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Entre dois nadas

02.10.18

O filósofo Michel Onfray define a vida como aquilo que acontece entre dois nadas. O nada que somos antes de nascer e o nada que somos depois de morrer.

 

Mas acrescento que existe uma ligeira diferença entre o “nada” do antes de nascer e o “nada” do depois de morrer. Antes de nascer somos o nada absoluto, é a não existência total. Nem uma ideia somos. O que é hoje quem ainda nem foi concebido? Depois de morrer somos um nada físico, mas com uma pegada no mundo, que é a nossa obra e a memória dos sobreviventes. É uma pegada efémera que lentamente desaparece, como a pegada na areia da praia batida pelo vento. Mas mesmo após o esquecimento total nunca regressaremos ao nada absoluto, algo ficou, a nossa insignificante vida muda inevitavelmente o mundo. Basta ter pegado numa pedra e tê-la atirado para longe, para já nunca mais regressar ao nada absoluto. O mundo mudou. A nova localização da pedra, que só aconteceu por eu ter existido, é o que me impede de regressar ao nada absoluto.  

 

Mas quem teve descendência deixa uma marca mais permanente: os seus genes. Posso nada saber do meu antepassado caçador-recolector que viveu algures há milhares de anos, mas carrego comigo a sua herança genética. Esse nada a que regressou o meu antepassado não é o mesmo nada de onde surgiu.

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