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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

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rua do imaginário

18
Set20

N304

Viajar de mota por estes recantos de Portugal e não aproveitar para percorrer o mítico troço da estrada nacional N304 que ladeia o Parque Natural do Alvão até Mondim de Basto seria algo que me iria deixar um peso na consciência por muito tempo. Assim, ao deixar as paisagens património mundial do Douro vinhateiro em direção ao coração de trás-os-montes fizemos um desvio para percorrer esta estrada maravilhosa, plena de curvas amplas e encadeadas e com uma paisagem a perder de vista sobre montanhas.

 

O dia de viagem iniciou-se com o retomar da N222, desta vez entre o Pinhão e a Régua, um suave troço de estrada que acompanha a margem esquerda do rio Douro, mas com algum movimento a que já não estávamos habituados depois de alguns dias a viajar em estradas praticamente desertas. Foi na Régua que nesta viagem atravessamos pela primeira vez o rio Douro e iniciamos o trajecto rumo a Terras de Basto. Em Santa Marta de Penaguião uma vez mais o GPS resolve indicar a estrada mais retorcida possível e dirige-nos para uma estrada regional que atravessa o coração da Serra do Marão, em alternativa à, agora na moda, estrada N2 que nos poderia ter levado ao mesmo destino de forma bastante mais tranquila e mais rápida. A travessia do Marão foi efetuada numa estrada de montanha incrivelmente retorcida, plena de curvas, ganchos e ziguezagues. Uma estrada muito lenta, deserta de trânsito e com uma paisagem tremenda, com os picos rochosos da serra a imporem a sua imponência sobre a nossa pequenês. Houve momentos em que parecia estarmos perdidos em alguma estrada dos Alpes, tal a grandeza dos picos de rocha nua que nos rodeavam.

 

Foi depois de termos percorrido, literalmente, as voltinhas do Marão que encontrámos o início do troço da N304 do Parque Natural do Alvão. O troço está assinalado com uma placa num enorme marco de pedra, tal é o seu vedetismo. É sem dúvida uma das mais belas estradas do país com curvas que parecem ter sido desenhadas somente com o intuito de proporcionar prazer de condução. No ritmo descontraído em que percorremos este troço proporcionou um enorme prazer de condução sendo que o mais difícil é conseguir manter a atenção na estrada, perante uma paisagem deslumbrante com a ondulação dos vários planos de montanhas a perder de vista.

 

Interrompemos temporariamente o prazer da N304 para subir em direção às Fisgas do Ermelo, onde se consegue avistar uma das maiores cascastas do país. A subida é feita numa estrada estreita que trepa a montanha. Durante a subida tivémos um prenúncio para o que nos esperava quando vários camiões de bombeiros se cruzaram connosco. Ao chegar ao miradouro das Fisgas do Ermelo o pior confirmou-se: um incêndio, que agora se encontrava em fase de rescaldo, tinha colorido a falésia que ladeia a cascata num único tom negro de carvão, uma paisagem que anteriormente era verde, castanha e cinzenta, de vegetação e pedra. Alguns carros de bombeiros permaneciam no  miradouro e outros podiam ver-se no cume, a acompanhar o rescaldo, onde ainda se viam focos de chamas e fumo. É smepre desolador ver uma paisagem tão bela destruída desta forma. O que nos consola é sabermos que o poder de regeneração da natureza é enorme e que dentro de algumas primaveras a vegetação naqueles locais estará novamente verdejante. Do lado oposto ao incêndio, em cima de fragas sobre o abismo, viam-se cabras selvagens, também elas vítimas desta desgraça.

 

Foi com o coração pesado pelo triste espectáculo des destruição que são os incêncios que voltamos a descer à N304 em direção a Momdim de Basto. Fazia parte do nosso plano subir ao monte da Nossa Senhora da Graça mas também ele estava desolador, carbonizado por um incêncio há alguns meses. Ver a partir de Mondim a bela silhueta do Monte Farinha perfeitamente desenhada mas agora negra desanimou-nos em lá ir. A visita ao Alto da Senhora da Graça teria que ficar para quando o monte esteja novamente verde, não seria nada agradável percorrer aquela bonita estrada que num caracol perfeito sobe o monte sempre rodeados por árvores queimadas. Após o almoço em Mondim seguimos em direção ao nosso destino do dia, a aldeia de Gimonde, já nos arredores de Bragança.

 

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Início do troço da N304 do Parque Natural do Alvão

 

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Fogo nas Fisgas do Ermelo

 

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Cabras do Parque Natural do Alvão

 

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