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rua do imaginário

Porque existe algo em vez do nada?

Porque existe algo em vez do nada?

rua do imaginário

08
Jan21

O Aroma do tempo

“O Aroma do Tempo, Um ensaio filosófico sobre a Arte da Demora” do filósofo Byung-Chul Han é uma interrogação sobre como vivemos o Tempo no nosso tempo. Vivemos tempos velozes. E sabemos que é preciso tempo para aprofundar o pensamento, ou, na feliz expressão do autor, a “amplidão do Ser”. A comtemplação oferece-nos tempo, a velocidade retira-nos tempo. E sem tempo apenas navegamos na superfície, ao sabor das correntes e dos ventos, num quotidiano permanentemente reativo. A sabedoria exige tempo. E a vida moderna, na sua agitação, na elevação dos ocupados, dos que andam em permanente pressa, onde tudo tem que ter retorno imediato, onde não se espera, impede ver o detalhe do que se esconde para além do óbvio de todas as coisas. E a beleza maior do mundo está no detalhe.

 

Todos vós, que amais o trabalho selvagem e o rápido, o novo, o estranho, suportai-vos mal a vós mesmos, a vossa diligência é fuga e vontade de esquecimento do vosso próprio ser. Se acreditasseis mais na vida, lançar-vos-íeis menos no instante. Mas não tendes em vós conteúdo bastante para a espera – e nem sequer a preguiça!

Friedrich Nietzsche

 

A demora contemplativa concede tempo. Dá amplidão ao Ser, o que é algo mais do que estar ativo. Quando recupera a capacidade comtemplativa, a vida ganha tempo e espaço, duração e amplidão.

(...)

À falta de sossego, a nossa civilização desemboca numa barbárie. Em nenhuma época foram mais cotados os ativos – quer dizer, os desassossegados. Entre as correções necessárias que devem introduzir-se no caráter da humanidade, conta-se portanto, uma ampla medida de fortalecimento do elemento contemplativo.

Byung-Chul Han

 

O Aroma do Tempo, Byung-Chul Han.jpg

O Aroma do Tempo, Byung-Chul Han

 

16
Nov20

Acima de tudo, o que mais importava era o que era verdadeiro

Da mesma forma em que não é possível mentir em nenhum de dezenas de milhares de passos necessários para nos levar à Lua ou a outros planetas, porque todos os passos em todas as missões têm que ser verdadeiros para ela ter êxito, não podia haver mentiras neste novo mundo que que partilháva-mos. Ambos sabíamos que a nossa felicidade dependia da nossa integridade um com o outro e que mesmo uma pequena mentira seria uma forma de separação, por insignificante que fosse. Tudo o que fazíamos juntos tornava-se mais uma maneira de fazer amor.

 

Ann Druyan sobre a sua relação com Carl Sagan, Cosmos - Mundos Possíveis, Ann Druyan, edição: Gradiva

 

26
Out20

Mundos possíveis

“Cosmos – Mundos Possíveis" de Ann Druyan é um livro, e uma serie de televisão, sobre o esplendor do Universo mas, e principalmente, sobre a maravilhosa aventura do conhecimento da Humanidade que nos permite conseguir começar a vislumbrar a linguagem em que o Universo está escrito. É uma mensagem sobre a infinita variedade da existência e as enormes possibilidades da inteligência. E é, também, sobre a nossa insignificância individual.

 

No "Terra inabitável" somos cilindrados com dureza pelo egoísmo do Homem que está a levar o planeta a um desiquilibrio catastrófico. Neste "Cosmos  - Mundos Possíveis" recebemos a profunda beleza da maior construção da Humanidade, em que geração após geração, homens e mulheres movidos apenas pela curiosidade vão desbravando a ignorância e construindo a catedral do conhecimento.

 

Mas não é exactamente sobre o livro "Cosmos – Mundos Possíveis", nem sobre a dicotomia magnificiência/inconsciência da humanidade que quero aqui escrever, mas sobre o amor entre Ann Druyan e Carl Sagan. Porque, de entre todos os mistérios do Universo, o amor será sempre o maior e mais belo de todos.

 

Quando nos apaixonámos, para mim foi como descobrir um mundo novo. Um mundo que eu tivera esperança que existisse mas nunca tivera oportunidade de ver. Neste novo mundo a realidade excedia a fantasia em todos os sentidos.

(...)

Numa noite estrelada, juntos num convés de um navio no Pacífico, vimos um casal de golfinhos a acompanhar-nos. Ficámos a vê-los talvez durante dez minutos quando de súbito, num único movimento gracioso, deram um mergulho em ângulo recto e desapareceram no mar profundo. Moveram-se em uníssono, como se tivessem comunicado de alguma maneira misteriosa. Carl olhou para mim e sorriu: “Somos nós, Annie”, disse ele.

 

Cosmoa - Mundos Possíveis, Ann Druyan.jpg

Cosmos - Mundos Possíveis, Ann Druyan, edição: Gradiva

 

 

25
Mai20

Ilusão e realidade

Reconhecer a realidade como uma forma da ilusão, e a ilusão como uma forma da realidade, é igualmente necessário e igualmente inútil.

 

14-5-1930

Livro do Desassossego por Bernardo Soares. Vol.II, Fernando Pessoa

 

30
Jan19

O passado vem sempre em partes

 

Há alturas em que não posso deixar de pensar no passado. Sei que o presente é o lugar para se estar. Foi sempre o lugar para se estar. Sei que me foi recomendado por pessoas muito sensatas que permanecesse no presente o mais possível, mas o passado apresenta-se. O passado não vem como um todo. Vem sempre em partes.

 

Sam Shepard (1943-2017), Espião Na Primeira Pessoa (Quetzal, Agosto de 2018) 

28
Jan19

Parábola do elefante e dos cegos

- Imagine um elefante – repetiu Raskolnikov.

- Imagine que uns quantos cegos dele se abeiram para o descrever. O primeiro, por apalpar a tromba, diz que o elefante se assemelha a uma cobra. O segundo, porque apalpa uma pata, diz que um elefante é como a coluna do templo de Shiva. Outro, o terceiro, por agarrar a cauda, julga que um elefante é como uma corda. O quarto, por apalpar a orelha, diz que o animal é parecido com um leque muito grande. O que se encostou ao corpo do elefante diz que ele se parece com uma parede. O sexto, que ficou sob o elefante, sob o seu peso, diz que ele se parece com o seu amigo Bombo.

E nós, caro Bonfim, lembramo-nos das coisas como os cegos a apalparem um elefante. Lembro isto porque poderá ajudá-lo um dia. Todos nós teremos, se não temos já, um elefante para perceber. E a questão é percebê-lo todo. Meu caro senhor, eu compreendi muito bem que o passado pode ter um grande futuro pela frente.

 

Os livros que devoraram o meu pai, Afonso Cruz (1).jpg

Afonso Cruz , Os livros que devoraram o meu pai

 

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