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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

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rua do imaginário

21
Set20

Rio de Onor

No planeamento que fizémos da viagem este dia de estadia em Gimonde, seria a única vez que ficariamos duas noites no mesmo local, estava reservado para uma grande ronda por trás-os-montes, com passagem por várias localidades transmontanas. Sabemos bem que os planos são feitos para serem alterados, e foi o que fizémos. Em vez de seguir o plano que nos levaria a fazer muitos quilómetros nesse dia, optámos por ususfruir de um dia mais tranquilo e conhecer algumas aldeias do Parque Natural de Montesinho, já que estávamos instalados mesmo às portas deste parque natural.

 

A aldeia de Rio de Onor fica a cerca de vinte e cinco quilómetros de Bragança percorridos numa estrada muito agradável, não muito retorcida e com vistas amplas para as paisagens do Parque Natural de Montesinho. Escolhida como uma das sete aldeias maravilha de Portugal, era uma candidata mais que óbvia a receber a nossa visita. Famosa por ser uma aldeia que é dividida pela fronteira, sem dúvida muito bela, construída nas margens calmas e verdejantes do rio que lhe dá o nome, casas típicas de pedra castanha e telhados de lousa negra. A maioria das casas estão bem conservadas e nota-se que os residentes, que devem ser escassos, têm orgulho na beleza da aldeia e preocupam-se em a manter bonita e florida para os visitantes que recebe. É uma das últimas aldeias comunitárias, o que significa que o trabalho com os terrenos e rebanhos é partilhado por todos, tem ainda um moínho de água e um forno comunitários e existe inclusivamente uma língua própria, o rionorês. Foi curioso passarmos a fronteira no nosso pequeno passeio dentro da aldeia e verificar que em parte da aldeia as placas com os nomes das ruas são escritos em português e noutra zona da aldeia o são em castelhano. Aproveitámos até para atravessar a fronteira de mota e ficar em Espanha alguns segundos, somente para fazer a estreia da mota em viagens internacionais.

 

É impossível visitar estas aldeias e não pensar sobre qual será o seu futuro. É recorrente encontrar nas aldeias remotas do interior de Portugal casas abandonadas, outras que se nota estarem fechadas há muito, eventualmente sendo apenas utilizadas durante as férias, e muitas, muitas casas com cartazes de venda. A população destas localidades diminuiu imenso nas últimas décadas. Da geração que saiu já poucos regressarão para viver nas aldeias, para além de alguns dias de ferias anuais. Ficaram os mais idosos, a sobreviver com base em pensões e numa agricultura de subsistência. Entretanto esses idosos vão desaparecendo deixando as aldeias vazias e as casas ao abandono. Não existindo já crianças que cresçam nestas povoações será inevitável que dentro de uma ou duas gerações estas aldeias fiquem irremediavelmente abandonadas. Recentemente surgiram no entanto novas formas de povoação destes territórios abandonados que lhes trazem alguma vida. As plataformas que permitem o aluguer de casas para uso turístico, o que dinamizou a recuperaçãode muitas casas, e aqueles, essencialmente estrangeiros, insatisfeitos com a vida exigente e artificial das cidades e que procuram um regresso a uma vida simples, um sentido de comunidade e contacto com a natureza, vindo re-povoar estas terras remotas. São estes os motivos da esperança de vir a ser possível evitar em alguns casos que, mais tarde ou mais cedo, aldeias inteiras caiam no total abadono.

 

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As casas vaidosas de Rio de Onor

 

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Represa de água para o moinho comunitário

 

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Por terras de caretos, Património Cultural Imaterial da Humandidade (Varge)

 

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