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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

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rua do imaginário

14
Set20

Alto Douro Vinhateiro

A paisagem muda e abruptamente deixamos o planalto para entrar nas retorcidas subidas e descidas dos vales do rio Douro e os seus afluentes. Antes de chegarmos ao museu do parque arqueológico do vale do Côa, onde vamos almoçar, atravessamos novamente o  Côa, agora já um rio largo e tranquilo junto do local onde desagua no Douro.

 

Depois de um bom almoço com a companhia da vista deslumbante sobre o rio Douro do Museu do Côa seguimos agora pela mítica estrada N222, considerada uma das mais bonitas do mundo. Pela paisagem extraordinária que acompanha sempre esta estrada, mas também pelo encadeamento de curvas que permite um enorme  prazer de condução muito especialmente para quem viaja de mota, como nós o fazemos. Viajar de mota é algo muito diferente de o fazer de carro, de mota viajamos com os elementos e com a paisagem. Sentimos o frio ou o calor, o vento, os cheiros, seguimos imersos no ar que atravessamos. Viajar de mota é estar dentro, é pertencer à paisagem, e neste momento estávamos dentro de uma paisagem absolutamente fabulosa e arrebatadora.

 

A paisagem do Douro vinhateiro foi sendo lentamente moldada ao longo de séculos, um trabalho de gerações que foram construindo os socaldos que naqueles declives rochosos permitem extrair sustento destas arribas agrestes. É uma paisagem única no mundo, de uma beleza insuperável e é também um perfeito exemplo de como a humanidade pode tansformar a natureza numa simbiose respeitosa sem destruir a sua beleza e o seu equiibrio. O Douro vinhateiro é uma lição dos nossos antepassados sobre como é possível cooperar com a natureza sem a destruir. Um exemplo e uma esperança nestes tempos em que por ganância e cegueira estamos no caminho de provocar o colapso do nosso planeta, da nossa casa.

 

Quando passamos na localidade de São João da Pesqueira, não sei se por erro de navegação ou por opção de um GPS temperamental que teima em nos indicar caminhos estranhamente alternativos, deixamos a N222 e entramos numa deserta estrada regional que serpenteia sobre os montes da segunda linha dos vales do Douro. Atrevessamos o vale do rio Torto, nunca um nome de rio foi tão descritivo e tão poético, e enfrentamos mais curvas e contracurvas a escalar declives até ao cume destes montes. Sempre rodeados de uma paisagem maravilhosa de socalcos cuidadosamente cultivados, preenchidos essencialmente com vinha e oliveiras. O raro trânsito que se cruza connosco são ocasionais carrinhas de caixa aberta carregadas de uvas, atarefadas nas vindimas que decorrem por estes dias e que darão origem aos fabulosos vinhos desta região. É tão bom quando nos perdemos e encontramos estradas e paisagens com tanta beleza.

 

Centenas de curvas depois, e várias paragens para fotografar a paisagem inebriante, retomamos novamente a N222 junto a Valença do Douro. Já estamos agora próximo do nosso destino, a Quinta de Ventozelo. Que esta quinta produz excelentes vinhos já o sabemos, estava curioso para saber se produz também excelentes estadias.

 

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A paisagem transformada

 

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O rio Côa a poucos metros de desaguar no Douro

 

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A riqueza do Douro

 

 

 

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