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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

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rua do imaginário

24
Set20

São João das Arribas

A ronda transmontana tinha atingido o seu apogeu, o ponto mais a norte da viagem, e iniciávamos o rumo a sul. Ficou para trás Gimonde e o Parque Natural do Montesinho e vamos agora para um outro parque natural, o do Douro Internacional. Seguimos pela estrada nacional N218, mais uma estrada recheada de deliciosas curvas e paisagems esplenderosas. Foram tantas as estradas fantásticas que percorremos nos últimos dias que já começamos a ter dificuldade em lhes dar o devido valor, o prazer de viajar de mota é o novo normal para nós nestes territórios. Foi uma certa sensação de dose excessiva que quase nos deixa incapazes de saborear alguns destes momentos. Mas, sabendo nós que após esta viagem nos esperam meses seguidos de estradas utilitárias, de imediato nos focamos novamente no prazer daqueles momentos.

 

Seguimos para Miranda do Douro com uma breve paragem no Vimioso para um breve descanso e um café. Apesar de ter sido uma visita muito curta, Vimioso deixou boas impressões, de uma vila tranquila e bem organizada onde se destaca a sua imponente igreja matriz.

 

Quando nos vamos aproximando de Miranda do Douro, notamos de imediato as estranhas placas com o nome das localidades em duas línguas: o português e o mirandês. Estamos agora em pleno território com duas línguas oficiais e é muito interessante ver o mirandês escrito em vários locais. O mirandês é uma lingua oficial de Portugal que tem origem no asturo-leonês, ao contrário do português que tem o seu berço no galego. Ainda antes do almoço em Miranda dirigimo-nos a Aldeia Nova, Aldinuoba em língua mirandesa, para conhecer o miradouro de São João das Arribas, a poucos quilómetros de Miranda.

 

O miradouro de São João das Arribas permite-nos saborear a plenitude do que são as arribas rochosas e vales profundos por onde o Douro desliza tranquilo. É o mesmo rio Douro que uns dias antes nos tinha encantado mas agora as paisagens são totalmente diferentes. Ao contrário dos vales suaves e domados do Douro vinhateiro temos agora a natureza selvagem, pura, rugosa e intocada. Aqui o labor do Homem não se atreveu a transformar estas escarpas, que se mantêm inalteradas, esculpidas somente pela natureza e pelo tempo. E mesmo junto ao miradouro existem vestígios de um castro da idade do ferro, a recordar-nos que estas terras agrestes são povoadas, em hamonia, há muitos milhares de anos.

 

Uma vez mais é o silêncio que mais nos impressiona. Silêncio telúrico, que emana profundeza daqueles vales rasgados ao longo de milhões de anos, um silêncio avassalador que, de imediato, nos invade a alma e nos tranquiliza a mente. Para quem vive numa cidade é verdadeiramente impossível usufruir de um silêncio com esta profundidade e só quando o ouvimos compreendemos a falta que ele nos faz.

 

Pairando sobre o silêncio, enormes aves de rapina no seu voo planado, tranquilo mas predador, conferem uma beleza misteriosa a estes céus.

 

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Em terras bilingues

 

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A natureza selvagem do Douro Internacional

 

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O silêncio que se consegue ouvir

 

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