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Em Junho de 2015 escrevi neste espaço num texto intulado “A diferença entre existir e não existir”:

 

“A improbabilidade da nossa existência, que de matéria forjada nas estrelas se tenha produzido a vida, e que essa vida tenha ganho consciência e que essa consciência tenha uma ténue compreensão do que nos rodeia é algo de totalmente esmagador. Se nos fosse possível ter a noção dessa improbabilidade, de que não somos mais que uma fugaz organização de matéria que só foi possível por motivos fortuitos e da total impermanência da nossa existência poderia provocar um sentimento de total vazio, o terror da não existência: se não somos nada, mesmo nada, então o que vale o que sou agora? A minha existência é tão insignificante, é tão tendencialmente nula, que haverá alguma diferença entre existir e não existir?”

 

Mantendo a concordância com o que o meu “eu” daquele dia passado escreveu (o que seria perfeitamente natural que não se verificasse, o “eu” é algo em constante mutação), tenho hoje a perspectiva de que nossa insignificância deve ser motivo para valorizar a nossa existência, não o contrário. No Tempo a diferença entre a existência e a inexistência é de facto nula, mas no agora é tudo o que temos. O agora é tudo. O consolo da nossa insignificância é que, por cruel, sem sentido e esmagadoramente insignificante que seja a nossa vida, o simples facto de existir o agora terá que nos servir como único fundamento para a sabedoria de viver.

 

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