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A ideia fundadora de "reiligião para ateus" de Alain de Botton é o conceito de que as funções da religião na sociedade e na vida íntima de cada um vão muito além da fé em Deus e da crença nas escrituras. O sucesso das religiões deve-se talvez mais à necessidade Humana de determinados consolos, de união com a comunidade, de peregrinações que nos reconfortam e de certos rituais de transição nas nossas vidas do que na crença em um Deus criador. Estou convencido que uma percentagem significativa das pessoas que frequentam a missa e as várias cerimónias religiosas serão ateus ou agnósticos e uma percentagem ainda maior considera os textos das escrituras religiosas e os preceitos da igreja como algo apenas simbólico, um suporte já desgastado pela idade para um ritual, em vez de serem preceitos em que se deve acreditar e cumprir sem questionar. Assim, na sociedade laica e secular em que se renega tudo o que esteja associado a crenças religiosas conduz a que funções fundamentais exercidas pelas igrejas ao longo de milénios ficassem subitamente fora de alcance dos ateus, que ficaram órfãos de um conjunto importante de ritos consoladores.

 

Alain de Botton já tem uma vasta obra de divulgação filosófica em que o autor aplica a filosofia à realidade da sociedade atual com o objetivo de se viver melhor. E de facto neste aspeto a filosofia tem uma importância fundamental: só questionando e refletindo sobre o mundo em que vivemos, e a forma como o fazemos, poderemos enfrentar com alguma tranquilidade e paz de espírito os pesados desafios que a vida moderna impõe a um ser Humano nestes tempos. Da obra anterior de Alain de Botton conheço vários livros, que me pareceram ser eficazes no seu objetivo mas em que falta uma certa chama de genialidade, algo que fosse verdadeiramente inspirador, mas “Religião para ateus” será porventura um dos mais bem conseguidos de Alain de Botton. O exercício de Alain de Botton, centrado essencialmente nas religiões católicas, judaica e no budismo, vai no sentido de identificar e descrever as importantes funções que as igrejas garantem para o Homem e como seria possível, numa sociedade secular e para um ateu, adequar essas funções para usufruto e consolo de um ateu. Identifica um problema fundamental da sociedade laica moderna, a ausência abrupta do papel fundamental que historicamente as religiões sempre exerceram, e propõe, com sabedoria, algumas alternativas seculares para as funções e o modo de operar anteriormente ocupadas pelas religiões em áreas como os rituais, a comunidade, a educação, a arte ou a arquitetura. Um livro inspirador para um ateu que gosta de ir à missa.

 

Livro: Religião para ateus, Alain de Botton

 

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