e desaparece, tem o seu fim. Mas por si, a onda não tem sentido nem nunca poderia existir se não fosse o oceano que lhe deu origem. Não faz qualquer sentido pensarmos na onda fora do contexto do oceano, não só a onda não seria possível como não teria significado. Quando isolada do oceano que lhe deu origem a onda é, por si, totalmente vazia de essência. Se considerarmos o oceano como tudo o que existe, o dharma, a onda, que representa uma existência em particular, nasce do oceano, existe como parte do oceano e desaparece no oceano. A existência, tal como a onda, não tem essência se estiver isolada do resto da natureza, o Universo. Esta alegoria do mar e da onda explica de uma só vez, de forma simples e bela, os conceitos de impermanência e de vacuidade de todas as coisas.

 

O Livro tibetano da vida e da morte, Sogyal Rinpoche (1).jpg

O Livro tibetano da vida e da morte, Sogyal Rinpoche

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