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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

28
Jun17

Não nos podemos esquecer de construir as nossas memórias

A evolução da tecnologia permite-nos ter no nosso bolso um equipamento extremamente poderoso, com capacidade de acesso em mobilidade a uma fonte inesgotável de informação e de registar e partilhar, de imediato, tudo aquilo que fazemos, pensamos ou sentimos. É o smartphone, um artefacto com capacidades que apenas há algumas décadas nem nas mais clarividentes ficções futurísticas seriam imagináveis.

 

Fui recentemente a um concerto, em que as pessoas pagaram um bom preço para poderem estar presentes, um momento supostamente único e irrepetível. E é com espanto que se constata que muitas das pessoas presentes passam mais tempo a olhar para o seu smartphone do que a usufruir do momento. A consultar as últimas das suas redes sociais, a expor ao mundo o esplendor da sua vida, a trocar mensagens ou a filmar o palco, a maioria das pessoas não estava verdadeiramente focada em usufruir do momento. Dividiam a sua presença entre a realidade do que estava a acontecer no local, e certamente que fizeram um esforço assinalável para poder estar lá, e a pequena janela para o mundo virtual que representa o seu smartphone. Ainda há poucos anos os turistas japoneses eram a chacota do mundo por se deslocarem sempre com as suas máquinas fotográficas em punho a fotografar tudo o que lhes aparecia pela frente. Pois hoje parece que nos tornámos todos em turistas japoneses, e não só quando fazemos turismo mas no nosso dia-a-dia habitual.

 

Todos nós estamos ainda em fase de aprendizagem sobre o que devemos fazer, e não devemos fazer, com tanto poder ao nosso alcance. Somos como crianças com um brinquedo novo e sem supervisão parental. A tecnologia está a fazer nascer uma nova forma de viver, e navegamos por territórios para os quais ainda não existe mapa. O que faremos no futuro com a tecnologia está a ser definido pela nossa utilização dessa tecnologia hoje, a cada momento. E para essa definição do que queremos do futuro, não nos podemos esquecer que a vida acontece, por enquanto, no mundo real. E não creio que no seu leito de morte alguém vá um dia lamentar não ter passado mais tempo da sua vida nas redes sociais.

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