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Ao longo dos séculos, e desde dos filósofos da antiguidade Grega, que um dos temas centrais da filosofia tem sido o problema da nossa incapacidade de conhecer o mundo real. Tudo o que sabemos chega-nos através dos nossos sentidos, que mais não são que filtros muito potentes que conseguem receber uma ínfima parcela do que nos rodeia e que o interpretam da forma mais eficaz para a nossa sobrevivência, mas que certamente não será a melhor interpretação para saber o que existe. O que é verdadeiramente a realidade é para nós algo fora do nosso alcance, talvez de forma irremediável e definitiva. Platão soube expressar esta nossa prisão dos sentidos através da sua famosa Alegoria da Caverna.

 

O filósofo irlandês George Berkeley (1687 – 1753) levou ao extremo este tema, considerando ser totalmente impossível que nos fosse possível conhecer a verdadeira substancia do mundo que nos rodeia. Dizia Berkeley, na sua filosofia que ficou conhecida como imaterialismo, que tudo o que existe é o que existe na nossa mente. Não se nega a existência do mundo exterior, mas como não o conseguimos conhecer, a verdadeira substância do que existe é o que existe enquanto pensamos nessa substância. Quer isto dizer que as coisas só existem enquanto são pensadas. Se vejo uma cadeira, ela só existe, enquanto cadeira, enquanto a penso. E se pendo num unicórnio cor-de-rosa, ele existe enquanto o penso. Claro que Berkeley teve que enfrentar a questão de que se ninguém estiver a pensar num objecto ele deixa de existir? A resposta a esta questão foi que Deus existe para pensar as coisas por nós. Encontramos aqui pontos de contacto com os argumentos de Tomás de Aquino, Deus existe porque a existência é Deus.

 

A filosofia de Berkeley parece um pouco excêntrica mas é curioso como o imaterialismo se tem vindo a adaptar às recentes evoluções do conhecimento científico, nomeadamente na física quântica. O princípio da incerteza de Heisenberg ou a dualidade onda-partícula confirmam que o mundo exterior depende muito do observador, ou seja, de quem interpreta. A existência material é apenas uma caraterística do que pensamos, porque tudo o que pensamos existe. O mundo é o imaginário.

 

Livro: Um breve guia para clássicos filosóficos, James M Russel

 

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