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Perante esta ausência tão inevitavelmente definitiva a tarefa mais urgente é construir memórias. A memória não é algo cristalizado que reflete uma realidade passada e imutável, é antes uma construção pessoal, que nunca está terminada, manufaturada dentro de nós com doses variáveis de realidade, invenções e esquecimentos.  A missão fundamental agora é saber que memórias quero construir para nós e, num trabalho contínuo de artificie procurar memórias e escolher, rejeitar, aceitar ou moldar. O meu trabalho é o de o jardineiro a construir um jardim que é só nosso. Mas entre as flores do jardim da memória há plantas que queremos eliminar seletivamente, rejeitar memórias daninhas, que se não forem mondadas de imediato ameaçam crescer desmesuradamente e abafar as muitas memórias boas, bonitas, carinhosas e quentes que devo proteger a todo o custo. E este é o maior desafio do construtor de memórias, pois estas memórias daninhas exigem uma atenção permanente pois, quando menos se espera, surgem assim de repente, do nada, no meio de todas as bonitas, coloridas e cheirosas flores do nosso jardim, a causar uma dor negra como a noite que a nossa história de amor não merece.

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